O GRANDE CISMA
A desavença entre a Cristandade Oriental e Ocidental
Numa tarde de verão do ano de 1054, quando estava
preste a começar um ofício na Igreja de Santa Sophia, em Constantinopla, o
Cardeal Humberto e outros dois enviados do Papa de Roma
entraram na igreja e se encaminharam em direcção ao santuário. Não tinham vindo
orar. Puseram uma Bula de Excomunhão sobre o altar e, com passos decididos,
saíram do santuário. Quando passaram pela porta oeste o Cardeal sacudiu a
poeira de seus pés, enquanto proferia estas palavras: "Que Deus veja e
julgue”. Um Diácono correu atrás dele desesperado e implorou-lhe que levasse
consigo a Bula. O Cardeal recusou-se a fazê-lo e a Bula foi jogada na rua.
Convencionalmente considera-se que este incidente
marcou o início do grande cisma entre o oriente ortodoxo e o ocidente romano. O
cisma, no entanto, como reconhecem os historiadores de hoje, não é de facto um
acontecimento cujo começo possa ser estabelecido numa data exacta.
Foi algo que aconteceu gradualmente, como resultado
de um processo longo e complicado, que começou muito antes do século XI e que
só terminou um pouco depois daquela época. Influências diversas contribuíram
para tal. O cisma condicionou-se a factores culturais, políticos, e económicos.
No entanto sua causa fundamental não foi secular, mas sim teológica. Em última
análise, foi por causa de assuntos doutrinais que o oriente e o ocidente se
desentenderam - dois deles em particular: a primazia
do Papa e o filioque. Antes de considerarmos mais de perto estas duas
diferenças principais, ou verdadeiro curso que o cisma tomou, devemos dizer
algo sobre o pano de fundo em que ele se desenrolou. Bem antes de haver um
cisma claro e formal entre o oriente e o ocidente os dois lados haviam se
tornado estranhos um ao outro. Ao tentarmos compreender porque a unidade da
Cristandade foi rompida, devemos começar por este crescente afastamento.
Quando
Paulo
e os outros apóstolos viajavam pelo mundo mediterrâneo, eles se deslocavam
através de uma forte unidade política e cultural, o Império Romano. Este
império era formado por muitos grupos étnicos diferentes, que frequentemente
tinham línguas e dialectos próprios. Todos eles, no entanto, eram governados
pelo mesmo imperador. Havia uma extensa civilização grego-romana que era
compartilhada pelas pessoas cultas em todas as regiões do império. Entendia-se
ou o grego ou o latim em quase todo o império e muitos sabiam falar ambas as
línguas. Tais fatos contribuíram muito para a Igreja primitiva em seu trabalho
missionário.
Porém, nos séculos seguintes, a unidade do mundo
mediterrâneo desapareceu gradualmente. A unidade política foi a primeira a
desaparecer. A partir do final do século III o império, ainda que teoricamente
uno, estava geralmente dividido em duas partes, o ocidente e o oriente.
Constantino levou mais longe este processo de separação ao fundar uma segunda
capital no oriente, ao lado da velha Roma na Itália. Depois vieram as invasões
dos bárbaros no começo do século V. Com excepção da Itália, que em sua maior
parte continuou a fazer parte do império por mais algum tempo, o ocidente foi
dividido entre os chefes bárbaros. Os bizantinos jamais se esqueceram dos
ideais de Roma sob os governos de Augusto e Trajano e ainda consideravam seu
império universal, o que se dava apenas teoricamente. Justiniano foi, porém, o
último imperador que se esforçou seriamente em acabar com a distância entre a
teoria e os factos. Suas conquistas no ocidente foram logo abandonadas. A
unidade política entre o oriente grego e o ocidente romano foi destruída pelas
invasões dos bárbaros e jamais foi plenamente restabelecida.
A separação foi levada a um estágio mais sério pela
ascensão do Islão. O mediterrâneo, que outrora havia sido chamado de Mare Nostrum pelos romanos,
passava agora, em grande parte, ao controle dos árabes. Os contactos culturais
e económicos entre o oeste e o leste do mediterrâneo nunca cessaram
completamente, mas se tornaram bem mais difíceis.
