CATECISMO ORTODOXO
Parte I
Deus
1. Nosso conhecimento de Deus
s - A unidade de
Deus
"Por conseguinte, nós acreditamos
A verdade da unidade de Deus é agora tão evidente
para a consciência humana que ela não necessita de provas da Palavra de Deus ou
simplesmente da razão. Foi um pouco diferente no inicio da Igreja Cristã,
quando essa ideia teve que ser colocada contra a ideia do dualismo - o reconhecimento de dois deuses, o do bem e o do mal - e
contra o politeísmo dos pagãos, que era popular naquele tempo.
Creio
em um só Deus. Essas são as primeiras palavras do Símbolo da Fé (Credo).
Deus possui toda a completude de ser prefeito. A
ideia de completude, perfeição, infinito, omnipotência de Deus não nos permite
pensar Nele como sendo outro que o Um, isto é, singular e tendo uma essência em
Si mesmo. Essa exigência da nossa consciência é expressada por um dos antigos
escritores nas palavras: "Se Deus não é um, então não existe Deus"
(Tertuliano). Em outras palavras, uma divindade limitada por outro ser perde a
sua divina dignidade.
A Sagrada
Escritura do Novo Testamento toda, é cheia de
ensinamentos sobre o Deus único. "Pai-nosso que está no céu", oramos na palavra da Oração do Senhor (Mt.
6, 9). "Não há outro Deus, senão um só" é como o Apóstolo
Paulo expressa essa verdade fundamental da fé (1 Cor. 8, 4).
A Sagrada Escritura do Velho Testamento é
inteiramente penetrada com o monoteísmo. A historia do
Velho Testamento é a história da batalha pela fé num verdadeiro Deus contra o
politeísmo pagão. O desejo de alguns historiadores da religião de encontrar
traços de um suposto "politeísmo original" no povo hebreu em certas
expressões, por exemplo, o número plural do nome de Deus -
"Elohim" - ou achar uma fé num "Deus
nacional" em frases como "O Deus dos deuses", "o Deus de
Abraão, Isaac e Jacob" - não corresponde ao significado autêntico dessas
expressões.
1 - Elohim. Para um judeu
simples essa é uma forma de reverência e respeito (um exemplo disso pode ser
visto na língua russa e outras línguas europeias onde a segunda pessoa no
plural, "vós" em oposição a "tu", é usada para demonstrar
respeito). Para o escritor divinamente inspirado, o Profeta
Moisés, o número plural da palavra contém sem dúvida, em acréscimo, o
profundo significado mínimo de uma antevisão das Três Pessoas de Deus. Ninguém
pode duvidar que Moisés fosse um puro monoteísta, conhecendo o espírito na
linguagem hebraica. Ele não usaria um nome que estivesse em contradição com a sua
fé no Deus único.
2 - O Deus dos Deuses é uma expressão que coloca fé
no verdadeiro Deus contra a adoração
de ídolos; aqueles que adoravam os ídolos chamavam-nos de "deus"
mas para os judeus, esses eram falsos deuses. Essa expressão é usada livremente
no Novo Testamento pelo Apóstolo Paulo; depois de dizer "Não há outro
Deus, senão um só", ele acrescenta: "Porque ainda que haja também
alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e
muitos senhores). Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para
quem nós vivemos; e que há um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as
coisas, e nós por Ele" (1 Cor. 8, 4-6).
3 - O Deus de Abraão, Isaac e Jacob é uma expressão
que se refere só ao povo judeu escolhido como o "herdeiro das
promessas" feitas a Abraão, Isaac e Jacob".
A verdade Cristã da unidade de Deus é aprofundada
pela verdade da unidade «trihipóstatica».
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)