A ORAÇÃO OFICIAL DA IGREJA ORTODOXA
Os ofícios divinos ortodoxos, ou seja, a adoração
divina da Ortodoxia (rito oriental), são as orações organizadas que se recitam,
consecutivamente, pelos livros de ordem eclesiástica, ou seja, da Igreja
Ortodoxa (Oriental). O principal é o Tipikon ou "Regulamento".
Nestes ofícios, os cristãos ortodoxos apresentam e
oferecem a Deus louvores, agradecimentos e súplicas pedindo, por este meio, os
dons do Espírito Santo e os bens celestes e terrestres.
Divisões dos Ofícios
Divinos
Os ofícios divinos ortodoxos dividem-se em
particulares e públicos. Os particulares são os que se completam por uma ou
mais pessoas na Igreja ou em outro lugar. Os públicos são os que se completam
por pessoas indicadas e geralmente na Igreja. Estes últimos são permanentes
como a Divina
Liturgia que se celebra por todos os cristãos e os ocasionais que se celebram,
quando os fiéis necessitarem e pedirem, como o Batismo e o Matrimónio. Os mais
importantes dos ofícios permanentes dos Santos
Sacramentos são a Divina Liturgia e o Ofício das Horas.
Oração Pública da Igreja
Ofício das Horas - (Ofício
Canónico);
Divina
Liturgia - (Santa Missa);
Restantes Sacramentos.
Local dos Ofícios Divinos
O local onde celebramos os ofícios divinos é chamado
Templo, uma construção dedicada às preces e ofícios divinos. Ele (nos Templos
de Rito Oriental) tem forma rectangular ou de uma cruz com uma ou mais
abóbadas, fixada uma cruz no centro da abóbada central. A entrada fica no
Ocidente e nunca no Oriente obedecendo a dois preceitos:
Que Jesus veio, de acordo com as profecias, do
Oriente;
Que o cristão já se afastou da escuridão da
ignorância e da servidão de Satanás
e chegou a Cristo que é a Luz verdadeira que surge no Oriente. (Alguns templos
têm portas laterais na esquerda e na direita).
O templo é ornamentado com ícones, a cruz, as
lâmpadas e as velas
acesas. O interior é dividido em duas partes -
Oriental e Ocidental. A parte ocidental do templo é destinada ao povo, leitores
e cantores. Ela se separa do santuário por uma divisão que se chama ICONOSTASE,
isto é, a parede dos ícones. É chamada assim, pois está recoberta de ícones. O
ícone da Santa Ceia, ou da cena de Emaús, é posto bem no centro do iconostase
no alto da abertura central. No lado direito dominam os ícones do Salvador e da
Mãe de Deus, respectivamente. Outros ícones de apóstolos, doutores, mártires e
titulares da Igreja, revestem os lados e o alto da Iconostase.
As Portas Santas
No
iconostase existem três portas que dão acesso ao santuário da parte ocidental.
A abertura central da iconostase, mais larga, possui uma porta de duas folhas,
daí recebe o nome de Portas Santas. Elas chegam até meia altura. Por detrás
delas corre uma cortina. Na pequena porta de duas folhas estão representadas as
cenas da Anunciação e os quatro evangelistas, isto porque a porta central,
também chamada de Porta Real (pois, por ela entra o Rei celestial no santo
sacrifício) simboliza a Boa-Nova, o início da obra salvadora de Cristo e o seu
ensinamento, que introduz os fiéis nos mistérios de Deus. Pela Porta Régia
passam somente os celebrantes revestidos de seus paramentos durante os actos
litúrgicos. Os ajudantes e demais ministros utilizam as portas laterais. A
Porta Santa fica aberta durante quase toda Liturgia. É só nestes momentos que o
fiel pode avistar o altar e o celebrante.
