TRÊS MODELOS DE IGREJA
Trezentas e trinta e três Igrejas participam
actualmente do Conselho Mundial das Igrejas, instituição ecuménica, inclusive a
Igreja Católica Romana. Entre estas comunidades podem-se discernir três modelos
de constituição: o primacial, o sinodal e o congregacional. Conhecê-los e
compreendê-los, perceber os valores guardados em cada um deles, pode ajudar à
causa ecuménica e o crescente entendimento entre os cristãos.
O líder, o Primaz, tem a autoridade suprema. Este modelo só se
encontra, a rigor, na Igreja Católica Apostólica Romana e
Em Igrejas como a Ortodoxa e a Anglicana, existe o
conceito de "primaz", o Bispo que rege a "sé" primacial. No
primeiro caso, por exemplo, o Bispo
de Constantinopla é Primaz, no segundo, o Bispo de Cantuária. Trata-se de
uma primazia unicamente honorífica, que não implica em nenhuma autoridade
canónica (isto não se aplica na Igreja Católica Ortodoxa Hispânica). Tanto as
outras Igrejas da Ortodoxia, como a de Moscovo ou a da Bulgária, são
"autocéfalas", isto é, regem-se independentemente de Constantinopla.
O mesmo se verifica nas Igrejas episcopalianas da "Comunhão
Anglicana".
O "Sínodo" é a reunião dos Bispos, nas
Igrejas que retêm a instituição episcopal, para deliberar sobre assuntos das
suas comunidades. Existem "sínodos" de vários tipos na Igreja
Católica Romana. São, no entanto, instâncias de autoridade recebida e aprovada
pela autoridade papal. Uma igreja "sinodal" é aquela na qual o sínodo
é, por si só, a suprema autoridade. Este modelo encontra-se particularmente nas
Igrejas da Ortodoxia (Constantinopla, Moscou, etc...). Mas também em igrejas
derivadas da Reforma luterana e calvinista do século XVI e que conservam, de
algum modo, o Sacramento
da Ordem e os três graus: episcopado, presbiterado e diaconado. Nestas
comunidades, os sínodos mantém uma certa coesão e unidade, embora não no nível
existente na Igreja Católica Apostólica Romana.
Há diferenças muito importantes no modelo sinodal,
quando observado mais de perto. Assim, nas Igrejas da ortodoxia, o sínodo é só
constituído de Bispos. Na Igreja da Inglaterra (anglicanismo), igreja de
carácter nacional, cuja Rainha é, pelo menos nominalmente, Chefe da Igreja, o
sínodo inclui leigos, presbíteros (padres) e bispos. Num sínodo católico
romano, reunião de Bispos, a decisão é deles, mas leigos, religiosos, diáconos
e padres podem ter vários modos de participação de consulta e assessoria.
Na comunhão anglicana, cada sínodo decide sem se
referir aos outros. Por exemplo: o sínodo anglicano de Hong Kong decidiu
ordenar mulheres. Depois, alguns outros sínodos foram tomando a mesma decisão,
cada qual autonomamente e a seu tempo.
Na ortodoxia, o conjunto das Igrejas Patriarcais,
comumente chamadas de "orientais", os sínodos são a coluna central.
Eles têm sido capazes de manter a unidade de fé e doutrina, a unidade no campo
dos sacramentos e bastante unidade litúrgica. É verdade que à custa de forte
conservadorismo. A disputa de jurisdição (autoridade jurídica) tem sido um
grande problema. Assim, desde 1054, nunca mais se realizou um sínodo de toda a
ortodoxia.
A maioria das igrejas "protestantes" ou
"pentecostais" são de tipo "congregacional". Põem a ênfase
na comunidade fraterna, na escuta e pregação da Bíblia e conservam o Baptismo
como Sacramento. Todo o aspecto de hierarquia
desaparece. Assim as comunidades fazem-se e desfazem e a importância da
liderança pessoal dos pastores é bastante acentuada. Estas comunidades mostram
grande capacidade de se multiplicarem, mas têm dificuldades de manter uma
doutrina da Fé e uma leitura bíblica com um certo nível de assentimento comum.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)