A ENCÍCLICA SOBRE A
EUCARISTIA E A NECESSIDADE ECUMÉNICA
DE UMA REFLEXÃO MAIS PROFUNDA
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Em 17 de Abril de 2003, Quinta-feira Santa, saía a
encíclica Ecclesia de Eucharestia, de São João
Paulo II, com os nn. de
Foram criticadas, em particular: a insistência no
carácter sacrificial da Missa, a importância do ministério ordenado para a sua
validade e a rigidez dos critérios para a admissão à comunhão eucarística.
A muitos pareceu que foi retomada a linguagem do
Concílio de Trento e da teologia escolástica, sem nada levar em conta do que
foi alcançado em sede ecuménica nas últimas décadas e sem referência à própria
reflexão teológica católica”. Assim C. Molari em Rocca de 15 de Junho de 2003. Reflexão católica que, a par
de alegrar-se com o título pela palavra “A Eucaristia faz a Igreja” e pela
afirmação de que ela “é a síntese do mistério da Igreja” reconhece, contudo,
ela mesmo, sem esconder que “é uma das missões da autoridade chamar a atenção
para os desvios”, um certo enregelamento sobre a “função sacerdotal” do padre
com relação à consagração. Uma reflexão, como salienta P. de Clerck numa
entrevista em 18 de Abril de 2003 ao
De igual modo, o mesmo “aspecto sacrifical” da Ceia
do Senhor, motivo de forte atrito, se repensado à luz da comunhão e reflexão
ecuménica poderia tornar-se uma importante chave de leitura. De facto, o
ecumenismo contemporâneo, retornou ao tema rico tanto por um conhecimento mais
adequado do termo “memorial” reconduzido à sua matriz hebraico-judaica quanto
pelo património interpretativo dos Pais da Igreja e da vivência litúrgica”.
E a suspeita que existia sobre a ligação
Ceia-Sacrifício começou a ser superado.
Documentos como o do diálogo católico-anglicano,
católico-metodista até o Documento
de Lima sobre Baptismo, Eucaristia e Ministério por obra de Fé e Constituição
são disso o testemunho encontrado no Enchiridion Oecumenicum.
Notificação de uma fractura recomposta ou em via de
recomposição em termos bem situados, por exemplo, no acordo de Dombes de 1972
sobre a Eucaristia entre católicos, luteranos e reformados calvinistas.
O pouco espaço impede-nos de repropor os textos que
testemunham o afirmar-se de um acordo sobre o significado da Eucaristia: ela é
um encontro na Ceia em que o Vivente se torna presente aos seus tornando-os
contemporâneos do momento mais alto e puro da auto
manifestação e da auto comunicação de Deus ao homem no Filho. Tal momento é o
“anúncio” do sacrifício de Cristo, único e irrepetível (Hb. 10, 10-14) tornado
actual pela “memória” litúrgica, sacrifício no sentido de livre, gratuita,
gozosa, unilateral e incondicional decisão de doação de si. O único
sacrumfacere agradável a Deus, gesto de revelação completada e de fundação do
dizer-se de Deus nos confrontos do homem explicitamente reunido pela Igreja,
gesto de revelação realizada e de fundação do homem modelado naquele de Deus em
Cristo, de quem as Igrejas e os cristãos são chamados a ser testemunhas sempre
necessitadas de conversão.
Como conclusão, digamos que permanece ainda viva a
desilusão em muitos pelo fechamento à participação da comum mesa eucarística,
desilusão evidente no primeiro grande encontro ecuménico, o «Oekumenische
Kirchentag» realizado conjuntamente pelos católicos e protestantes alemães em
28 de Maio em Berlim. Uma decepção devida a uma leitura diversa da Eucaristia
com relação à unidade das Igrejas: para o catolicismo e a Ortodoxia a
Eucaristia continua o já da substancial comunhão nos âmbitos da fé, dos
Sacramentos e do Ministério; para o protestantismo ela é caminho para o ainda
não da plena comunhão. Questões abertas que remetem a futuros suplementos de
pesquisa, de explicação e de indicação disciplinar, porque, se é verdade que
não estamos ainda no “já”, é também verdadeiro que também não estamos nem mesmo
no “ponto de chegada” do caminho ecuménico.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)
Última actualização deste Link em 07 de Abril de 2009