CATECISMO ORTODOXO
Parte I
Deus em Si mesmo
2. O dogma da Santíssima Trindade
a - Introdução
Deus é uno em Essência e triplo
Porque o dogma da Santíssima Trindade é o mais importante dos dogmas Cristãos, ele é o mais difícil de ser compreendido pela mente humana limitada. Por essa razão é que nenhuma batalha na história da Igreja Antiga foi tão intensa quanto a que existiu sobre esse dogma e as verdades que são imediatamente ligadas a ele.
O dogma da Santíssima Trindade inclui em si duas
verdades fundamentais:
1 - Deus é uno em Essência, mas triplo
2 - As hipóstases têm atributos pessoais ou
hipostático: Deus não é gerado, o Filho é gerado pelo Pai; o Espírito Santo
procede do Pai.
Nós
adoramos a Santíssima Trindade com uma única e inseparável adoração. Na Igreja,
Santos Padres e Ofícios Divinos, a Trindade é frequentemente chamada de Unidade
na Trindade, Unidade Tri-Hipostática. Em sua maioria, as orações dirigidas a
uma pessoa da Trindade terminam com a glorificação ou doxologia de todas as
Três Pessoas (por exemplo numa oração para o Senhor Jesus Cristo: "Pois
glorificado és Tu, junto com Teu Pai não originado, e o Espírito Santo, agora e
sempre. Amén").
A Igreja, dirigindo uma oração à Santíssima
Trindade, invoca-a no singular e não no plural. Por exemplo "por Ti"
(e não Vós) louvam todos os poderes celestes, e para Ti (não Vós) nós damos
glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos
séculos. Amén".
Reconhecendo a natureza mística desse dogma, a Igreja
de Cristo vê nele uma grande revelação que exalta a Fé Cristã
incomparavelmente acima de qualquer confissão de simples monoteísmo, tal como
podem ser encontradas em religiões não Cristãs. O dogma das Três Pessoas indica
a completude da mística vida interior em Deus, pois Deus é amor e o amor de
Deus não pode ser meramente estendido para o mundo criado por Ele; na
Santíssima Trindade esse amor é dirigido também para o interior da vida divina.
O dogma das Três Pessoas indica-nos ainda mais claramente a proximidade de Deus
com o mundo: Deus acima de nós, Deus connosco, Deus em nós e em toda criação.
Acima de nós está Deus o Pai, a eternamente e
fluente Fonte, como é expressado na oração da Igreja, a Fundação de todos os
seres, o Pai misericordioso que nos ama e cuida de nós, Sua criação pois nós
somos Seus filhos por graça.
Connosco está Deus o Filho, gerado pelo Pai, que
pelo Seu divino amor se manifestou aos homens como Homem para que pudéssemos
saber e ver com os nossos próprios olhos que Deus está connosco muito
intimamente, partilhando a carne e o sangue connosco (Heb. 2, 14) do modo mais
perfeito.
Em nós e em toda criação -
por Seu poder e graça - está o Espírito Santo, que enche tudo, é o Dador da
vida, Consolador, tesouro e Fonte de coisas boas. Tendo uma existência eterna e
pré-eterna, as Três Pessoas Divinas foram manifestadas ao mundo com a chegada e
Encarnação do Filho de Deus, "sendo um Poder, uma Essência, uma
Divindade" (Estiqueria de Pentencostes, Glória
ao Pai dos Salmos no Lucernário)
Porque Deus em sua verdadeira Essência é totalmente
consciência e pensamento, cada uma das três manifestações eternas de si mesmo
pelo Deus uno tem auto-consciência, e por isso cada um é uma Pessoa. Além
disso, essas Pessoas não o são simplesmente, estão contidas na própria unidade
da Essência de Deus. Assim, quando na Doutrina Cristã nós falamos da
Tri-Unidade de Deus, nós falamos da mística vinda interior escondida nas
profundezas da Divindade, que revelam ao mundo em tempo, no Novo Testamento
pela descida do Filho de Deus, do Pai, ao mundo e pela actividade, do
miraculoso, vivificante, e poder salvador do Consolador, o Espírito Santo.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)