PORTA NORTE E PORTA SUL
As duas aberturas laterais da Iconostase, com as
respectivas portas, recebem o nome de Porta Norte e Porta Sul, isto porque,
segundo a Tradição,
a igreja devia ser construída de forma que o santuário ficasse voltado para o
Oriente, de onde nos veio a Salvação, enquanto que o Norte e o Sul lhes
ficariam respectivamente à esquerda e à direita. Por essas portas passam os
ajudantes e demais ministros. Simbolizam as portas do paraíso terrestre,
fechadas após o pecado do primeiro homem e guardadas por um anjo. Os ícones de
arcanjos ou de santos diáconos (escolhidos para o ministério do
"serviço") aparecem pintados nas portas Norte e Sul. Os principais
ícones ficam dispostos entre as portas, obedecendo ao seguinte critério: o
ícone do Salvador fica à direita da porta Régia e o da Mãe de Deus à esquerda.
O
local dos leitores e cantores fica o mais próximo possível da porta Régia, à
esquerda e à direita e chama-se o coro.
Púlpito ou Predicatório: local de onde o sacerdote
realiza a homilia.
Coro: local onde ficam os leitores e cantores;
Proskinetárion ou Analoi: estantes onde é colocado o Santo Evangelho para ser
beijado pelos fiéis ao entrarem na Igreja e ícones do padroeiro da igreja e das
comemorações periódicas;
Nártex ou Vestíbulo: local em que, na Igreja
primitiva, ficavam os penitentes, pecadores e catecúmenos -
(pessoas que estavam se preparando para receber o Baptismo).
Próximo à entrada principal do templo e cercado de assentos laterais. A
Oriental chama-se santuário ou santo dos santos. O santuário é reservado ao
clero - Bispos, padres, diáconos e outros auxiliares
que celebram os ofícios divinos e dirigem as orações diante do altar principal.
Características do Santuário
O santuário é o espaço mais sagrado do templo e onde
ficam o altar e os celebrantes. É o Santo dos santos, lugar inacessível aos
fiéis. O nível do santuário é um pouco mais elevado que a nave, por meio de
alguns degraus. Só os membros do clero podem entrar no santuário.
O Altar ou Santa
Mesa
No interior do Santuário encontramos o Altar ou Santa Mesa
ou ainda Altar- mor (do sacrifício). Situa-se no
centro do santuário, tem forma quadrada ou rectangular e pode ser tanto de
madeira como de pedra. Possui cinco colunas de sustentação que simbolizam os
quatros evangelistas (as colunas laterais) e o Cristo a pedra Angular a coluna
central. Recoberta de uma dupla toalha e o seu simbolismo nos faz lembrar o
mesmo Cristo. O Altar é visível aos olhos dos fiéis durante quase toda a Divina
Liturgia, mas nos momentos em que se fecham as portas santas e a cortina,
ele fica oculto.
Objetos que se devem colocar no Altar:
Santo Evangelho: é o livro dos quatro evangelhos para o uso
litúrgico, em geral de confecção nobre e artística. Fica dia e noite sobre o
antimênsion, no Altar.
Antimênsion: lenço rectangular em cujo
centro é estampada a cena do sepultamento de Jesus Cristo depois de tirado da
cruz e envolto pelos panos de linho. Nos quatro cantos do lenço são estampados
os quatro evangelistas. Nele se coloca um pequeno pedaço de relíquia da santa
cruz ou dos santos. O antimênsion é necessário para completar a celebração do
da Divina Liturgia, a ponto de não se poder celebrar sem ele.
Crucifixo: sustentado por um pedestal,
fixado atrás da Santa Mesa com o ícone do crucificado pintado.
Cruz de Bênçãos: costuma permanecer sempre sobre o Altar, deitada ao
lado do evangeliário. Em geral é de metal precioso, mas pode ser também de
madeira. A haste vertical possui um cabo para segurar a cruz na mão. É usada na
Liturgia e outros ofícios divinos para abençoar o povo.
Artofórion ou Tabernáculo:
é um pequeno compartimento, para guardar a Sagrada Eucaristia para os
doentes.
Ripídia: são dois leques ou flabelos de cabo comprido
e que levam pintada a cabeça de um serafim de seis asas. Durante a oração
eucarística o diácono agita lentamente o ripidion sobre as oblatas consagradas,
querendo com isso significar o bater das asas das legiões angélicas que
"concelebram" com o sacerdote, e a acção do Espírito Santo.
