O Cardeal
aposentado espanhol Ricardo Maria Carles está na base de uma nova
polémica em Espanha em torno do casamento homossexual,
cuja lei foi recentemente aprovada e que deverá entrar em vigor no Verão.
Defendendo a objecção de consciência a essas uniões, disse anteontem à noite,
numa entrevista à TV3, que seguir a nova lei em vez da consciência
"conduzirá a Auschwitz". As associações de defesa dos direitos dos
homossexuais vieram ontem a terreiro manifestar-se escandalizadas. A Fundação
Triângulo, que considerou a comparação com o holocausto nazi
"repugnante" pediu mesmo à Igreja para "cessar de semear o ódio contra
as vítimas da discriminação e as vítimas do holocausto, entre as quais havia
muitos homossexuais". Outra associação fala em "ingerência
inadmissível de um Estado estrangeiro na política espanhola", referindo-se
ao Vaticano. Para o Cardeal, "os que fizeram Auschwitz não eram
delinquentes, mas pessoas que foram obrigadas, ou pensavam que deviam obedecer
às leis do governo nazi, e não à sua consciência". Um discurso que se
enquadra no do próprio Vaticano, que, através do Cardeal Alfonso Lopez
Trujillo, do Conselho Pontifical para a Família, apelara os funcionários
espanhóis a recorrer à objecção de consciência perante a lei. E são já alguns
os autarcas e vereadores conservadores a afirmar que não casariam homossexuais.
Vários outros autarcas de grandes cidades garantiram, contudo, o respeito pela
lei, enquanto o ministro da Justiça explicou que a objecção de consciência não
pode ser invocada perante uma lei aprovada em sede parlamentar.

Mons. Ricardo Maria Carles

Mons. Alfonso Lopez Trujillo
(http://portugalgay.pt/news/index.asp?uid=280405B)
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)