Jovelina Pérola Negra
Jovelina Farias Belfort

Jovelina Farias Belfort, conhecida como Jovelina Pérola Negra, nasceu, em 1944, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Foi criada em Belford Roxo, onde teve uma vida dura trabalhando como empregada doméstica até os quarenta anos. Jovelina já nasceu com o samba nas veias. Gostava de sair na ala das baianas da escola de samba Império Serrano, e sempre frequentava rodas de samba e pagode, onde conheceu muitos sambista, entre eles, Beth Carvalho. Torcia para o Fluminense e costumava frequentar os estádios de futebol.
Foi revelada tardiamente. Quem a descobriu foi o radialista Adelzon Alves que fez com que logo aparescesse ao lado de Jamelão, Bezerra da Silva, Zeca Pagodinho e Aniceto. Estreou em disco em 1985, na coletânea "Raça Brasileira" ao lado daquele menino de 23 anos, Zeca Pagodinho, e de três nomes novos( além da Jovelina) no mundo do samba: Mauro Diniz, Pedrinho da Beija- Flor e Elaine Machado. Cada um cantou quatro músicas e o disco foi um estouro de vendas e de execuções, com mais de cem mil cópias vendidas rapidamente.
Em 1986, Jovelina lançou seu primeiro albúm solo chamado "Pérola Negra" e também foi um grande sucesso de vendas: mais de duzentas mil cópias. Assim o pagode tomou conta do país. No mesmo ano, o rei Roberto Carlos fez um especial, que foi exibido no dia 24 de dezembro, com vários nomes da música e entre eles estava a grande Pérola Negra do samba.

Depois do grande sucesso, Jovelina continuou a lançar seus discos. Gravou, entre 1986 e 89, cinco discos. E não parou mais. Chegou a ganhar um disco de platina. Seus títulos mais conhecidos são "Luz do Repente" (1987),"Amigos chegados"( 1990) e "Sangue Bom"( 1992). Entre seus maiores sucessos estão músicas como "Luz do repente", "Garota Zona Sul", "Feirinha da Pavuna", "Sarau", "Menina você Bebeu", "Bagaço da Laranja", "Banho de Felicidade" e "Feira de São Cristóvão". Seu último disco foi lançado em 1996 e se chama "Samba Guerreiro".

Infelizmente, não demorou muito para ela partir. Jovelina sofria do coração e tentava controlar a doença com remédios. Na madrugada do dia 2 de novembro, aos 54 anos, quando ainda dormia, em sua casa, em Jacarepaguá, teve um infarto do miocárdio. Jovelina morreu deixando três filhos. Na verdade a Pérola Negra continua viva no coração de todos que se apaixonaram por ela, antes e depois de sua morte. Sua voz roca está eternizada em seus discos e na memória da grande nação pagodeira. Novas gerações de pagodeiros e sambistas vão surgir e só vão ser pagodeiros de verdade se tiver escutado pelo menos uma das músicas da grande "sambista das antigas".

Beth Carvalho: "Tinha vezes que eu já estava indo embora das rodas de samba, mas quando via que a Jovelina estava chegando, dava meia volta e ficava, pois adorava vê-la cantar. Ela versava muito bem. Era grande pagodeira e partideira e tinha uma característica especial: era muito engraçada, ela era mestre em brincar."

Marcelo D2: "Tem muito pagode que faz a minha cabeça, mas não desses novos. Gosto da galera que tá aí há muito tempo. Curto Zeca Pagodinho, Martinho, Bezerra, Jovelina Pérola Negra, e também sambas antigos como o do Jamelão."



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