Santo Mantel ou Sangüíneo:
lenço de cor vermelha usada para secar a boca após a comunhão.
Castiçais: onde são postas
as velas que são queimadas nos ofícios, simbolizando a consumação em sacrifício
da criatura ao seu Criador.
Altar da Prótese
Á esquerda de quem olha o altar-mor está um pequeno
altar (mesa) destinado à preparação das oblatas durante o rito da proscomídia,
e à consumação das espécies eucarísticas, depois da liturgia, chamado Altar da
Prótese. Os objectos colocados sobre ele são:
Cálice: destinado a conter o preciosíssimo Sangue de
Cristo e, para comunhão dos fiéis, também as partículas do Pão Consagrado. A
copa do cálice deve ser grande e profunda, e a base sólida.
Disco ou Patena: uma patena ampla e possui
uma beirada alta; entre os eslavos é comum que o disco tenha um pequeno
pedestal. O disco é destinado a conter o Cordeiro (Pão Eucarístico) e as
partículas de pão para as comemorações.
Asterisco ou Estrela:
é composta de duas lâminas metálicas semicirculares, unidas no meio por um
parafuso sobre o qual está uma pequena cruz e do qual pende uma estrelinha que
nos lembra a estrela que guiou os reis magos até a gruta de Belém. O asterisco
serve para preservar as partículas do contacto com o kalima pequeno que recobre
o disco.
Kalimas: são três: dois menores servem para recobrir
o cálice e o disco. O grande kalima, chamado aéras, cobre tanto o cálice como o
disco. Simboliza, o aéras, a pedra que fechou o sepulcro de Jesus.
Lança: é uma pequena faca em forma de lança e serve
para recortar o pão oferecido e as partículas necessárias para o sacrifício.
Simboliza a lança que transpassou o lado de Jesus.
Colher: é uma pequena colher, cujo cabo comprido
termina em forma de cruzinha, usada para distribuir a comunhão aos fiéis. Simboliza
a tenaz com o que o serafim pegou o carvão ardente e tocou os lábios do profeta
Isaías. O carvão ardente para os orientais, é uma figura que designa a
partícula consagrada.
Esponja: é um pequeno triângulo de esponja prensada
que serve para reunir as partículas consagradas e colocá-las dentro do cálice.
Serve também para purificar o disco e as mãos do celebrante de qualquer
fragmento de pão. Este acessório simboliza a esponja com a qual deram de beber
ao Cristo na Cruz.
Prósfora: é o pão eucarístico na Liturgia. Conforme o
antiquíssimo costume oriental o pão da Eucaristia é fermentado e não ázimo como
na igreja Latina (Igreja Católica Apostólica Romana). A prósfora traz impresso
na sua parte superior um selo quadrado onde está inscrita uma cruz com as
abreviaturas gregas IS CS NIKA que quer dizer, "Jesus Cristo vence".
A parte delimitada por esta impressão, cortada durante o rito da preparação
(Proscomídia), é colocada no disco na forma de um cubo. Recebe então o nome de
"Cordeiro": este é o pão que será consagrado durante a Liturgia.
Outras quatro prósforas são utilizadas para extrair delas umas partículas em
memória da Virgem Mãe de Deus, dos santos, dos vivos e dos mortos. O pão que
sobrar é cortado em pedaços e, após ter sido abençoado (não consagrado) será
distribuído no fim da Liturgia sob o nome de antídoron.
Zéon ou Teplotá: é a água quente que, ainda fervendo, será derramada
no cálice após a fracção do pão enquanto o sacerdote pronuncia as palavras:
"Fervor da Fé cheia do Espírito Santo". Por extensão, também o
recipiente que contém o zéon recebe o mesmo nome.
Dípticos: normalmente,
folha de papel na qual foram escritos, dos dois lados, as intenções da Santa
Missa, dos vivos e dos mortos.
Trono e Assentos:
No fundo da ábside central está, em lugar um pouco elevado, o Trono Episcopal
e, de um lado e do outro do trono, no nível do chão, estão os assentos para o
clero concelebrante.
