CATECISMO ORTODOXO
Parte I
Deus em Si próprio
1. Nosso conhecimento de Deus
g - Os atributos
de Deus
Falando dos atributos de Deus, os Santos
Padres indicam que a sua multiplicidade considerando a simplicidade da
essência, é o resultado de nossa própria inabilidade de encontrar um místico e
único modo de ver a divindade. Em Deus, um atributo é um aspecto de outro. Deus
é justo; isso implica que Ele é também bendito, é bom e é Espírito. A múltipla
simplicidade em Deus é como a luz do sol, que se revela em várias cores que são
recebidas pelos corpos na terra, por exemplo as plantas.
Na enumeração dos atributos de Deus nos Santos
Padres e nos textos dos Divinos Ofícios, há uma preponderância de expressões
que estão gramaticalmente na forma negativa. No entanto deve observar-se que,
esta forma negativa indica uma "negação de limites". Assim, a forma
negativa é na verdade uma afirmação de atributos que são sem limite. Por exemplo:
não criado, indica a inexistência do limite na
criação. Encontramos um modelo de tais expressões na «Exact
Exposition of the Ortodox Faith»
por São
João Damasceno: "Deus é não originado, interminável, eterno,
constante, não criado, imutável, inalterável, simples, não complicado,
incorpóreo, invisível, intangível, indescritível, ilimitado, inacessível à
mente, incontestável, incompreensível, bom, justo, o Criador de todas as
criaturas, o Poderoso Pantocrator, o que olha todos de cima, cuja Providência
está sobre todas as coisas, que tem domínio sobre tudo, o juiz".
Os nossos pensamentos acerca de Deus em geral falam:
1 - acerca da Sua distinção
do mundo criado (por exemplo, Deus não tem origem, enquanto que o mundo tem uma
origem; Ele é sem fim, enquanto o mundo tem um fim; Ele é eterno, enquanto o
mundo existe no tempo;
2 - acerca das actividades
de Deus no mundo e a relação do Criador para com as suas criações (Criador,
Providência, Misericordioso, Juiz Justo).
Indicando os atributos de Deus, nem por isso damos
uma "definição do conceito de Deus", tal definição é essencialmente
impossível, porque toda definição é uma indicação de "finitude"
(Em russo, o Padre Michael está indicando aqui a derivação da palavra
«opredeleniye» ("definição") de «predel» ("limite")). No
entanto, em Deus não há limites, e portanto não pode haver uma definição do
conceito da divindade: "Pois um conceito é em si uma forma de
limitação" (São
Gregório, o Teólogo, homilia 28, de sua Segunda Oração Teológica).
A nossa razão demanda o reconhecimento em Deus de
uma série completa de atributos essenciais. A razão diz-nos que Deus tem uma
existência racional, livre e pessoal. Se no mundo imperfeito nós vemos seres
racionais, livres e pessoais, não podemos deixar de reconhecer uma existência
livre, racional e pessoal no próprio Deus, que é a Fonte, Causa e Criador de
toda a vida.
A razão diz-nos que Deus é o Ser mais perfeito. Toda
falta e imperfeição são incompatíveis com o conceito de "Deus".
A razão diz-nos que Deus é um Ser auto-suficiente,
porque nada pode ser a causa ou condição da existência de Deus.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)