A CONFISSÃO DOS PECADOS SEGUNDO

OS DEZ MANDAMENTOS DIVINOS

 

 

Moisés e as “Tábuas da Lei"
Por Rembrandt 1659

Museu Staatliche, Berlim

 

1º Mandamento:

 

"Eu sou o Senhor, teu Deus:
não terás outros deuses além de Mim"

 

Será que temos, incessantemente, a memória e o temor de Deus em nossos corações? Nossa fé, não é ela instável em virtude de nossa esperança e dúvida? Não temos dúvidas acerca dos Santos Dogmas da Fé Ortodoxa? Oramos para que Deus consolide a nossa fé? Não desesperamos, por vezes, da Misericórdia Divina? Oramos a Deus a cada dia e noite? Oramos com zelo? Dirigimo-nos frequentemente e, o quanto possível, aos Ofícios que a Santa Igreja nos convida? Amamos a leitura das Santas Escrituras e dos Livros que aportam experiência à nossa fé e conduta moral? Não lemos, por curiosidade pecadora, livros ímpios e, por vezes, heréticos ou qualquer outra vã literatura? Ofertamos voluntariamente ao apelo da Igreja, às obras de amor e da fraternidade e ao Templo Santo do Salvador? Não recorremos, por vezes, aos actos supersticiosos, confiando nesta pseudo-divina capacidade? Não esquecemos do mais importante - preparar-se para a eternidade do Reino pelos nossos actos diante de Deus, perecendo na vaidade, na preguiça, nos prazeres e na desatenção?

 

2° Mandamento:

 

"Não farás para ti imagem de escultura
e não te encurvarás a elas, nem as servirás.

 

Será que Deus ocupa, em verdade, o primeiro lugar no nosso interior? Ou talvez o facto de ganhar dinheiro, a aquisição de bens, os prazeres sexuais, os divertimentos, a comida, a bebida, a moda, o esforço para tirar a atenção, para ocupar o papel principal, para obter elogios, utilizar o tempo na dissipação, na leitura profana? Será que aquela atracção exercida pela televisão, cinema, teatro, ou pelos jogos e pela mídia não nos separa de Deus? Por vezes, esquecemos de Deus, talvez, por um cuidado excessivo por nós próprios ou pela nossa família, não cumprindo a Sua santa vontade, nem aceitando o convite da Mãe Igreja? Sendo assim, servimos nossos "ídolos", aqueles que para nós ocupam o primeiro lugar, o qual deveríamos ofertá-lo a Deus. Talvez a arte, o desporto ou a ciência ocupe a nossa prioridade; talvez, alguma paixão (o amor pelo dinheiro ou o amor carnal) prevaleça em nossos corações? Não fazes de ti mesmo um ídolo, por orgulho ou por egoísmo? Examina-te a ti mesmo!

 

3° Mandamento:

 

"Não tomarás o Nome de Deus em vão".

 

Não pecamos, geralmente, pelo Nome de Deus em nossas vãs, correntes e banais conversações? Não utilizamos com leviandade e sem piedade alguma o Nome de Deus, ou então, usamos de desleixo para com as coisas santas? Quantas e inúmeras vezes, através de acessos de cólera, de malícia ou de desespero, murmuramos com insolência contra Deus, ou dirigimos a Ele e aos Santos Dons injúrias. Ó língua fraudulenta! Tendo feito um voto ou proclamado sermão, não o violamos algum tempo mais tarde, culminando no desespero, na depressão ou melancolia? Nossa oração, não é ela distraída pela desatenção e pela dissipação?

 

4° Mandamento:

 

"Lembra-te do dia do repouso para o santificar".

