DO SERMÃO SOBRE O NATAL DE CRISTO
(P.G. 46, 1128 ss.)
O nascimento virginal do Senhor
Ouve a exclamação de Isaías: "um menino
nasceu para nós, um filho nos foi dado!". Aprende do mesmo profeta
como isso aconteceu. Foi acaso segundo a lei da natureza? De modo algum,
responde o profeta. Pois não está sujeito às leis da natureza aquele que é o
Senhor da natureza. De que maneira então nasceu esse filho? "Eis - diz o profeta - uma virgem conceberá e dará à luz um
filho, o qual receberá o nome de Emanuel", que significa "Deus
connosco". Ó acontecimento admirável! Uma virgem se torna mãe
permanecendo virgem! Considera a nova ordem da natureza. Qualquer outra mulher, se permanece virgem, não pode tornar-se mãe; tornando-se
mãe, já não conserva a virgindade. Neste caso porém as duas qualidades se
mantêm. A mesma pessoa é mãe
e virgem. A virgindade não a impediu de gerar, o parto não lhe tirou a
virgindade. Era conveniente que, vindo para fazer os homens íntegros e
incorruptos, o Salvador fizesse seu ingresso na vida humana a partir da
integridade total, consagrada a ele sem reserva...
E isto parece-me que o grande Moisés tenha conhecido
antecipadamente, através da luz na qual se lhe manifestou o Senhor Deus e
quando a sarça ardia incandescente mas não se consumia. "Irei e verei
este grande espectáculo", disse ele, referindo-se, penso eu, não a uma
aproximação local mas a uma aproximação no tempo. O que então estava
prefigurado no fogo e no arbusto tornou-se, no momento oportuno, claramente
revelado no mistério da Virgem. Da mesma forma que a sarça-ardente não se consumia,
também a Virgem não se corrompeu gerando a Luz.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)