Diakonikón: À direita de quem olha o
altar-mor fica o diaconikon, lugar reservado para a paramentação dos ministros
que corresponde, nas Igrejas Latinas (Igreja Católica Apostólica Romana), à
sacristia.
Comportamento no Templo
Sendo o templo a casa de Deus, devemos nos comportar
de acordo com a grandiosidade do Senhor (Dono) da casa.
Entrando no templo, devemos fazer logo o Sinal da
Cruz.
Tomamos
uma vela e acendemos no candelabro.
Reverenciamos e beijamos o Santo Evangelho e os
ícones que se encontram nas estantes (Proskenitárion), na parte ocidental do templo.
Obs.: Podemos também, reverenciar os ícones do
iconostase através de orações e recitação de tropários.
Procuramos colocar-nos em oração, interiorizando e
preparando-nos para as celebrações litúrgicas, sempre em profundo silêncio e
respeito.
Sobre
a Bênção:
Ao abençoar, o sacerdote coloca o polegar da mão
direita apoiado ao dedo anular, o indicador erguido e os outros dois dedos
ligeiramente inclinados. Esta posição dos dedos representa a abreviação grega
do nome de Jesus Cristo: IC XC. O fiel, ao pedir a bênção ao sacerdote, deve
colocar a mão direita sobre a esquerda em formato de uma concha. Ao receber a bênção
deve em seguida inclinar-se, fazer uma metânia, beijando a mão do sacerdote e
fazendo o Sinal da Cruz.
Sobre
o Canto na Liturgia:
Nas celebrações, a profundidade da expressão e o
desejo de estar perto de Deus, são representados com extrema clareza no canto.
Deus, Senhor de todo o Universo, em toda sua magnificência, torna-se para nós,
pecadores, difícil de ser compreendido e, encontramos extrema incapacidade de
nos expressar a Ele em nossas orações. Assim a Igreja encontrou na poesia
inspirada, a suprema forma de louvar a Deus. E essa forma poética é expressada
através do canto. A Divina
Liturgia e as demais acções litúrgicas são sempre cantadas, mesmo em dia de
semana.
Também se conserva o uso antiquíssimo de não fazer
uso de instrumentos musicais, pois, só a voz dos fiéis é adequada para exprimir
a sensação espiritual e os sentimentos religiosos. Só ela pode formular com
palavras aquilo que brota do mais íntimo do coração do fiel. Na voz se reflectem
a alma dos fiéis e os sentimentos dos que rezam. A força e fervor do canto, a
pura naturalidade das vozes pode nos comover profundamente e manifestar a viva
e real presença de Deus.
Das
pessoas que celebram os Ofícios Divinos:
Para celebrar os divinos ofícios encarregam-se os
diáconos, os presbíteros e os Bispos. (os Bispos e os Patriarcas – na Igreja
Católica Apostólica Episcopal Luso-Hispânica, temos o Arcebispo Primaz
Katholikos - são equânimes nos direitos e obrigações eclesiásticas. O seu grau
é um, a diferença é apenas na política eclesiástica, pois todos são presbíteros
ou Bispos). Todos eles são celebrantes dos Santos
Sacramentos e cada um tem as obrigações próprias a seu grau.
O Bispo é o principal na sua Diocese no ensino e
direcção dos divinos ofícios. Ele deve ser testemunho, iluminando os seus
diocesanos e clero. Ele celebra todos os divinos ofícios e tem o direito de
ordenar o clero, consagrar o antimênsion e o Santo Myron.
O sacerdote celebra todos os divinos ofícios, salvo os
que são privativos ao Bispo e com cuja licença, ele ensina aos fiéis a fé
cristã dentro ou fora da Igreja, observando a sua conduta.
O diácono auxilia o presbítero na celebração dos
divinos ofícios e, com a permissão do presbítero ou do vigário local, pode
fazer a pregação dentro da Igreja e ensinar fora dela.
Paramentos
Litúrgicos e Vestes Eclesiásticas
Ao celebrar os ofícios divinos dos Sacramentos, os
celebrantes vestem paramentos especiais dignos das cerimónias divinas e que
fazem lembrar as suas obrigações. Esses paramentos são entregues solenemente
durante a ordenação.