 

Não transgredimos a santidade do Domingo e das outras grandes Festas estabelecidas pela Santa Igreja? Não trabalhamos nestas datas pelo nosso proveito próprio ou por um ganho qualquer? Ao invés de assistir aos Ofícios das Festas, desperdiçamos grande parte do tempo em festas profanas, praças, passeios, cinemas, teatros, praias ou mesmo diante da televisão ou em reuniões, onde nem mesmo de Deus falamos, onde jamais uma oração é dita, uma destas orações às quais devemos fazer no dia da Festa? Geralmente somos nós próprios quem organizamos tais reuniões ou festividades, desviando desta forma, mesmo os outros do caminho da Igreja... Por quantas e inúmeras vezes chegamos atrasados à Igreja, ao meio ou mesmo ao fim dos Ofícios e da própria Divina Liturgia? Visitamos os doentes nos dias consagrados à Ressurreição (aos Domingos) e dias de Festas? Ajudamos os pobres e necessitados? Transgredimos as Santas Quaresmas estabelecidas pela Igreja, assim como a abstinência das Quarta e Sextas-feiras? Entorpecemos nossos sentidos pelo álcool, consumindo produtos alucinógenos à nossa alma e ao corpo?

 

5° Mandamento:

 

"Honra a teu pai e tua mãe,
para que se prolonguem os teus dias na terra";

 

Quantas ocasiões não faltamos nós ao respeito para com os nossos pais, por uma atitude desrespeitosa face aos seus conselhos e benevolência? Cuidamos deles quando de suas necessidades, doenças, velhice? Oramos regularmente pela alma daqueles que partiram ao encontro do Salvador (na Igreja ou em privado)? Em quantos casos mostramo-nos irrepreensíveis para com os membros do clero? Julgando-os, ou, por vezes, mostrando-nos fartos e desatentos quando nos transmitem a Palavra Viva, preparando-nos para a eternidade pela salvação das nossas almas, ou quando nos convidam à submissão à Igreja assim como às suas regras?

 

6° Mandamento:

 

"Não matarás".

 

Perdoamos àqueles que nos ofendem? Quantas vezes não guardamos mágoas, rancores e ofensas em nossos corações, apagando a revelação da Ressurreição pela metanóia? Acusa-te a ti mesmo ou somente aos outros, teus irmãos: o próximo mais próximo do nosso amor? Quantas vezes recorremos a acções ilícitas, como o aborto ou a outras maneiras e meios anti-conceptivos: aquilo que é também uma morte, um pecado tanto da mulher quanto do homem? Será que não matamos alguém, não no senso próprio e literal do termo, mas provocando a sua morte indirecta: ao recusar ajuda a um pobre ou enfermo, deixando de alimentá-lo quando tinha fome, não saciando a sua sede, não acolhendo um peregrino, não vestindo aquele que estava nu ou negligenciando os doentes e prisioneiros. (Mt. 25, 34-36) Não cometemos, porventura, nenhuma morte espiritual desviando alguma alma do recto caminho da Vida; atirando, quem quer que seja, à heresia ou ao cisma, escandalizando-o, ao encorajá-lo ao pecado? Será que não matamos espiritualmente provocando a malícia e a raiva?

 

7° Mandamento:

 

"Não adulterarás".

 

Se vives com alguém do sexo oposto e manténs com esta pessoa relacionamentos sexuais, antes ou fora do matrimónio sacramental, mantendo tão somente uma união física, persistes em afastar-te do Sacramento do Matrimónio

