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| Nas ruas, contra a ocupação do Iraque |
| Dafne Melo |
| Brasil de Fato - 18/2 |
| Mobilizar milhões de pessoas em todo o mundo, nos dias 19 e 20 de março, para exigir o fim da ocupação do Iraque. Esta é a grande tarefa dos movimentos antiguerra, que aproveitaram o espaço do 5º Fórum Social Mundial (FSM) para articular a resistência global. Para o inglês Chris Nineham, da organização Stop The War Coalition, as manifestações deste ano têm grande chance de serem ainda maiores do que as de fevereiro de 2003, que reuniram cerca de 30 milhões de pessoas, em todo o mundo. "Quem acredita, agora, que a guerra foi por causa de armas de destruição em massa? Ou que foi feita para libertar o povo iraquiano? Quem acredita que, com a guerra, o mundo é um lugar mais seguro? Muitos acreditavam em tudo isso, mas, agora, não mais. Há mais pessoas contra a guerra, hoje, do que havia em fevereiro de 2003", afirmou Nineham, durante o debate "Resistência e ocupação no Iraque: o império está perdendo?". A mesa contou, ainda, com a presença da ativista inglesa Kate Hudson, da Campanha pelo Desarmamento Nuclear; do filipino Herbert Docena, da organização Focus on Global South, e da estadunidense Virginia Rodino, da Unit for Peace and Justice. Kate procurou ressaltar o papel que o FSM tem na construção da união necessária na luta contra as guerras imperialistas. "De certa maneira, o Fórum catalisa as forças necessárias para acabar com a dominação estadunidense no Iraque", acredita. Derrota? Segundo os debatedores, outro ponto que estimulará as pessoas a irem para as ruas, em todo o mundo, são as evidências de que os Estados Unidos não têm mais controle da situação no Iraque, como demonstram os inúmeros casos de seqüestro de estrangeiros, torturas e a permanência dos altos índices de violência. Chris Nineham vai além. Ele acredita que não é exagero dizer que as forças militares chefiadas pelos Estados Unidos estão sendo militarmente vencidas no Iraque. "Há enormes áreas onde as tropas de coalizão simplesmente não entram mais", explicou. Essa situação, entretanto, dificilmente provocaria um recuo estadunidense. "No Vietnã, mesmo quando os EUA reconheceram sua derrota, continuaram a bombardear o Camboja, o Laos. O imperialismo não recua", concluiu. União Além da necessidade de lutar contra a ocupação do Iraque, o tom do debate foi fortemente marcado pelo discurso anti-imperialista. "Temos que lembrar o que Che Guevara disse sobre criar um, dois, três Vietnãs. Ele também estava dizendo que todas as pessoas do mundo deveriam se unir contra o império", afirmou Kate. Docena foi mais enfático. "Sempre dizemos que um outro mundo é possível. Mas só será possível se o império estadunidense entrar em colapso", disse o ativista filipino, recordando a história do seu próprio país, que travou uma sangrenta guerra de independência contra os Estados Unidos, na primeira metade do século 20. Ele convocou todos para iniciar a construção de um outro mundo, protestando nas ruas nos dias 19 e 20 de março. "Vamos garantir que os iraquianos de hoje não sejam os filipinos de ontem", completou. Finalizando o debate, os participantes enfatizaram que a batalha pelo fim da ocupação é apenas o começo. É preciso, ainda, garantir que o povo iraquiano decida sobre seu próprio destino político e econômico, após o fim da guerra. "A invasão estadunidense está condenada a acabar. A pergunta que fica é como irão deixar o país. Se com helicópteros, fugindo, como no Vietnã, ou como fizeram nas Filipinas, na certeza de que tinham o completo controle sobre a economia do país e que todas as forças de resistência estavam destruídas. Milhares de pessoas querem que a ocupação termine, inclusive Bush, para que possa continuar a ocupação econômica e ideológica do Iraque, pois é isso que querem de verdade", observou Herbert Docena. |