CATECISMO ORTODOXO
a - A
preocupação da Igreja com a pureza do ensinamento Cristão.
Desde os primeiros dias de sua existência, a Santa
Igreja de Cristo tem se preocupado sem cessar que seus filhos, seus membros, permaneçam
firmes na pureza da fé.
"Não tenho maior gozo do que este: o de ouvir
que os meus filhos andam na verdade" escreve o Apóstolo João, o Teólogo (3 Jo. 4). "...escrevi abreviadamente, exortando e
testificando que esta é a verdadeira graça de Deus, na qual estais firmes"
(1 Ped. 5, 12) diz o Apóstolo
Pedro concluindo a sua epístola católica. ("Católica" significa
"universal," é o nome aplicado para as Epístolas do Novo Testamento
(as de Tiago, Pedro, Judas e João) que foram endereçadas, não para indivíduos
ou Igrejas locais (como são todas as Epístolas de São Paulo),
mas para toda a Igreja ou para fieis em geral).
O Paulo relata a respeito de si próprio que, tendo
pregado por catorze anos, ele foi para Jerusalém, por revelação, com Barnabé
e Tito, e lá ofereceu — especialmente para os cidadãos mais renomados — o
evangelho que ele pregava, "para ele que de maneira alguma não corresse ou
não tivesse corrido em vão". "Conduz-nos pelos Teus caminhos, a fim
de que caminhemos
O verdadeiro caminho da fé que foi sempre
cuidadosamente preservado na história da Igreja, é de há muito tempo chamado de
directo, recto, em grego, «orthos» — isso é, "ortodoxia". No Saltério
— do qual como nós sabemos da história nos divinos Ofícios Cristãos, a Igreja
foi inseparável desde o primeiro momento de sua existência — nós achamos frases
como as seguintes — "e tenho andado na Tua verdade" (Sal. 26,
3); "Saia a minha sentença diante do Teu rosto" (Sal. 17, 2); "aos
rectos convém o louvor" (Sal. 33, 1); e existem outras. O Apóstolo
Paulo instrui Timóteo a apresentar-se perante Deus "como obreiro que não
tem do que se envergonhar, dividindo justamente a palavra da verdade (isto é,
cortando justamente com um cinzel, do grego orthotomounta;
2 Tim. 2, 15). Na literatura Cristã dos primeiros tempos há uma constante
menção em se manter a "regra da fé", a "regra da verdade".
O próprio termo "ortodoxia" foi largamente usado mesmo na época
anterior aos Concílios
Ecuménicos, a seguir na terminologia dos próprios Concílios Ecuménicos, e
nos Padres
da Igreja tanto no Oriente quanto do Ocidente.
Lado a lado com o caminho directo, ou recto da fé
sempre existiram aqueles que pensaram diferente («heterodoxountes»,
ou "heterodoxos" na expressão de Santo Inácio, o Teóforo),
uma palavra usada para maiores ou menores erros entre os Cristãos, é às vezes
mesmo para sistemas completamente incorrectos que tentaram explorar no meio dos
Cristãos
Ortodoxos. Como resultado da procura pela verdade, ocorreu divisões
entre os Cristãos.
Tornando-nos familiarizados com a história da
Igreja, e da mesma forma observando o mundo contemporâneo, vemos que os erros
que guerrearam contra a Verdade Ortodoxa apareceram e aparecem a) sob a
influência de outras religiões, b) sob a influência da filosofia, e c) através
das fraquezas e inclinações da natureza humana decaída, que procura os direitos
e justificativas dessas fraquezas e inclinações.
Os erros criam raízes e tornam-se obstinados mais
frequentemente por conta do orgulho daqueles que os defendem, por causa do
orgulho intelectual.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)