PT 25 anos: comemorar o quê?
Editorial
Correio da Cidadania - 12/2

Sendo, como é, um jornal de esquerda, o Correio da Cidadania não poderia deixar passar em branca nuvem o 25o aniversário da fundação do PT. Pena que não se possa comemorar a data com rojões e banda de música. Pelo contrário, o clima é de apreensão e tristeza. O PT vive um momento tão contraditório e decepcionante que está ofuscando até mesmo o significado histórico do seu surgimento no quadro partidário brasileiro.

Não se pode esquecer que o PT foi a primeira “cabeça de ponte” que as massas populares conseguiram fincar em um terreno que até então havia sido território exclusivo das elites: a política. Quinhentos anos de história foram necessários para que o povo reunisse forças e conseguisse construir um partido de “baixo para cima” - um partido de operários, camponeses, moradores da periferia das grandes cidades. O PT foi o primeiro a eleger uma senadora negra, favelada e fazê-la, em seguida, governadora de um Estado da Federação; o primeiro a levar um nordestino “pau de arara” à presidência da República; o partido que, no dizer de todos, foi o contraponto da direita na Constituinte de 1988.

Para fazer justiça, é preciso dizer que, antes dele, o PC e o PCdoB apresentavam traços semelhantes, porém não conseguiram a penetração que o PT conseguiu junto à massa popular em todos os rincões do país. Daí sua enorme importância na caminhada do povo brasileiro para o socialismo.

Sim. O PT nasceu socialista e se afirmou no cenário político brasileiro como um partido da transformação social - um partido para derrubar a elite do poder e, em seu lugar, colocar o povo no comando da nação.

O fato de que tenha se desviado dessa linha é o grande escândalo da política brasileira. É também a causa profunda das defecções, das “indisciplinas”, das expulsões, da indignação de tantos militantes e simpatizantes.

Não é a primeira vez na história – e nem será a última – que um partido desvia-se de suas origens. Isto não quer dizer que não possa ser recuperado. Mas até agora não se vê como, porque a guinada oportunista deixou todo mundo confuso. Não houve tendência interna imune ao impacto desse desastre. Basta dizer que todas estão cindidas e algumas delas, fragmentadas em várias facções. Militantes da primeira hora saíram do partido; outros permaneceram, mas proclamaram-se em “estado de dissidência”; outros, contudo, ainda preferem seguir disciplinadamente o caminho da disputa interna. Só o tempo dirá quem está com a razão.

É essencial, porém, que, no curso dos embates que estão por vir, todos – petistas e ex-petistas - tenham presente a importância histórica do PT. Evidentemente todo partido é um instrumento e um instrumento só vale enquanto é eficaz. Mas não se pode esquecer que o PT é um marco da luta popular - um patrimônio do povo que não deve ser dilapidado.

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