CATECISMO ORTODOXO
Parte I
Deus em Si próprio
1. Nosso conhecimento de Deus
q - Imutável
No "Pai das luzes, não há mudança. Nem
sombra de variação" (Tg. 1, 17). Deus é perfeição, e toda a mudança é
um sinal de imperfeição e portanto é impensável no mais perfeito ser, em Deus
concernente a Deus pode dizer-se que nenhum processo está acontecendo Nele, que
seja de crescimento, mudança de aparência, evolução, processo ou qualquer coisa
parecida.
No entanto, a imutabilidade em Deus não é algum tipo de imobilidade; não é um ser fechado dentro de Si mesmo, mesmo enquanto sendo imutável, Seu ser é vida, preenchido com poder e actividade. Deus em Si mesmo é vida, e vida é o Seu ser.
A
imutabilidade de Deus, não é violada pela geração do Filho e pela processão do
Espírito, pois para Deus o Pai, pertence à paternidade, e para o seu Filho, à
filiação, e para o Espírito Santo, à processão que é "eterna,
interminável e incessante" (São
João Damasceno). As palavras, cheias de mistério, "A geração do
Filho" e a "processão do Espírito", não expressam nenhum tipo de
mudança na vida divina ou nenhum tipo de processo; para as nossas mentes
limitadas, "geração" e "processão" são simplesmente
colocadas em oposição à ideia de "criação" e falam da única Essência
das pessoas ou de Deus. A criação é alguma coisa externa em relação Àquele que
cria enquanto que a "filiação" de Deus é uma unidade interna, a
unidade da natureza do Pai e do Filho; tal é também a "processão" da
Essência de Deus, a processão do Espírito do Pai que a causa.
A Encarnação e o tornar-se homem, a respeito do
Verbo, do Filho de Deus, não viola a imutabilidade de Deus. Só as criaturas em
suas limitações perdem o que elas têm, ou adquirem o que elas não têm; mas a
divindade do Filho de Deus permanece depois da Encarnação sendo a mesma que era
antes da Encarnação. Ela recebeu
A imutabilidade de Deus não é contraditada, da mesma
forma, pela criação do mundo. O mundo é uma existência, que e externa em
relação à natureza de Deus. Por isso Ele não muda nem a essência nem os atributos
de Deus, pois a origem do mundo é só uma manifestação do poder e pensamento
de Deus. O poder e pensamento de Deus são eternos e são eternamente activos,
mas a nossa mente de criatura não consegue entender o conceito dessa actividade
na eternidade de Deus. O mundo não é co-eterno com Deus; ele é criado. No
entanto, a criação do mundo é a realização do pensamento eterno de Deus (Santo
Agostinho). O mundo é como Deus em sua essência e assim ele tem que ser
mutável e não é sem um começo; mas esses atributos do mundo não contradizem o
facto de que o seu Criador é imutável e sem começo (São João Damasceno).
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)