O diácono veste estichárion, orárion, epimaníkias.
Estichárion: é uma túnica comprida até os pés que regula
o andar do diácono e indica a pureza que deve observar na sua vida.
Orárion: é um pano comprido e estreito enfeitado com
pequenas cruzes que ficam no ombro esquerdo do diácono e representa as asas de
anjo por ser o seu cargo a execução do serviço dos anjos. Com ele anuncia ao
povo a hora da oração e ao coro a hora de entoar os hinos.
Epimaníkias: ficam atadas aos pulsos
para lembrar ao diácono que a força de Deus é que anima e fortalece o homem
auxiliando-o a servir a Deus.
O sacerdote veste estichárion, epitrachílion,
epimaníkias, zone, felônion.
Estichárion -
(longa túnica): o estichárion do sacerdote tem
mangas estreitas, sendo, em geral, confeccionado de seda e de cores claras. O
estichárion usado pelo diácono e pelos ministros de graus inferiores tem mangas
curtas e amplas. O tecido costuma ser igual, ou parecido, ao paramental usado
no dia sendo ornado com galões.
Epitrachílion: é semelhante ao orárion do
diácono, porém, mais larga e se coloca no pescoço e desce sobre o peito e,
originalmente, até os pés. Ela indica que o sacerdote tomou a si todo o serviço
da Igreja e obteve na ordenação uma graça maior que a do diácono.
Epimaníkias: não diferem, no feitio e na
indicação das do diácono.
Zone: indica que Deus ampara o sacerdote com seu
poder divino.
Felônion: é uma capa arredondada sem mangas sendo a
frente curta e tendo no centro uma abertura para enfiar no pescoço. Ela faz
lembrar ao sacerdote que deve ter a vida revestida e indica a púrpura que os
soldados puseram no Cristo.
O Bispo veste os mesmos paramentos do sacerdote,
salvo o felônion que é substituída pelo sakkos que se assemelha à túnica curta.
Além disso, ele leva o homofórion, o hipogonation que é usado pelo sacerdote,
também uma coroa, uma cruz e, do lado direito da cruz, uma medalha de Jesus
Cristo chamada eucópion. Do lado esquerdo da cruz usa uma medalha da Mãe de
Deus denominada Panaghia (toda santa) e o báculo.
Homofórion: é uma peça de pano comprida
e estreita usada no pescoço, sobre os ombros, tendo uma ponta na esquerda para
as costas e a outra ponta da esquerda, também, sobre o peito. Ele lembra a
autoridade do Bispo e a sua obrigação de cuidar da vida dos cristãos e
particularmente dos pecadores. Ele simboliza a ovelha perdida e o dever do
Bispo de ir ao encontro desta ovelha.
Hipogonátion: é um pedaço de pano
quadrado com uma cruz no centro e usada do lado direito como uma espada e
representa a espada espiritual que é a palavra de Deus com a qual deve armar-se o Bispo.
Coroa ou Mitra (no Rito Latino): representa a coroa de espinhos que foi colocada sobre a cabeça do Senhor na sua Paixão.
Báculo: é usado pelo Bispo durante a Divina Liturgia
para indicar os seus direitos e deveres pastorais.
Há
ainda uma particularidade que pertence ao Bispo: é um pequeno tapete redondo
denominado "aeto" que possui a figura de uma águia voando sobre uma
cidade, serve como tapete
para o Bispo durante a Divina Liturgia. Essa águia (bicéfala) era usada
como símbolo do antigo Império Bizantino, que estendia seu poder do Oriente e
Ocidente e, mais tarde, passou a ser símbolo de universalidade da Igreja de
Cristo, simbolizando que ela está acima de tudo, existe de uma extremidade a
outra da terra. E, em particular ao Bispo, lembra-lhe que, mais que todos os
cristãos, deve buscar a santidade e a sabedoria, assim como a águia voa acima
de todas as aves.
