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| Projeto petista desagrada a sindicalistas |
| O Globo - 11/2 |
| Dentro da CUT, braço sindical de sustentação do governo e do PT, há uma nítida divisão. Quatro antigos diretores petistas da CUT já saíram do partido. Entre eles, Jorge Luís Martins, fundador do PT e da central. — O projeto do PT era romper os padrões de submissão e ser um exemplo para a América Latina. Por isso as greves, as mobilizações populares, até vencermos em 2002, já com mil concessões ao neoliberalismo. E hoje isso continua, Lula não dá continuidade a FH, ele o aprofunda— analisa o ex-petista. Para Martins, os movimentos de massa não cabem mais no PT, porque o partido aderiu à ordem. Por isso, começam a montar grupos de reflexão e a reagir. As baixas na própria CUT devem crescer com a reforma sindical e trabalhista proposta pelo governo e endossada pela maioria petista da central sindical. O Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, foi o sinal amarelo da indisposição dos movimentos com o governo, o PT e a CUT: o presidente nacional da central, Luiz Marinho, foi vaiado no FSM, apesar das claques de apoio que levou. Para Marinho, divisões são naturais: — Nas democracias, há sempre os mais radicais, que depois acabam contribuindo para a direita. Mas é impossível pensar os movimentos sociais sem o PT— diz . Secretário lembra que PT ampliou alianças O movimento social precisa pressionar, o governo tem que governar e o PT deve ser o canal de diálogo entre os dois. Esta é a posição do secretário nacional de Mobilização do PT, Francisco Campos. Para ele, se o movimento social ficar atrelado ao governo, o resultado será a falência do partido. Campos diz que não há ruptura com os ideais do PT, mas “segmentos que optaram pelo confronto”. Para ele, os movimentos que cobram propostas formuladas na origem do PT precisam se lembrar de que Lula foi eleito não só por suas bases, mas porque o PT ampliou alianças. Na trajetória do partido com os movimentos, ocorreram adesões de outros segmentos, como o de empresários. Eles engrossaram o partido a partir de 1994. É desta época o Cives, grupo de empresários pela cidadania, que aderiu principalmente por meio de Oded Grajew. Grajew, um dos criadores do Fórum Social Mundial e ex-assessor de Lula, acha que as pressões do movimento social ajudam o governo e o PT. Na sua opinião, durante muito tempo, PT e movimentos se misturaram. Quando o partido passou a ganhar governos, a distância começou a crescer. — Quando o PT conquistou o governo federal, o movimento relaxou um pouco no seu papel de cobrança. Ficou parado, com dificuldade de fazer crítica, porque a situação era delicada. Mas hoje cada um tem seu papel — afirma Grajew. |