Desligado de Bizâncio, o ocidente tratou de
estabelecer o seu próprio Império "Romano." No dia de natal do ano de
800, o Papa coroou Carlos Magno, rei dos francos, imperador. Carlos Magno
procurou, em vão, o reconhecimento do imperador de Bizâncio. Os bizantinos, que
ainda acreditavam no princípio da unidade do império, viam Carlos Magno como um
intruso e sua coroação feita pelo Papa, como um acto cismático dentro do
império. A criação de um Império romano cristão no ocidente, ao invés de unir a
Europa, serviu tão somente para separar ainda mais o oriente e o ocidente.
A unidade cultural ainda persistiu, mas de uma
maneira bem mais atenuada. Tanto no oriente quanto no ocidente os homens cultos
ainda viviam dentro da tradição clássica que a Igreja havia assumido e
adoptado. Com o passar do tempo, porém, começaram a interpretar esta tradição
de maneira cada vez mais divergente. A situação se tornou ainda mais difícil
por questões relacionadas a língua. Havia chegado ao fim a época em que as
pessoas cultas eram bilingues. No ano de 450 havia poucos na Europa que
soubessem ler grego e depois de 600, embora Bizâncio ainda se intitulasse
Império Romano, era raro um bizantino que falasse latim, a língua dos romanos.
Photius, o maior erudito de Constantinopla no século IX não sabia ler latim e,
em 864 um imperador "romano" de Bizâncio, Miguel III, chegou a chamar
a língua na qual Virgílio escreveu, de "uma língua bárbara”. Se os gregos
queriam ler obras em latim ou os romanos em grego, eles só tinham acesso a
traduções e geralmente não se preocupavam em ler nem mesmo estas. Psellus, um
eminente erudito grego do século XI tinha uma noção tão precária da literatura
latina que confundia César com Cícero. Isto porque não se inspiravam mais na
mesma fonte nem liam os mesmos livros. O oriente grego e o ocidente romano se
distanciavam cada vez mais.
Foi um precedente funesto, porém significativo, que
a renascença cultural da corte de Carlos Magno tinha sido marcada desde o
início por um forte preconceito contra a cultura grega. A hostilidade e a
provocação da parte do império romano do ocidente em relação a Constantinopla
se estendia para além do campo político atingindo o campo cultural. Os homens
cultos da corte de Carlos Magno não tencionavam imitar Bizâncio, mas procuravam
criar uma nova civilização cristã que fosse sua própria. Na Europa do século IV
havia existido uma única civilização cristã. No século XIII havia duas. Talvez
tenha sido no reinado de Carlos Magno que o cisma entre estas duas civilizações
tenha primeiro se tornado claro.
De sua parte, os bizantinos ficaram fechados no seu
próprio mundo e pouco fizeram para se aproximar do ocidente. Ao contrário do
que acontecia no século IX e em séculos posteriores eles não levavam o
conhecimento ocidental a sério como ele merecia. Eles simplesmente rejeitavam
todos os "francos" como bárbaros.
Estes factores culturais e políticos com certeza
afectavam a vida da Igreja e tornavam mais difícil manter a unidade religiosa.
O afastamento cultural e político pode facilmente levar a contendas de carácter
eclesiástico, como podemos constatar no caso de Carlos Magno. Não tendo sido
reconhecido na esfera política pelo imperador bizantino, logo retaliou com uma
acusação de heresia contra a Igreja bizantina. Denunciou os gregos por não
usarem o filioque no Credo (falaremos mais sobre isto em seguida) e recusou-se
a aceitar as decisões do 7º Concílio Ecuménico; é verdade que Carlos Magno só
soube destas decisões através de uma tradução mal feita que distorcia
seriamente seu sentido verdadeiro. De qualquer modo, ele parece ter sido um
semi-iconoclasta quanto às suas posturas.
A situação política distinta no leste e no oeste fez
com que a Igreja assumisse formas externas diferentes, de modo que gradualmente
passou-se a pensar na hierarquia da Igreja de maneira conflituosa. Desde o
começo tinha havido uma ênfase quanto a isto no oriente e no ocidente. No
oriente havia muitas igrejas cuja base remontava aos apóstolos; havia um forte
sentido de igualdade entre todos os bispos quanto a natureza conciliar e
colegial da Igreja.
O Oriente reconhecia o Papa primeiro entre iguais.
