O SANTO SACRAMENTO DA ORDEM
"Ele que esteve visível como
nosso Redentor
agora passou para os Sacramentos".
(São Leão, o Grande)
Existem três "Ordens Maiores" na Igreja
Católica Ortodoxa, Bispo, Presbítero e Diácono; e duas "Ordens
Menores," Subdiácono e Leitor (existiram no
passado outras Ordens Menores, mas no presente, com excepção dessas duas, todas
caíram largamente em desuso). As Ordenações para as Ordens Maiores sempre
ocorrem durante o decorrer da Sagrada
Liturgia, e deve sempre ser feita individualmente (excepcionalmente mais do
que um). Somente um Bispo validamente ordenado e com válida Sucessão
Apostólica tem poder para ordenar (em caso de necessidade um Arquimandrita
ou Arcipreste, agindo como delegado do Bispo, pode ordenar - instituir - um
Leitor) e a ordenação (sagração) de um Bispo deve ser feita por três ou ao
menos dois Bispos, nunca por um Bispo só (excepcionalmente em caso de extrema
necessidade): desde que o Episcopado é de carácter "colegial," uma
consagração episcopal é conduzida por um "colégio" de Bispos. Uma
ordenação, enquanto feita por um Bispo, também requer o consentimento de todo o
Povo de Deus; assim num ponto particular do ofício a congregação reunida aclama
a ordenação gritando "Axios!" ("Ele é Digno!"). O que
acontece se a Assembleia grita "Anaxios!" ("Ele é
Indigno!"). Isto não está muito claro. Em muitas ocasiões em
Constantinopla ou na Grécia durante o século vinte a congregação de facto
expressou sua desaprovação desse modo, no entanto sem efeito. Mas alguns
afirmam que, de qualquer modo em teoria, se os leigos expressam o seu desacordo,
a ordenação ou consagração não pode ser feita.
Os Presbíteros e Diáconos Católicos Ortodoxos são
divididos em dois grupos distintos, os "Brancos" ou clero casado, e
os "Pretos" ou monásticos. Os ordenados devem decidir antes da
ordenação a que grupo eles querem pertencer, pois é uma regra estrita que
ninguém pode casar depois de sua ordenação para uma Ordem Maior (salvo
excepções na Igreja Católica Ortodoxa Hispânica). Aqueles que querem casar-se
devem portanto fazê-lo antes de serem ordenados Diáconos. Aqueles que não
querem casar-se devem tornar-se Monges antes de sua ordenação; mas na Igreja
Católica Ortodoxa hoje em dia, existe um certo número de clero celibatário que
não fizeram formalmente os votos monásticos. Esses Padres celibatários, no
entanto, não podem a posteriori mudar de ideia e decidir casar-se. Se a mulher
de um Padre morre, ele não pode se casar de novo (salvo excepções).
Como regra o clero paroquial da Igreja
Católica Ortodoxa é casado, e um Monge só é indicado para algum cargo numa
Paróquia por razões excepcionais (de facto nos dias presentes particularmente
na Diáspora, os Monges
são frequentemente feitos encarregados de Paróquias. Muitos
Católicos Ortodoxos, lamentam esse afastamento da prática tradicional. Os
Bispos são escolhidos exclusivamente do clero Monástico (isto tem sido regra
desde pelo menos o século sexto; mas nos tempos primitivos existiram muitos
exemplos de Bispos Casados. Por exemplo, o próprio São Pedro. Existem algumas excepções), apesar de um viúvo poder ser feito Bispo
se ele aceitar os votos Monásticos. Tal é o estado do Monaquismo em muitas
partes da Igreja católica Ortodoxa hoje em dia, aonde não é sempre fácil achar
candidatos adequados para o episcopado, e alguns Católicos Ortodoxos começam a
perguntar-se se a limitação de Bispos provirem do clero Monástico não seria
contra indicada sob as condições modernas. No entanto seguramente a verdadeira
solução não será mudar a Regra presente que Bispos devem ser Monges, mas sim
revigorar a própria vida monástica.
No início da Igreja o Bispo era eleito pelo Povo da
Diocese, clero e leigos juntos. Na Ortodoxia de hoje é usualmente o Sínodo de
cada Igreja Autocéfala que indica os Bispos para os tronos vacantes; mas em
algumas Igrejas, Antioquia por exemplo, e Chipre, um sistema modificado de
eleição ainda existe. O Concílio de Moscovo de 1917-1918 estabeleceu que daí em
diante os Bispos na Igreja Russa deveriam ser eleitos pelo clero e pelos
Leigos; essa regra é seguida pelo grupo de Russos de Paris e pela OCA, mas as
condições tornaram a aplicação dessa regra impossível dentro da União
Soviética.
A ordem dos Diáconos é muito mais proeminente na
Igreja Católica Ortodoxa que nas comunidades ocidentais. No Catolicismo Romano
antes do Concílio Vaticano II o Diácono tinha se tornado simplesmente num
estágio preliminar no caminho do Presbiterado, mas na Ortodoxia ele permaneceu
como um cargo permanente, e muitos Diáconos têm a intenção de nunca subir a
Presbítero. Na Igreja Católica Romana de hoje a parte do Diácono na Missa
Solene é usualmente feita por um Presbítero, mas na Liturgia Católica Ortodoxa
(Rito
Bizantino) ninguém que não seja um Diácono de facto pode executar as
funções Diaconais.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)
A
Hierarquia na Igreja Católica Ortodoxa