PT – 25 anos, o teu futuro é duvidoso
PALAVRA CRUZADA - 16/2

Dentre as várias definições disponíveis nos dicionários para a palavra “jubileu”, uma delas chama a atenção, principalmente quando pensamos no Jubileu de Prata do PT: “Entre os antigos hebreus, remissão de servidão, dívidas e culpas de 50 em 50 anos.” Noves fora algum petista desavisado que ainda segue acreditando na capacidade de Lula, em guiar o povo brasileiro na travessia rumo à Terra Prometida [mas ainda não desapropriada], e fazendo a necessária adaptação do intervalo de tempo, a definição cai como uma luva para o ambiente que cerca a celebração dos 25 anos de criação do Partido dos Trabalhadores.

Existe algo a comemorar? È claro que sim. O PT foi a mais importante experiência da esquerda brasileira, na construção de um instrumento de luta e mobilização dos trabalhadores e excluídos. Mesmo que hoje ele seja um espectro daquilo que um dia já foi, a sua construção deve ser profundamente analisada, por todas e todos que lutam pela criação de uma sociedade socialista no nosso País.

Contudo, a partir das declarações de seu presidente, o partido [e quem o domina hoje] está longe de fazer a expiação das culpas e dos pecados cometidos – principalmente nos últimos 15 anos – e saldar sua dívida com a classe que deveria representar. Ao invés disso, a festa já começou, mesmo que os convidados por vezes não saibam bem o que estão comemorando.

Desafinando o coro dos contentes, dezenas de militantes socialistas, que ajudaram a construir o PT, anunciaram no 5º Fórum Social Mundial que estão fora desta festa. Entre eles, os 46 militantes da Democracia Socialista que rumaram para o P-SOL, os que se organizaram em torno do documento “Momento de Ruptura” e se desligaram do partido, ou ainda os que anunciaram a criação de uma fração pública petista, e mesmo os que – com teores diferentes de crítica – continuam no partido.

O fato é que, pelos movimentos de ruptura das últimas semanas, e pelo que foi publicado na grande imprensa a este respeito, depois, nos dias em torno do 10 de fevereiro, sobre o quadro do PT, este aniversário do partido, que outrora foi a grande referência da esquerda brasileira, foi marcado pelo reconhecimento amplo de que ele vive uma grande crise e teve principalmente o papel de instaurar de vez a discussão sobre o tema: o PT ainda pode ser considerado um partido socialista, no qual a esquerda possa permanecer?

A crise do Partido dos Trabalhadores é a própria crise da esquerda socialista brasileira. Conseguir refletir sobre ela, de forma científica – mesmo que estejamos, todas e todos, mergulhados no enorme caldeirão de paixões que envolve esta discussão –, é vital para que possamos encontrar o caminho das pedras, para fora deste atoleiro em que hoje estamos hoje. Não vivemos uma época de certezas, absolutas ou relativas, provavelmente construídas de forma apressada. A consolidação destas “verdades”, só alimenta o sectarismo entre nós.

O movimento de afastamento de setores da esquerda socialista, do centro de gravidade do PT, tem sido chamado de “diáspora petista”. Mais uma vez o dicionário serve para matar a charada. Diáspora: “Dispersão de povos por motivos políticos ou religiosos, em virtude de perseguição de grupos dominadores intolerantes”. De dispersão a esquerda mundial entende muito. “Dominadores intolerantes” é o que não falta no PT atualmente; Heloísa Helena, Luciana Genro e Babá que o digam! O que não podemos é construir barreiras por conta de um governo que nem é nosso. Seja qual for o grau de emputecimento [os nossos 15 leitores que nos desculpem] acumulado, ou a tática partidária escolhida, o momento é de discussão ampla, geral, irrestrita e... coletiva.

O PALAVRA CRUZADA, independente das posições pessoais da sua Editoria, tomou esta tarefa para si. Nesta atualização, motivados pelo 25º aniversário do Partido dos Trabalhadores, estamos apresentando análises, artigos e matérias publicadas na grande imprensa sobre o PT. Nos concentramos em duas perguntas, cujas respostas fazem parte da solução desta encalacrada em que todos estamos metidos: “A esquerda socialista deve sair do PT?” e “PT e movimentos sociais: reconciliação ou divórcio anunciado?”. E como estamos, todas e todos, no mesmo barco, estamos incentivando fortemente a que os leitores do PALAVRA também se manifestem. O endereço eletrônico é [email protected] . Na próxima atualização, vamos abrir espaço para publicar a colaboração de todos que escreverem, sem cortes nem censura, porque, afinal, não somos do Campo Majoritário.

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