No ocidente, por outro lado, havia só uma grande sé que reivindicava para si a
sucessão apostólica - Roma - donde passou a ser vista
como a Sé Apostólica. O ocidente, mesmo aceitando as decisões dos Concílios
Ecuménicos, não tinha um papel muito activo nos mesmos. A Igreja era vista
mais como uma monarquia - a do Papa - do que como um
colégio.
Esta diferença inicial de pontos de vista se tornou
mais séria devido a acontecimentos políticos que se seguiram. Como era de se
esperar, as invasões dos bárbaros e a consequente queda do império no ocidente
serviram para tornar mais forte a estrutura autocrática da Igreja ocidental. No
oriente havia um chefe secular muito poderoso - o
imperador - para manter a ordem e fazer cumprir a lei. No ocidente, depois do
advento dos bárbaros, havia um grande número de chefes guerreiros, todos eles,
de um certo modo, usurpadores. Na maioria das vezes era o Papado sozinho que
podia desempenhar o papel de centro de união, como um elemento de continuidade
e estabilidade na vida política e espiritual da Europa ocidental. Por força das
circunstâncias, o Papa assumiu um papel que os Patriarcas Gregos não foram
chamados a fazer. Tornou-se um autocrata, um monarca absolutista, que se
colocou acima da Igreja, expedindo ordens de um modo que poucos ou nenhum bispo
do oriente jamais havia feito, não só quanto aos subordinados da Igreja, mas
também quanto as autoridades seculares. A Igreja no ocidente tornou-se
centralizada a um ponto que era desconhecido em qualquer um dos patriarcados do
oriente (com excepção possivelmente no Egipto). Monarquia no ocidente; no
oriente um colégio.
Não foi este também o único efeito que as invasões
dos bárbaros tiveram na vida da Igreja. Em Bizâncio havia muitos leigos cultos
que tinham um grande interesse
As relações entre os cristãos do leste e do oeste se
tornaram ainda mais difíceis pela ausência de uma língua comum. Como os dois
lados já não conseguiam se comunicar entre si com facilidade, ou ler o que o
outro escrevera, apareceram frequentes mal-entendidos em termos de teologia.
Estes mal-entendidos pioravam ainda mais por causa das traduções mal feitas as
quais se teme terem sido feitas deliberada e maliciosamente.
O leste e o oeste se tornavam estranhos um ao outro,
o que era algo que provavelmente afectaria ambos os lados. Na Igreja primitiva
tinha havido unidade na Fé, mas uma diversidade de escolas de teologia. Desde o
início tanto o leste quanto o oeste haviam enfocado o mistério cristão cada um
a sua maneira. O enfoque do ocidente era mais prático; o do leste mais
especulativo.
O pensamento romano foi influenciado por conceitos
jurídicos, pelos conceitos da lei romana, enquanto que os gregos viam a
teologia, no contexto da adoração à luz da Liturgia Sagrada. Quando pensavam na
Santíssima Trindade os romanos faziam-no pela unidade de Deus Pai, os gregos
pela tri-unidade das Pessoas; quando reflectiam sobre a crucificação, os
romanos pensavam primordialmente no Cristo - vítima,
os gregos, no Cristo - vencedor. Os romanos falavam mais da redenção; os gregos
da deificação e assim por diante. Como aconteceu com as escolas de Antioquia e
Alexandria no leste estes dois enfoques distintos não eram contraditórios em
si; cada um serviu, como complemento do outro, e tinham seu próprio lugar na
plenitude da tradição católica. Porém, agora que os dois lados estavam se
tornando estranhos um ao outro - sem unidade política
e com pouca unidade cultural, sem uma língua comum - havia o perigo de que cada
lado seguisse seus pontos de vista isolados e que chegasse a extremos,
esquecendo-se do valor que há em pontos de vista opostos.
Falamos dos diferentes enfoques dados à doutrina no
Leste e no Oeste. Havia dois pontos doutrinais em relação aos quais os dois
lados não se completavam mais, mas entravam em conflito directo - a primazia e a infalibilidade do Papa e o filioque. Dois
factores mencionados em parágrafos anteriores eram suficientes por si próprios
para causar uma séria tensão quanto à unidade da cristandade. Apesar de tudo, a
unidade da Igreja poderia ainda ter sido preservada se não tivesse havido duas
outras questões difíceis. Devemos nos voltar para elas agora. Só na metade do
século IX é que o desentendimento em toda sua extensão veio à tona, mas as
divergências entre os dois lados podem ser datadas bem mais cedo.
