O SANTO SACRAMENTO DA CONFISSÃO (PENITÊNCIA)
"Ele que esteve visível como
nosso Redentor
agora passou para os Sacramentos".
(São Leão, o Grande)
Uma criança Católica Ortodoxa recebe Sagrada
Comunhão desde a infância. Assim que ela tem idade para saber a diferença entre
o certo e o errado e a compreender o que é o pecado, provavelmente com a idade
de seis ou sete anos, ela deve ser levada para receber outro Santo Sacramento:
Arrependimento e Penitência, ou Confissão (em Grego, Metanoia ou exomologisis).
Através desse Santo Sacramento, pecados cometidos depois do Baptismo
são perdoados e o pecador é reconciliado com a Santa Igreja: Por essa razão
esse Santo Sacramento é frequentemente chamado de "Segundo Baptismo."
Ao mesmo tempo o Santo Sacramento age como cura para a alma, porque o
Presbítero não dá só a absolvição mas também o conselho espiritual. Desde que
todo o pecado é pecado não só contra Deus mas também contra o nosso vizinho,
contra a comunidade, a confissão e a disciplina penitencial na Igreja dos
primeiros tempos, era um assunto público. Mas com o passar dos séculos tanto no
Oriente quanto no Ocidente a confissão no Cristianismo tomou a forma de uma
conferência "privada" entre o Presbítero e o penitente sozinho. O
Presbítero é estritamente proibido de revelar para qualquer terceira pessoa o
que ele ouviu em confissão, sob pena canónica.
Na Ortodoxia a confissão é ouvida, não num
confessionário fechado com uma tela separando confessor e o penitente, mas em
qualquer parte conveniente da Igreja, usualmente no espaço imediatamente
defronte à Iconostase; ás vezes o Presbítero e o penitente ficam por detrás de
um anteparo, ou pode existir uma sala especial na Igreja separada para as
confissões. Enquanto na Igreja Católica Romana o Presbítero senta-se e o
penitente se ajoelha, na Igreja Católica Ortodoxa ambos ficam em pé (ou às
vezes os dois se sentam). O penitente fica de frente para uma mesa especial
onde são colocados, a Cruz
e um ícone
do Salvador ou o Livro dos Evangelhos; o Presbítero fica ligeiramente de lado.
Esse arranjo exterior enfatiza mais claramente que o sistema ocidental, que na
confissão não é o Presbítero mas Deus que é o Juiz, enquanto o Presbítero é só
uma testemunha e Ministro de Deus. Esse ponto é reforçado pelas palavras que o
Presbítero diz imediatamente antes da confissão propriamente dita: "Veja,
meu filho, Cristo está aqui invisivelmente e recebe a tua confissão. Por isso
não fique envergonhado nem temeroso; não esconda nada de mim, mas diga-me sem
hesitação tudo que tiver feito; e assim tu terás perdão de Nosso Senhor Jesus
Cristo. Vê, este santo ícone de Jesus Cristo está diante de nós: E eu sou só
uma testemunha, levando em testemunho para Ele, todas as coisas que tu tiveres
para me dizer. Mas se tu esconderes qualquer coisa de mim, tu terás pecado
maior. Tome cuidado, portanto, do contrário será como se tivesse ido a um
médico e saísse não curado!" (essa exortação é encontrada nos livros
eslavônicos mas não nos Livros Gregos). Depois disso o Presbítero questiona o
penitente sobre seus pecados e dá-lhe conselhos. Quando o penitente tiver
confessado tudo, ele ajoelha ou abaixa a sua cabeça, e o Presbítero, colocando
a sua estola (epitrachilion) sobre a cabeça do penitente e pondo a sua mão
sobre a estola, diz a oração de absolvição. Nos Livros Gregos a fórmula de
absolvição é suplicatória (i.e. na terceira peço, "Que Deus
perdoe..."), nos Livros Eslavónicos é indicativa (i.e. na primeira pessoa,
"Eu, perdoo...").
A fórmula Grega diz: "O que você tenha dito
para minha humilde pessoa, e o que você tenha falhado em dizer, seja
por ignorância ou esquecimento, o que quer que seja, que Deus te
perdoe neste mundo e no próximo... Não tenha mais ansiedade; vá em paz! Em
eslavônico existe esta fórmula: "Que Nosso Senhor e Deus, Jesus
Cristo, pela graça e generosidade de Seu amor pelo homem, Te perdoe, meu
filho (nome), todas as tuas transgressões. E eu, um indigno
padre, pelos poderes que por Ele me foram dados, te perdoo e te
absolvo de todos os teus pecados". Essa fórmula usando a primeira
pessoa, EU, foi originalmente introduzida nos Livros Ortodoxos sob influência
Latina por Pedro Moghila na Ucrânia, e foi adoptada na Igreja Russa no século
dezoito. O Presbítero pode, se ele achar aconselhável, impor uma penitência
(epitimion), mas isso não é uma parte essencial no Santo Sacramento, e é
frequentemente omitida. Muitos Católicos Ortodoxos tem um "Pai
Espiritual" especial, não necessariamente o seu pároco, a quem eles
procuram regularmente para a confissão e aconselhamento espiritual. Não há na
Ortodoxia uma regra estrita que estabeleça com que frequência se deve
confessar; os Russos tendem a confessar-se mais frequentemente que os Gregos.
Aonde a Sagrada Comunhão não frequente prevalece — por exemplo quatro ou cinco
vezes por ano — espera-se que os fiéis se confessem antes de cada Comunhão; mas
em círculos onde a Comunhão frequente foi estabelecida, o Presbítero não
necessariamente espera que seja feita confissão antes de cada Comunhão.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)
A
Confissão dos pecados segundo os Dez Mandamentos Divinos