CATECISMO ORTODOXO
Parte I
Deus em Si próprio
1. Nosso conhecimento de Deus
n - Justíssimo
A
Justiça é entendida na Palavra de Deus e no seu uso geral como tendo dois
significados:
a -
santidade;
b -
justiça.
A Santidade consiste não só na ausência da malignidade ou pecado: santidade é a presença de valores espirituais mais elevados, juntos com a pureza em relação ao pecado. Santidade é como a luz, e a Santidade de Deus é como a mais pura das luzes. Deus é "um só santo" por natureza. Ele é a fonte da santidade para os anjos e os homens. Os homens podem atingir a santidade somente em Deus "não por natureza, mas por participação, por luta e oração" (São Cirilo de Jerusalém). A Sagrada Escritura testifica que os anjos que rodeiam o trono de Deus sem cessar declaram a Santidade de Deus clamando um para os outros: "Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos: toda a terra está cheia de sua glória" (Is. 6, 3). Como é mostrado na Sagrada Escritura, a luz da santidade enche tudo que vem de Deus ou serve a Deus: "Seu Santo Nome" (Sal. 33, 21; 103, 1; 105, 3); "Sua santa palavra" (Sal. 104, 42); "A lei é santa" (Rom 7, 12); "...trono da sua santidade" (Sal. 47:8); "escabelo de seus pés, porque ele é santo" (Sal. 99, 5); "Justo é o Senhor em todos os Seus caminhos, e santo em todas as Suas obras" (Sal. 145, 17); "...o Senhor nosso Deus é santo" (Sal. 99, 9).
A Justiça de Deus é outro aspecto a ser considerado:
"Ele julgará os povos com rectidão" (Sal. 9, 8); "...recompensará
cada um segundo as suas obras; porque para Deus, não há acepção de
pessoas" (Rom. 2, 6; 11).
Como podemos harmonizar o amor divino com a justiça
de Deus, que julga estritamente por pecados e pune os culpados? Sobre esta
questão muitos Padres
falaram. Eles assemelham a raiva de Deus à raiva de um pai que, com o objectivo
de trazer um filho desobediente a seu senso, recorre aos meios paternos de
punição ao mesmo tempo em que se aflige, simultaneamente ficando triste com a
atitude sem sentido de seu filho e simpatizando com ele pela dor que lhe está
infligindo. Eis ai porque a justiça de Deus é sempre misericordiosa, e a sua
misericórdia é justiça, de acordo com as palavras: "A misericórdia e a
verdade encontraram-se: a justiça e a paz beijaram-se" (Sal. 85, 10).
A santidade e a justiça de Deus estão intimamente
ligadas, uma a outra. Deus chama cada um para a vida
eterna Nele, no Seu reino e isso significa na Sua santidade. No entanto, no
Reino de Deus nada do que é impuro pode entrar. O Senhor limpa-nos por seus
castigos, assim como por seus actos providenciais, que previnem e corrigem pelo
seu amor para com a sua criação; pois nós devemos passar pelo julgamento da
justiça, um julgamento que para nós é terrível: como poderemos entrar no reino
da santidade e luz, e como nos sentiremos lá, estando impuros, escuros e não
tendo em nós nenhuma semente de santidade, não tendo em nós nenhum tipo de
valor espiritual ou moral?
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)