Já tivemos oportunidade de mencionar o Papado quando
falamos das situações políticas distintas, no Oriente e no Ocidente; vimos como
a estrutura centralizada e monárquica da Igreja do ocidente foi reforçada pelas
invasões dos bárbaros. Porém, contanto que o Papa reivindicasse poder absoluto
só no ocidente, Bizâncio não fazia qualquer objecção. Os bizantinos não se incomodavam
que a Igreja do Ocidente fosse centralizada, contanto que o Papado não
interferisse no leste. O Papa, no entanto, achava que sua jurisdição se
estendia do Ocidente ao Oriente. E logo que tentasse impor o seu poder dentro
dos Patriarcados do Oriente, problemas haveriam de surgir. Os ortodoxos deram
ao Papa uma primazia de honra, mas não a primazia universal que ele achava que
lhe era devida. O Papa considerava a infalibilidade uma prerrogativa sua; os
ortodoxos diziam que em questões relacionadas á Fé a decisão final cabia não ao
Papa sozinho mas a um Concilio representando todos os bispos da Igreja. Aqui
temos duas concepções diferentes da organização externa da Igreja.
A atitude ortodoxa quanto ao Papado é expressada
admiravelmente por um escritor, do século XII, Nicetas, Arcebispo de Nicomédia:
"Amado irmão, nós não negamos à Igreja de Roma a primazia entre os cinco
patriarcados irmãos; e reconhecemos seu direito ao mais honorável lugar num
Concílio Ecuménico. Mas ela se separou de nós por seus próprios actos, quando,
por orgulho, assumiu uma monarquia que não faz parte de seu ofício... Como
haveremos de aceitar decretos seus que foram publicados sem sermos consultados
ou mesmo sem termos conhecimento deles? Se o Pontífice Romano, sentado no trono
altivo de sua glória, deseja nos atacar e, por assim dizer, das alturas
"despejar" mandatos sobre nós, se deseja nos julgar ou nos governar e
às nossas Igrejas, não se aconselhando connosco, mas por seu prazer arbitrário,
que tipo de irmandade ou mesmo que tipo de parentesco pode haver? Seríamos os
escravos e não os filhos de tal Igreja, e a Sé de Roma, não a mãe piedosa de
seus filhos, mas uma rígida e imperiosa senhora de escravos."
Era assim que se sentia um ortodoxo no século XII
quando toda a questão veio à tona. Em séculos anteriores a atitude dos
orientais em relação ao Papado foi basicamente a mesma, embora tivesse sido
ainda aguçada por controvérsias. Até o ano de 350 Roma e o Oriente evitaram um
conflito aberto quanto a primazia e a infalibilidade do Papa. Mas a divergência
do ponto de vista não era menos séria por estar parcialmente escondida.
A segunda grande dificuldade era o filioque. A
disputa envolvia os termos sobre o Espírito Santo no Credo de
Nicéia-Constantinopla.
Originalmente o credo dizia "Eu creio no
Espírito Senhor e fonte de vida, que procede do Pai, e com o Pai e o Filho
recebe a mesma adoração e a mesma gloria." Esta, que é a forma original, é
recitada sem modificações no Oriente até hoje. Mas o Ocidente acrescentou uma frase
extra "e do Filho" (em latim "filioque") tanto que seu
credo agora diz "que procede do Pai e do filho" Não é certo quando e
onde este acréscimo foi feito primeiro, mas parece que se originou na Espanha,
como uma defesa contra o arianismo. De qualquer modo a igreja espanhola inseriu
o filioque no credo no terceiro Concílio de Toledo (589), se não antes. Da
Espanha o filioque espalhou-se para a França, e dai para a Alemanha, onde foi
bem recebido por Carlos Magno e adoptado pelo concílio semi-iconoclasta de
Frankfurt (794). Teriam sido escritores na corte de Carlos Magno que primeiro
fizeram com que o filioque passasse a ser um assunto controverso, acusando os
bizantinos de heréticos por recitarem o credo em sua forma original. Mas Roma,
com seu conservadorismo típico, continuou a usar o credo sem o filioque até o
começo do século XI. Em 808 o Papa Leão III escreve numa carta para Carlos
Magno, que embora ele mesmo achasse que o filioque procedia em termos
doutrinais, ele considerava errado interferir nos termos do credo.
