CATECISMO ORTODOXO

 

  

A.   A.   As Fontes da Doutrina Cristã

 

 

d - Sagrada Escritura

Por "Sagrada Escritura" entende-se os livros escritos pelos Santos Profetas e Apóstolos sob a acção do Espírito Santo; assim eles são chamados de "divinamente inspirados". Eles são divididos em livros do Velho Testamento e livros do Novo Testamento.

A Igreja Católica Ortodoxa reconhece 38 livros do Velho Testamento segundo o exemplo da Igreja do Velho Testamento (Apesar da Igreja no estrito senso ter sido estabelecida somente com a vinda de Cristo (ver Mt. 16, 18), existiu num certo sentido uma "Igreja" também no Velho Testamento, composta por todos aqueles que olhavam com esperança para a vinda do Messias. Depois da morte de Cristo na Cruz, quando ele desceu ao inferno e "...pregou aos espíritos em prisão" (1 Ped. 3, 19), Ele levou para cima os justos do Velho Testamento com Ele para o Paraíso, e nesse dia a Igreja Ortodoxa celebra os dias de festa dos Santos Pais do Velho Testamento, dos Patriarcas e dos Profetas, igualmente celebra os dias de festa dos Santos no Novo Testamento), muitos nesses livros são reunidos para formar um só, fazendo o número cair para vinte e dois livros, de acordo com o número de letras do alfabeto hebreu. (Os 22 livros "canónicos" do Velho Testamento são:

1 - Génesis,

2 - Êxodo,

3 - Levítico,

4 - Números,

5 - Deuteronómio,

6 - Josué,

7 - Juizes e Ruth, considerado como um só,

8 - Primeiro e Segundo dos Reis (chamados de primeiro e segundo Samuel na versão de King James),

9 - Terceiro e Quarto dos Reis (Primeiro e Segundo Reis na versão de King James)

10 - Primeiro e Segundo Paralipômenos (Primeira e segunda Crônicas na versão de King James),

11 - Primeiro Esdras e Neemias,

12 - Ester,

13 - ,

14 - Salmos,

15 - Provérbios,

16 - Eclesiastes,

17 - Cantares de Salomão,

18 - Isaias,

19 - Jeremias,

20 - Ezequiel,

21 - Daniel,

22 - Os Doze Profetas (Oséias, Joel, Amos, Abdias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias).

Esta é a lista dada por São João Damasceno na «Exact Exposition of the Christian faith», p 375). Esses livros, que entraram em algum tempo no cánon hebreu, são chamados de "canónicos" (A palavra "canónico" aqui tem um significado específico com referência aos livros das Escrituras e assim deve ser distinguido do uso mais usual da palavra na Igreja Ortodoxa, onde ela não se refere ao "cánon" da Escritura, mas sim aos "cánones" ou leis proclamadas nos Sagrados Concílios da Igreja. Nesse sentido, "canónico" significa somente "incluído no canón hebreu" e "não canónico" significa somente "não incluído no cánon hebreu" (mas ainda aceite pela Igreja como Escritura).

