O SANTO SACRAMENTO DO MATRIMÓNIO

 

 

"Ele que esteve visível como nosso Redentor
agora passou para os Sacramentos"
.

(São Leão, o Grande)

 

 

O Ministério Trinitário da unidade na diversidade aplica-se não só para a doutrina da Igreja mas também para doutrina do casamento. O homem é feito à imagem da Santíssima Trindade e excepto em casos especiais, não é intenção de Deus que ele viva sozinho mas em família. E como Deus abençoou a primeira família para que Adão e Eva fossem frutíferos e se multiplicassem, assim a Igreja dá hoje a sua bênção para a união do homem e da mulher. O casamento não é só um estado da natureza mas um estado da graça. A vida de casado, não menos que a vida Monástica, é uma vocação especial, requerendo um particular Dom ou Carisma do Espírito Santo; e esse Dom é conferido pelo Sacramento do Santo Matrimónio.

O Ofício de Casamento é dividido em duas partes, celebradas separadamente: preliminarmente o Ofício de Noivado, e o Ofício de Casamento, que se constitui no próprio Santo Sacramento. No Ofício de Noivado constitui principalmente a bênção e troca das alianças; esse é um sinal exterior de que os parceiros juntam-se em casamento por suas próprias vontades livres e consentimento, pois sem livre consentimento dos dois lados não pode existir o Sacramento de Matrimónio Católico Ortodoxo. A segunda parte do Ofício culmina com a Cerimónia do Sacramento do Matrimónio: Nas cabeças do Noivo e da noiva o Presbítero coloca Coroas, feitas entre os Gregos de folhas e flores, mas entre os Russos de prata ou ouro (não é obrigatório). Esse, o sinal externo e visível do Santo Sacramento, significa a graça especial que o casal recebe do Espírito Santo, antes que eles se coloquem para fundar uma nova família, uma Igreja Doméstica. As coroas são coroas de alegria, mas elas também são coroas de martírio, porque todo o casamento verdadeiro envolve um incomensurável auto-sacrifício dos dois lados. No fim do Ofício os dois recém casados bebem da mesma taça de vinho (não obrigatório), que relembra o milagre na festa de casamento de Canaã na Galileia: Essa taça comum é um símbolo do facto que daí para frente eles compartilharão uma vida comum, um com o outro.

A Igreja Católica Ortodoxa permite o divórcio e o novo casamento, baseando a sua autoridade para isso no texto de Mateus 19, 9 aonde Nosso Senhor Jesus Cristo diz: "...qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério...". Como Cristo permitiu uma excepção para a sua regra geral acerca da indissolubilidade do casamento, a Igreja Católica Ortodoxa também quer autorizar uma excepção. Seguramente a Ortodoxia encara o casamento em princípio para toda a vida e indissolúvel, e ela condena a quebra do casamento como um pecado e algo maligno. Mas, embora condenando o pecado, a Igreja ainda deseja ajudar os pecadores e conceder-lhes uma segunda oportunidade. Quando, portanto, um casamento cessa inteiramente de ser uma realidade, a Igreja Católica Ortodoxa não insiste na preservação de uma ficção legal. O divórcio é visto como uma situação excepcional mas necessária concessão ao pecado humano; é um acto de oikonomia ("economia" ou dispensa) e de philanthropia ("gentileza amorosa"). No entanto, apesar de dar assistência a homens e mulheres a levantarem-se de novo depois de um queda, a Igreja Católica Ortodoxa sabe que uma segunda aliança nunca pode ser igual à primeira; por isso no ofício para o segundo casamento várias das alegres cerimónias são omitidas, e substituídas por orações penitenciais.

A Lei Canónica Ortodoxa, que permite o segundo e mesmo o terceiro casamento, proíbe terminantemente o quarto. Na teoria os Cánones só permitem o divórcio em caso de adultério, mas na prática é as vezes concedido também por outras razões graves.

Um ponto deve ser entendido claramente: do ponto de vista da Teologia Católica Ortodoxa um divórcio concedido pelo Estado nas cortes civis não é suficiente. O novo casamento na Igreja só é possível se as autoridades da Igreja tiverem elas próprias concedido o divórcio.

O uso de contraceptivos e outros dispositivos para controle de natalidade são, no conjunto, fortemente desencorajados na Igreja Católica Ortodoxa. Alguns Bispos e Teólogos condenam o emprego de tais métodos. Outros, no entanto, recentemente começaram a adoptar uma posição menos estrita e argumentam que a questão é melhor que seja deixada à discrição de cada casal individual, em consulta com o director espiritual. Esta é igualmente a posição da Igreja Católica Ortodoxa Hispânica.

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Breve comentário sobre o Matrimónio

 

 

Última actualização deste Link em 07 de Abril de 2009

 

 

 

 

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