Deliberadamente mandou inscrever o credo em placas de prata -
sem o filioque - e as colocou na igreja de São Pedro.
Até segunda ordem, Roma agiria como mediadora entre a Alemanha e Bizâncio.
Só depois de 850 é que os bizantinos passaram a
prestar atenção ao filioque. Quando o fizeram, a sua reacção foi muito crítica.
A ortodoxia não concordou (e ainda não concorda) com este acréscimo no credo,
por dois motivos. Primeiro, os Concílios Ecuménicos proibiram a introdução de
quaisquer mudanças no credo; e no caso de qualquer acréscimo só um outro
Concílio Ecuménico e ninguém mais tinha competência para fazê-lo. O Credo é
propriedade de toda a Igreja, e uma parte dela não tem o direito de interferir
nele. O Ocidente, ao alterar arbitrariamente o credo, sem consultar o oriente é
culpado contra a unidade da Igreja. Em segundo lugar, os ortodoxos acham o
filioque teologicamente errado. Dizem que o Espírito procede somente do Pai e
consideram uma heresia dizer que Ele também procede do Filho. Pode parecer a
muitos que esta questão é tão obscura que chega a ser sem importância. Mas os
ortodoxos diriam que uma vez que a doutrina sobre a Trindade é o cerne da Fé
cristã, uma pequena mudança de ênfase na teologia trinitária tem consequências
enormes em muitos outros campos. O filioque não só destrói o equilíbrio
entre as três pessoas da Trindade, mas também leva a uma falsa compreensão da
acção do Espírito no mundo, estimulando a existência de uma doutrina falsa
sobre a Igreja. (Daqui uma visão regular da ortodoxia sobre o filioque;
deve-se notar, no entanto, que certos teólogos ortodoxos consideram o filioque
apenas um acréscimo não autorizado ao Credo, não necessariamente herético por
si só).
Além destas duas questões principais, as
reivindicações do Papa e o filioque havia outros assuntos menos importantes
quanto ao culto e à disciplina na Igreja que causaram problema entre o Oeste e
o Leste - os ortodoxos admitiam que o casamento
para membros do clero, os romanos insistiam no celibato clerical; os dois lados
tinham normas diferentes quanto ao jejum; os ortodoxos usavam pão fermentado na
Eucaristia, os romanos pão não fermentado ou "ázimo".
Ora por volta de 850 o leste e o oeste ainda se
encontravam em total comunhão um com o outro e ainda formavam uma só Igreja. A
divisão cultural e política haviam se juntado para causar um afastamento
crescente, mas não havia um cisma claro. Os dois lados tinham uma concepção
diferente da autoridade do Papa e confessavam o Credo de forma diferente, mas
estas questões não haviam ainda sido trazidas à tona claramente. Em 1190
Teodoro Balsamon, Patriarca de Antioquia e grande autoridade em direito
canónico, tinha uma visão diferente dessas questões: Há muitos anos (não diz
quanto exactamente) a Igreja do Ocidente não comunga com os outros quatro
patriarcados e tornou-se uma estranha para os ortodoxos. Portanto, nenhum
católico romano deve receber a comunhão a não ser que primeiro declare que
renega a doutrina e os costumes que o separam de nós e que se sujeitará aos
cánones da Igreja, unido à Ortodoxia.
Aos olhos de Balsamon, a comunhão entre as igrejas havia sido afectada; havia um cisma claro entre o oriente e o ocidente. Os dois não formavam mais uma Igreja visível.
Nesta transição entre o período do afastamento entre
o Oriente e o Ocidente até o cisma propriamente dito, quatro incidentes têm
importância especial; a disputa entre Photius e Nicolau I (geralmente conhecida
como o cisma de Photius no ocidente; o oriente preferiria chamá-lo do cisma de
Nicolau); a questão dos dípticos em 1009; a tentativa de reconciliação em 1053
e suas consequências desastrosas; e as Cruzadas.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)
Última actualização deste Link em 14 de Abril de 2009