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| RS: Onde mais cresceu, partido vive grave crise |
| Lisandra Paraguassú |
| Estado de São Paulo - 10/2 |
| Mais de três meses depois das derrotas nas eleições municipais, o PT gaúcho ainda tenta entender o que ocorreu no Estado em que o partido mais cresceu nos últimos 10 anos. Sem consenso sobre as derrotas em Porto Alegre, que administrava há 16 anos, e outras cidades, o partido começa a preparar o caminho para as eleições de 2006 buscando um discurso que disfarce os rachas internos. O partido aposta na oposição ao governador Germano Rigotto (PMDB) - que na eleição de 2002 venceu o hoje ministro da Educação, Tarso Genro -, e em especial ao pacote de aumento de impostos aprovado no fim do ano pela Assembléia. Antes bem avaliado no Estado todo, Rigotto viu sua popularidade cair e enfrenta críticas ferrenhas do setor empresarial. A idéia do PT é partir para o ataque e renovar o discurso de ser a alternativa mais viável para o Estado. Na campanha antecipada se concentram alguns dos principais líderes estaduais do partido, como Tarso e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto. Em campos opostos no PT desde a eleição de 94, dizem que Rigotto não é capaz de resolver os problemas do Estado e o PT poderia unir vários setores da sociedade. Internamente, o PT está longe de um acordo. Ainda sem digerir a derrota ao governo em 2002, no ano passado perdeu Porto Alegre, Caxias, que governava há 8 anos, Pelotas e as cidades da região metropolitana Alvorada e Viamão. Parte dos petistas - especialmente Raul Pont, derrotado à prefeitura de Porto Alegre - culpa a política do governo Lula. Outros apontam a dificuldade do PT gaúcho em fazer alianças. A maioria, porém, considera que o maior problema da legenda foram as lutas ferozes que a dividiram e isolaram desde as eleições de 1998. Divisão Naquele ano, os grupos de Tarso e do hoje ministro das Cidades, Olívio Dutra, chegaram ao acusações mútuas de fraude nas prévias que escolheram Olívio candidato ao governo. Em 2002, apesar de o natural ser a reeleição de Olívio, Tarso, então prefeito de Porto Alegre, renunciou ao cargo e uniu boa parte do PT, fazendo das prévias uma disputa acirradíssima. Escolhido, Tarso perdeu para Rigotto. A predominância do grupo mais radical do PT, avesso a alianças, teria motivado essa derrota e as no ano passado. "Foi uma surpresa", admite Fernando Marroni, prefeito derrotado em Pelotas. "Acho que estamos encerrando um ciclo em que o PT ficou com uma marca muito ruim, de radicalidade, dificuldades de convivência com a pluralidade, brigas internas. Foi uma lição importante. A causa da derrota está no próprio PT." Tarso vê a origem da crise no governo de Olívio. "A política do governo Olívio levou o partido a uma ação defensiva, demarcatória, contra quem está de fora", avalia. Isso, diz ele, causou dificuldades de convivência no Estado. |