SÃO FRANCISCO DA CRUZ
(Francisco Rodrigues da Cruz)

O Reverendo Padre São Francisco Rodrigues da
Cruz, nasceu em Alcochete, aos 29 de Julho de 1858.
Recebeu a Sagrada Ordenação Presbiteral em 03 de Junho de 1882. Entrou para a
Companhia de Jesus (Jesuítas) em 03 de Dezembro de 1940. Veio a falecer
santamente em Lisboa, a 01 de Outubro de 1948. Santo foi o nome que lhe puseram
já aos 35 anos de idade e a fama de santidade foi sempre em crescimento, até ao
seu falecimento. Bispos, Sacerdotes, pessoas de todas as categorias sociais
tinham-no por santo e como tal o veneravam. Toda a sua vida foi um serviço de
amor a Deus, servindo os homens. Num tempo crítico para a Igreja de Portugal,
num tempo de perturbação da ordem e da negação de tantos valores, teve lugar a
acção apostólica do Padre Cruz. A sua figura inconfundível foi para o povo
português católico, naquele tempo, uma âncora salvadora: levemente corcovado,
um sorriso de inocência sempre no seu rosto fatigado, um ar de recolhimento
habitual, perdido em Deus, na intimidade divina que o atraia
a desprender-se dos bens terrenos, para os dar generosamente aos mais
necessitados que encontrava. Mesmo nos tempos mais revoltosos e intolerantes, o
Padre Cruz trajava sempre batina e viatório eclesiástico, e na cabeça, um largo
chapéu, já gasto pelo uso. O seu programa de apostolado traçou-o, em 1925, numa
carta escrita ao Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa, na altura, o Sr. Dom António
Mendes Belo: "Há muitos anos que eu me sinto atraído, talvez por especial
vocação da misericórdia de Deus Nosso Senhor, para ajudar espiritualmente os
presos da cadeia, os doentes dos hospitais, os pobrezinhos e abandonados, a
tantos pecadores e almas desamparadas que Nosso Senhor me envia ou põe no meu
caminho. Tenho também grande consolação em ajudar os Párocos nos exercícios de
piedade e mais encargos do seu ministério, indo por toda a parte levar, na
medida das minhas forças, os socorros da religião a muitas pessoas a quem não é
fácil chegarem por outra via. Ora tudo isto tenho sido, isto queria continuar a
ser, por me parecer que é mais de honra de Deus". O Padre Cruz, enquanto
viveu, impressionou pelo que era: um testemunho que vive o que prega. O Padre
Cruz, como verdadeiro homem de Deus, como verdadeiro sacerdote e como Jesuíta,
não pregava com muitas palavras doutas e discursos eruditos; a simplicidade era
a sua eloquência. Mas, com o seu modo original de ser, com as suas atitudes e o
seu comportamento, revelava aos homens do seu tempo o amor de Deus, e com o seu
exemplo proclamava a todos que valia a pena experimentar este amor, para melhor
servir os homens, seus irmãos. Ninguém dá o que não tem, diz o provérbio. O
Padre Cruz, para poder dar Deus, tinha que ter Deus, para poder dar santidade,
tinha que possuir santidade. Não admira, pois, que a sua passagem fosse uma
bênção fecunda de graça. Não é de estranhar que hoje o Santo Padre Cruz seja
tomado como modelo e incentivo para os que sentem os desafios das novas
pobrezas e injustiças, para lhes darem uma resposta de solidariedade, justiça e
fraternidade. Foi canonizado e elevado ás honras dos Altares em toda a nossa
Jurisdição Canónica, pelo Decreto
Primacial A060/GP, de 06 de Agosto de 2005.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)