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| Pela refundação de um Partido d@s Trabalhador@s |
| Marcos Arruda |
| PALAVRA CRUZADA - 12/2 |
| Este artigo do Plinio Jr. é um verdadeiro manifesto e tem a força da verdade, no plano da análise do que o PT institucional se tornou ao alcançar pelo voto popular o Governo Federal. Mas tenho questionamentos quanto à interpretação dos fatos e à oportunidade desta ruptura partidária. 1. A maioria absoluta dos militantes do PT continua situada no espaço político da sociedade civil. É, portanto, espaço de luta e de disputa. A clivagem entre PT institucional e PT das bases sociais é uma realidade. O espaço está aí para ser disputado. 2. A história de 25 anos de mobilização popular e de lutas tem um peso que não pode ser descartado nem deve ser desperdiçado. Uma árdua construção, de baixo para cima, que é difícil repetir nas condições históricas atuais. 3. A rutura do grupo de militantes ocorreu durante o Fórum Social Mundial de 2005, mas não resultou de uma consulta mais ampla com pessoas que têm combatido os desvios e as traições da direção institucional do PT. A meu ver, faria sentido sair do partido se fosse uma saída em massa, acompanhados de milhares de militantes dos movimentos sociais, como os do MST ou os das organizações que compõem a CMP, e para iniciar com esta base social uma nova forma de organização dedicada a superar o patriarcalismo e o verticalismo autoritário que marcam o PT institucional e a maior parte das organizações políticas de atualmente. 4. O grupo dissidente não dá qualquer pista sobre quais os caminhos para a reorganização da esquerda brasileira. O risco é ficarem excluídos de um contexto de luta política e popular, a menos que ingressem num dos partidos de esquerda ou trabalhem por criar mais um partido. 5. Por outro lado, a fragmentação das esquerdas fortalece a direita e as centro-direitas. 6. Não seria a reconstrução partidária e social de baixo para cima o principal desafio da reorganização do Partido e das esquerdas? Não seria este o meio mais eficaz de combater a atual direção partidária e governamental, distanciada das bases e do povo brasileiro, e o caminho para construir uma alternativa transformadora a ela? Isto implica a verdadeira refundação de um Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores! 7. Talvez falte aos dissidentes uma reflexão crítica sobre o que a metamorfose do PT institucional desvela a respeito do próprio sentido histórico dos partidos tradicionais. Pois o PT institucional, ao institucionalizar-se pela pior via - a que se funda na falsa premissa de que "o fim justifica os meios" - entrou no barco dos partidos tradicionais, instrumentos populistas de viabilizar por meio do Estado os interesses das elites. 8. O que o PT histórico trouxe de inovador foi justamente um modo diferente de ser partido, algo como um movimento organizado das massas que ganham consciência de povo e decidem disputar os espaços da política institucional com um objetivo claramente transformador. Um partido aberto, plural, não doutrinário, não dogmático, que valoriza a diversidade e utiliza o diálogo como meio para a construção de unanimidades na diversidade. Foi assim que o PT conquistou o imaginário popular não só no Brasil, mas também noutros países da América Latina e do mundo. Tornou-se uma bandeira de esperança de que um outro modo de fazer política e de governar é possível. 9. O matrimônio das funções de governo e de direção partidária nas mesmas pessoas tem sido fatal. Atrela o partido ao governo e destrói a autonomia e a força do partido para ser a consciência crítica da sociedade frente ao governo. Os dirigentes não entenderam que deviam ter renunciado a funções de direção partidária quando vieram ocupar posições de governo, a fim de garantirem que o PT como partido de massas tivesse suficiente distanciamento para cumprir cotidianamente o papel de defensor do projeto estratégico emancipador. 10. A presença vigilante e ativa da camada mais organizada e consciente da sociedade - o organismo inteiro do PT capaz de pensar e agir com relativa autonomia em relação a um governo de coalizão - é indispensável para o Brasil vir a superar a hipocrisia chamada "democracia representativa" e aprofundar o processo de empoderamento social para a democracia direta. 11. No desfile da Escola de Samba São Clemente, carreguei nas costas um quadro que representa um idoso cujo rosto se rasga para dar lugar à imagem de uma criança. Que as bodas de prata do PT sejam para nós, que continuamos nele, ocasião de unirmos nossas forças com as da maioria oprimida do povo para inaugurarmos uma era de Renascimento do PT e do seu compromisso de luta pelo projeto emancipador. |