A cena de guerra, que durou das 8h00 às 11h30,
levou o secretário Nacional de Direitos Humanos, Nilmário
Miranda, à cidade já no início da tarde. Uma reunião
convocada com urgência por movimentos sociais, organizações
não governamentais e entidades religiosas e da sociedade civil
tentou apurar os fatos ocorridos naquela manhã. Um dos pontos abordados
é a suspeita de que existem mais de 10 mortos escondidos em valas
no local da ocupação. Para averiguar esta denúncia,
também foi formada uma comissão de Direitos Humanos na Assembléia
Legislativa de Goiânia, em frente da qual um protesto pedindo justiça
reuniu mais de 700 pessoas.
Leia a seguir a íntegra do manifesto divulgado
após a reunião da sociedade civil de Goiânia.
"Manifesto em apoio famílias acampadas
no Parque Oeste Industrial
Vários movimentos sociais, entidades de classe,
ongs, entidades religiosas, dentre outras, realizaram, no dia 16 de
fevereiro, às 17h, no salão do Secretariado da Pastoral
Arquidiocesana, uma reunião em caráter de urgência
para apurar os fatos ocorridos na retirada das famílias acampadas
no Parque Oeste Industrial.
É revoltante a ação ocorrida na
retirada das famílias, já que, diante do cumprimento da
liminar emitida pela juíza da 10ª Vara Cível, Graice
Côrrea, e confirmada pelo desembargador Ney Telles, a ação
policial foi autoritária, colocando a lei acima da vida.
Durante a reunião, foi levantada a suspeita
de que existam mais de 10 mortos escondidos em valas no local da invasão,
contrariando a nota oficial da Polícia Militar, que confirma
apenas duas mortes.
Representantes de movimentos sociais e igrejas, que
tiveram acesso ao Presidente do Tribunal de Justiça, se indignaram
com a forma que ele se manifestou sobre o caso, de maneira fria e hipócrita.
Outro dado que indignou os presentes da reunião
foi que, durante a seção na Assembléia Legislativa,
hoje, alguns deputados se posicionaram favoráveis à ação
policial na retirada das famílias, fato que interrompeu a seção,
levando a discussão para a Comissão de Direitos Humanos
da Assembléia.
A população também está
revoltada com a violência ocorrida durante a retirada das famílias.
Mais de 700 pessoas fizeram uma manifestação, hoje à
tarde, em frente à Assembléia Legislativa, o que levou
os seguranças da casa a impedir a entrada e saída de pessoas.
Diante das suspeitas e fatos levantados durante a reunião,
as organizações presentes estabeleceram diversas comissões
para apurar a veracidade das informações divulgadas até
o momento.
Uma comissão, composta por dois vereadores e
duas entidades religiosas, foi delegada para visitar a região
do Parque Oeste Industrial para verificar a suspeita de outras mortes.
Outra comissão, composta por quatro pessoas,
irá visitar o Hospital de Urgência de Goiânia, para
averiguar o número de feridos e mortos, já que o HUGO
está omitindo as informações para a população.
O Ministro Nacional de Direitos Humanos, Nilmário
Miranda, juntamente com Ella Castilho, Procuradora Federal dos Direitos
do Cidadão e um Delegado da Polícia Federal, se deslocaram
para Goiânia para acompanhar o caso, considerado grave.
Também foi comunicada a formação
de uma comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa
de Goiânia para averiguar a suspeita outras mortes.
São revoltantes os fatos ocorridos neste último
dia 16 com as famílias acampadas no Parque Oeste Industrial.
Por isso, as entidades e movimentos sociais de Goiânia
presentes na reunião realizada no salão do Secretariado
da Pastoral Arquidiocesana, no último dia 16, querem, através
deste manifesto, deixar seu depoimento de indignação e
pedir para que mais e mais pessoas divulguem estas informações.
Não podemos mais aceitar um mundo de passividade
e violência impune."