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| Rhodes e o PT que morreu |
| Clóvis Rossi |
| Folha de São Paulo - 10/2 |
| O melhor epitáfio para o PT-25 (anos) é de William Rhodes, o presidente do Citibank, produzido em Davos, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo Lula seria, segundo Rhodes, "um exemplo para o mundo". Para que ficar gastando tinta e papel com teses, por muito boas que algumas sejam, quando Rhodes matou o assunto em uma frase? Só falta lembrar um, digamos, pequeno detalhe: nos muitos anos em que Carlos Saúl Menem freqüentou Davos, como presidente da Argentina, também era tratado pelos Rhodes e que tais como "um exemplo para o mundo". Deu no que todos sabemos: a falência da Argentina, provocada pelo fato de que o sucessor de Menem, Fernando de la Rúa, seguiu rigorosamente a mesma política do antecessor. Ninguém pode alegar que qualquer semelhança com o Brasil seja mera coincidência. Rhodes à parte, fecho inteiramente com a tese de Fabio Wanderley Reis (Universidade Federal de Minas Gerais), segundo a qual o PT já não depende de suas velhas bases (o movimento social) para ser uma potente máquina eleitoral. É como o PMDB: eleição após eleição, malhado, morto e ressuscitado no noticiário, termina sempre nos primeiros lugares no Parlamento federal, ainda que jamais tenha tido um candidato viável à Presidência da República. O PT, depois de Lula cumprir o seu segundo mandato, se o conseguir, como hoje é provável, também terá dificuldades em encontrar um "presidenciável". Mas a máquina, instalada nos diferentes escaninhos do poder, continuará elegendo muita gente para os diferentes níveis. Mas não terá parentesco nenhum com o PT dos 23 primeiros anos de vida. Esse jovem morreu, talvez prematuramente, talvez por esclerose generalizada. Mas morreu. |