No mundo Protestante os livros "não canónicos" do Velho Testamento são normalmente chamados de "Apócrifos", frequentemente com uma conotação pejorativa, ainda que eles tenham sido incluídos nas primeiras impressões da versão de King James, e uma lei de 1615 na Inglaterra, chegou mesmo a proibiu que as Sagradas Escrituras fossem impressas sem esses livros. Na Igreja Católica Apostólica Romana desde o século XVI os livros não-canónicos tem sido chamados de "Deuterocanónicos" — isto é — pertencendo a um "segundo" ou tardio cánon da Escritura. Na maioria das traduções da Bíblia que incluem os livros "não-canónicos", eles são colocados juntos dos livros canónicos; mas em impressões antigas em países ortodoxos não há distinção entre livros canónicos e não canónicos, veja-se por exemplo a Bíblia Eslavônica impressa em São Petesburgo em 1904, e aprovada pelo Santo Sínodo). A eles são juntados um grupo de livros "não-canónicos" — isto é, aqueles que não foram incluídos no cánon hebreu porque eles foram escritos após o fecho do cánon dos Livros Sagrados do Velho Testamento. (Os livros "não-canónicos" do Velho Testamento aceites pela Igreja Católica Ortodoxa são aqueles do "septuaginto" — a tradução grega do Velho Testamento feita pelos "setenta" eruditos que, de acordo com a tradição foram enviados de Jerusalém para o Egipto atendendo a um pedido do Rei egípcio Ptolomeu II no terceiro século a.C. para traduzir o Velho Testamento grego, dos originais hebreus da maioria dos livros, e a maioria dos livros foram compostos somente nos últimos séculos antes de Cristo. Os livros "não-canónicos" do Velho Testamento: Tobias, Judith, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico ou a Sabedoria de Josué o filho de Sirach, Baruch, três livros dos Macabeus, a Epístola de Jeremias, Salmo 151, e as adições aos Livros de Ester, de duas Crónicas (a Oração de Manasses), e de Daniel (a Canção dos Três Meninos, Susana e Bel e o Dragão) A Igreja aceita esses livros mais tardios como úteis e instrutivos, mas antigamente indicava-os para leitura instrutiva não só nos lares mas também nas Igrejas, por isso é que eles foram chamados de "Eclesiásticos". A Igreja inclui esses livros num só volume junto com os livros canónicos. Como uma fonte de ensinamento na fé, a Igreja coloca-os em posição secundária e olha-os como um apêndice aos livros canónicos. Alguns deles estão tão perto em mérito dos livros devidamente inspirados que, por exemplo no 85º cánon apostólico (os Canónes Apostólicos, dos Santos Apóstolos são uma colecção de 85 Canónes Eclesiásticos ou leis vindas dos Apóstolos e seus sucessores e aos quais foi dada a provação oficial pela Igreja no Concílio, em Trullo em 692, e no primeiro cánon do Sétimo Concílio (787). Alguns desses cánones foram citados e aprovados em Concílios Ecuménicos a começar pelo Primeiro Concílio em 325, mas a colecção completa de todos os cánones juntos provavelmente não foi completada antes do 4º século. O nome apostólico não significa necessariamente que todos os cánones ou a colecção deles foram feitas pelos próprios Apóstolos, mas somente que eles estão de acordo com a tradição legada pelos Apóstolos (assim como nem todos os "Salmos de David" foram na verdade escrito pelo profeta David). Para o texto dos 85 cánones, consultar «Eerdemans Seven Ecumenical Councils», p. 594-600. O Cánon Apostólico nº 85 da lista os livros canónicos do Velho e Novo Testamento). Os três livros de Macabeus e o livro de Josué, o filho de Sirach, são listados juntos com os livros canónicos, e, a respeito de todos eles juntos, é dito que são "veneráveis e santos". No entanto, isso só significa que eles eram respeitados na Igreja Antiga; mas uma distinção entre os livros canónicos e os não-canónicos do Antigo Testamento foi sempre mantida na Igreja.

A Igreja reconhece 27 livros canónicos do Novo Testamento. (Esses livros são:

Evangelho Mateus,

Evangelho Marcos,

Evangelho Lucas

Evangelho João;

Actos dos Apóstolos;

As Sete Epístolas Católicas: de Tiago, duas de Pedro, três de João e uma de Judas;

Catorze Epístolas do Apóstolo Paulo (Romanos, Primeira e Segunda aos Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossensses, Primeira e Segunda Tessalônica, Primeira e Segunda Timóteo, Tito, Filemon, Hebreus);

Apocalipse (Revelação) de São João, Teólogo e Evangelista).

Como os livros sagrados do Novo Testamento foram escritos em vários anos da era apostólica e foram enviados pelos Apóstolos para vários pontos da Europa e Ásia, e alguns deles não tiveram uma designação refinada para nenhum lugar específico, o agrupamento deles numa única colecção ou código não poderia ser um assunto fácil; foi necessário manter uma vigilância estrita entre os livros de origem apostólica pois poderia haver entre eles alguns dos assim chamados livros "apócrifos", que em sua maior parte foram compostos em ciclos heréticos. Por isso, os professores e Padres da Igreja, durante os primeiros séculos do Cristianismo mantiveram uma precaução especial em distinguir esses livros ainda que eles portassem o nome dos Apóstolos. Os Padres da Igreja frequentemente introduziram certos livros em suas listas com reservas, com incertezas e dúvidas, ou ainda por essa razão deram uma lista incompleta dos Livros Sagrados. Isso foi inevitável e serve como memorial para essa precaução excepcional nesse assunto santo. Eles não confiaram em si próprios mas esperaram pela voz universal da Igreja. O Concílio de Cartago que foi local, em 318, em seu cánon 33, enumera todos os livros do Novo Testamento sem excepção.

Santo Atanásio, o Grande nomeia todos os livros do Novo Testamento sem a mínima dúvida ou distinção, e em uma das suas obras ele concluiu a sua lista com as seguintes palavras: "Prestem atenção ao número dos livros canónicos do Novo Testamento. Eles são, como foram, o começo, as âncoras e os pilares da nossa fé, porque eles foram escritos pelos próprios Apóstolos de Cristo, o Salvador, que estiveram com Ele e por Ele foram instruídos (da Synopsis de Santo Atanásio). Da mesma forma São Cirilo de Jerusalém também enumera os livros do Novo Testamento sem o mais leve reparo ou qualquer tipo de distinção entre eles na Igreja. A mesma lista completa encontrada entre os escritores eclesiásticos ocidentais, por exemplo Santo Agostinho. Assim, o cánone completo dos livros do Novo Testamento da Sagrada Escritura foi confirmado pela voz católica de toda a Igreja. Essa Sagrada Escritura, na expressão de São João Damasceno, é o "Paraíso Divino" (Exact Exposition of the Ortodox Faith, Livro 4, Cap 17, Eng. Tr. p. 374).

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 07 de Abril de 2009

 

 

 

 

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