Estichárion -
(Longa Túnica): o estichárion do sacerdote tem mangas estreitas, sendo, em
geral, confeccionado de seda e de cores claras. O que é usado pelo diácono e
pelos ministros de graus inferiores tem mangas curtas e amplas. O tecido
costuma ser igual ou parecido ao paramental usado no dia e é ornado com
galões.
Epitrachílion: é a estola sacerdotal cujos
dois lados descem unidos no peito até quase os pés. É do mesmo tecido dos
paramentos e está ornada com seis cruzinhas.
Orárion: é a estola diaconal: uma longa faixa ornada
com várias cruzes ou com a palavra "santo" escrita três vezes. Fica
presa por um botão no ombro esquerdo do diácono, tendo uma extremidade que
desce livre pelas costas e a outra é habitualmente segurada pela mão direita do
diácono.
Zone: O estichárion e o epitrachílion são fixados
e ajustados na cintura por uma faixa usada como cinto, denominada zone. É do
mesmo tecido dos paramentos e no meio está ornada com uma cruz.
Epimaníkias: são duas sobre-mangas
(sobre-punhos) do mesmo tecido dos paramentos, ornadas com uma cruz. Servem
para segurar e prender as mangas do estichárion.
Hipogonátion: losango
de tecido bordado, usada pelos Bispos e sacerdotes revestidos de alguma
dignidade eclesiástica. Usa-se a tira colo, descendo livre até à altura do
joelho direito. Simboliza a espada da Palavra. Felonion é a casula oriental que
se coloca sobre o estichárion.
O Felônion: tem, nas costas, uma cruz
grega como ornamento e, mais embaixo, uma estrela de
oito pontas. Ele simboliza a luz e a força com as quais Deus envolve o sacerdote.
Sakkos: os Bispos, em lugar do
felônion sacerdotal, usam um paramento chamado sakkos.
Mitra ou Coroa: cobre a cabeça dos Bispos
nas celebrações pontificais. Tem forma esférica ou ligeiramente quadrilobada;
ricamente bordada, a coroa tem na sua parte superior uma pequena cruz. Entre os
russos, além dos Bispos, também sacerdotes com insígnias de alguma
honorificência usam a coroa. Sua origem deriva da coroa usada pelos imperadores
bizantinos.
Homofórion: larga faixa que o Bispo leva
em torno do pescoço, ornamentada com cruzes, tendo bordada a figura de um
cordeiro ou do Redentor. Simboliza a ovelha tresmalhada que o Bom Pastor
(Jesus) traz de volta para o aprisco (a Igreja).
Diquirotriquira: palavra composta de Dikirion e Trikirion, são dois pequenos castiçais, um de duas velas e outro de
três. O primeiro simboliza as duas naturezas
Báculo Pastoral: tem
dois braços formados por duas serpentes que se defrontam, alusão à prudência
com que o pastor deve guiar o seu rebanho.
Anderi: Batina com mangas
estreitas, de cor preta, que é o uniforme do sacerdote em suas actividades não litúrgicas.
Rasson: é um hábito coral de cor
preta com mangas amplas e os eclesiásticos a usam também para aquelas
celebrações onde não é exigido o uso do estichárion.
Mandyas: ampla capa com a qual se
revestem os Bispos para as entradas solenes. Também os monges usam um tipo de
mandyas, mas é completamente preta.
Kalimafios, Epanekalimafios, Skufia: é uma espécie de chapéu cilíndrico
com o diâmetro superior ligeiramente maior que o de baixo. É usado pelo clero e
pelos monges. As diversas formas peculiares dão a cada modelo um nome
diferente. Os monges e outros dignitários usam, por cima do chapéu, um longo
véu preto que cai dobrado pelas costas. Os metropolitas russos e alguns
Patriarcas de Igrejas Ortodoxas costumam usar o véu de cor branca.
Cruz Peitoral: é usada pelos Bispos e outros dignitários
eclesiásticos. Entre os russos a cruz peitoral é usada por todos os sacerdotes
indistintamente.
Panagia ou Eucopion: medalhão com a efígie do Cristo Pantokrátor ou da Virgem Mãe de Deus
(Panaghia). É usado pelos Bispos e Arcebispos em número de um ou dois.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)