O MONTE ATHOS
O Monte Athos é um Centro Monástico Ortodoxo desde 1054, isolado numa península no norte do Mar Egeu e com um estatuto autónomo desde os tempos bizantinos, Monte Athos, a "Montanha Santa”, é também um local artístico reconhecido. Os planos destes mosteiros (aproximadamente vinte, que estão presentemente habitados por cerca de 1.400 monges) exerceram sua influência tão longe como na Rússia, e a sua escola de pintura influenciou a história da arte bizantina.

Os orientais (ortodoxos)
costumam chamá-lo com veneração de "A Santa Montanha do Athos".
Constitui uma autêntica República Monástica, sob a jurisdição eclesiástica do Patriarcado
Ecuménico de Constantinopla, um centro de espiritualidade e um dos vestígios
mais interessantes do monaquismo medieval. Desde o século décimo, vem
sobrevivendo a todas as dificuldades históricas e religiosas. Em 1982 contava
ainda com 2700 monges. No final de 1968, não somavam mais que 1238. Exemplo
único de República Monástica que tantos teólogos e doutores têm dado á Igreja
antiga, e que conserva um valor de testemunho especial para os católicos
ortodoxos. Sua sensível decadência actual deve-se a causas diversas, como o
recrutamento de candidatos de procedência quase exclusivamente popular e rural,
o isolamento intelectual que, erroneamente veio considerar-se como uma virtude
ascética, e a falta de toda ajuda humana por parte dos diversos países, a
exemplo da Grécia, em cujo território está encravado. Pela importância e
singularidade de todas as comunidades monacais reunidas nesta Santa Montanha, é
muito abundante a produção literária e histórica – religiosa – sobre ela. Foi
particularmente abundante, na ocasião da celebração de seu primeiro milénio, em
1963, com a assistência oficial das mais ilustres personalidades do mundo
ortodoxo, começando pelo Patriarca Athenágoras de Constantinopla e o Rei Pavlos
da Grécia.
Está situada num
prolongamento da Península Calcídica, da qual se desprendem três faixas
montanhosas que adentram no mar: Kassandra, Longos e Athos. Unida ao continente
por um pequeno istmo de dois quilómetros de largura, sem a aridez do Egipto e
do Sinai, com um clima e uma natureza incomparáveis, oferecia geograficamente
todas as condições para um isolamento que podia ser aproveitada para uma
vida monástica. Toda a península está ocupada pela República de Mosteiros: uma
organização autónoma, ao menos até a um ano, que representa um território com
cerca de
Deixando de lado o que
pode ser objecto de lenda, que remonta a primeira cristianização deste lugar
aproximadamente no ano 44, mediante uma visita pessoal da mesma Virgem
Santíssima, podemos seguir melhor seu desenvolvimento histórico desde mil
anos passados. Pouco a pouco foram sendo erigidos alguns mosteiros, de modo
que, em 1046, o imperador Constantino Monômaco a baptizava com o nome que se
conserva até hoje: a Santa Montanha.
De facto, já então,
constavam 180 grupos monásticos. Somente ao Monastério de Athanasio pertenciam
uns 700 monges. O número total chegou a ultrapassar, em seus melhores tempos, o
número de 50 mil monges. Poderiam distinguir-se 4 períodos em seu
desenvolvimento histórico: o primeiro, de sua origem até a chagada do monge
Santo Athanasio Athonita, e é caracterizado por uma intensa vida anacorética,
como resultado dos documentos imperiais de Basílio II e Macedónio, e outros
imperadores bizantinos. O segundo, tem início com a
chegada de Athanasio, que em 936 fundava a Laura ou Mosteiro Central que existe
até aos dias de hoje, estendendo-se até o século XVI. Juntamente com os monges
gregos, chegavam ao Monte Athos monges de outras procedências, como da Geórgia,
Bulgária, Sérvia e Rússia. Num terceiro período, que vai do século XVI ao
XVIII, nota-se uma grande decadência naqueles mosteiros, mais preocupados com
seu bem estar social e terreno. Relaxamento na disciplina, discórdias internas,
vida de ócio e de desperdício. Havia desaparecido o antigo fervor. A grande
Laura, tão frequentada antes, ficou reduzida a uma dezena de monges e nada
mais. Somente no final do século XVIII o Patriarca de Constantinopla determinou
introduzir uma reforma geral que eliminara todos os abusos, e voltava ao seu
antigo esplendor, aquela vida monástica que havia instituído o Grande
Athanasio. Houve inclusive uma tentativa de aproximação de Roma. A Congregação
para a Propaganda da Fé - Propaganda Fide – projectou
uma escola própria na Santa Montanha, enquanto alguns monges Athonitas chegava
a Constantinopla para frequentar ali as aulas nos colégios dos jesuítas.
Os anos passados sob o
domínio turco, trouxeram outras inconveniências aos
monges. Na insurreição grega de 1821 muitos deles intervieram abertamente na
política, influenciados por um grupo de jovens exaltados, e se somaram à
insurreição comum. As tropas turcas ocuparam os mosteiros e impuseram pesados
tributos. Com isso, tiveram de ceder ou transferir preciosos tesouros de arte
ou de ciência; Somente uma intervenção das grandes potências conseguiu do
Governo turco voltar ao seu antigo regime de independência. Em 1912, tempo das
guerras balcânicas, havia um total de 10 mil monges aproximadamente. Esta
guerra recuperou para a Grécia a Península Calcídica, com suas três grandes
faixas de terra. Para o Monte Athos constituía um acontecimento decisivo,
voltando a unir ao seu passado. A Grécia garantiria mais adiante a sua antiga
constituição religiosa, e os monges voltavam a ser donos absolutos de seu
território. Com isto entrava já no quarto e último período.
Segundo a Carta
Constitucional, o Estado Grego reconhecia o Monte Athos como uma Província
Autónoma e nomeava seu representante como monarca com status e privilégio
diplomático. Na ordem eclesiástica, o Monte Athos constitui uma Exarquia Patriarcal sobre a qual o Patriarca de
Constantinopla exerce toda a jurisdição.
A partir de 21 de
Fevereiro de
Na actualidade o Monte
Athos está constituído por vinte mosteiros pertencentes às diversas Igrejas
Ortodoxas Nacionais, ainda que predomine as de procedência grega. Os mosteiros
estão sob a direcção de um Abade, chamado Higúmenon, quando são de vida comum;
os demais são governados por um Conselho de Anciãos. Existe ainda as chamadas
Skites, estabelecidas dentro de cada mosteiro, fundações menores com maior ou
menor dependência do mosteiro. E logo, as grutas dos eremitas onde habitam três
monges
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)