proporcionado e administrado pela Santa Igreja? Cuida-te ao não permitir e engendrar pensamentos e desejos impuros e carnais, tanto quanto visual, ou mesmo intencional. Lembra-te das canções vergonhosas das danças passionais, das palavras impudicas, dos olhares imprudentes, e de todos os pecados semelhantes? Compreenda, ó cristão, que por não confessar os pecados de uma vida ilegítima ou contender-se com um casamento civil sem o Sacramento da Igreja, não deverias ter o acesso aos Santos Mistérios de Cristo, além de não ter o direito de pronunciar em qualquer assunto da Igreja e não mais receber o benefício de serviço algum, qualquer que seja, mesmo aquele para os defuntos, por exemplo. A maioria dos homens pereceu pela transgressão deste 7° Mandamento Divino, pois amam primeiramente o prazer, são escravos de seus pecados e pensamentos impuros pelas vias mais distintas possíveis. Por outro lado, têm geralmente, vergonha de confessar os pecados contrários a este Mandamento (o que é possível constatar após as palavras do Anjo à Bem-aventurada Theodora, quando esta atravessava os pedágios arianos): "Tu vistes a terrível aduana repugnante da luxúria? Saiba que raras são as almas que a atravessam livremente. O mundo inteiro está imerso no mal do escândalo e da impureza, onde todos amam o prazer. A maioria, ao chegar aqui, perece: os terríveis examinadores do pecado da luxúria atacam as almas, dirigindo-as ao Inferno". Portanto, sede corajosos, cristãos! Arrependei-vos.

 

8° Mandamento:

 

"Não furtarás".

 

Apropriamos, por vezes, os bens de outrem de maneira directa ou indirecta? Pela fraude ou diferentes artimanhas e maquinações? Não seria mais correcto realizar nossos deveres de modo adequado e mais cristão? Quantas vezes deparamo-nos com o nosso apego absurdo aos bens terrestres, refutando dividi-los com aqueles que precisam? Não será uma avareza que domina a nossa alma? Em quantos casos administramos segundo a nossa consciência os bens que a nós foram confiados?

 

9° Mandamento:

 

"Não dirás falso testemunho contra o teu próximo".

 

Caluniamos o nosso próximo, geralmente julgando-os, criticando-os e insultando-os por vícios reais, ou por vezes, somente supostos? Por que esquecemos tão rápido que Cristo sofreu na Cruz pela salvação daquele que hoje eu não aceito amar? Amamos as calúnias e malícias as quais com alegria proferimos, produzindo toda sorte de intrigas, discussões e convenções inúteis? Recorremos à mentira e à injustiça, ou esforçamo-nos em estar, sempre, equilibrado?

 

10° Mandamento:

 

"Não cobiçarás coisa alguma do teu próximo".

 

Temos invejas dos outros, quanto àquilo que é bom e precioso aos nossos olhos? Saibamos que este sentimento pode nos levar a uma grave transgressão, mesmo por actos. Entendamos que a inveja repleta de maldades daqueles escribas e fariseus pregaram à Cruz o Filho de Deus na carne, que veio à terra para a Salvação do género humano. A inveja conduz sempre à raiva ou à maldade, podendo dirigir-nos aos actos mais insensatos e, até mesmo, à morte. Acima de todos estes pecados está o orgulho. O começo de todas as paixões e de tudo que as engendra. O orgulho está presente em nós todos, de uma maneira ou de outra, em diferentes estágios e, sem ele, não existiriam nem invejas, nem tão pouco a controvérsia e nenhum outro pecado. O orgulho, o amor próprio e a vã glória nos impedem, sobretudo, de vermos os nossos pecados, admitindo e confessando-os. Nossos contemporâneos já não mais querem arrepender-se de seus pecados, precisamente porque se consideram de forma orgulhosa e altiva, como os melhores, como os primeiros, sempre e em tudo, ou então almejam que no final de tudo os outros os considerem como tais. Assim, ao confessar-te, realizas o acto mais importante à eliminação do orgulho; eis porque torna-se necessário uma confissão fiel, consciente e atenta a todas as suas manifestações. Falta-nos saber ainda que um pecado é cometido não somente quando um Mandamento divino é transgredido, mas ainda quando deixamos de realizar uma boa obra, cuja ocasião nos é oferecida por Deus. Segundo São Nicodemos, o Hagiorita chamamos pecado às "insuficiências" de boas obras, actos, palavras ou pensamentos que nos são apresentados e omitimos, em consequência da nossa falta de disponibilidade. Em geral, ignoramos estas insuficiências de amor, de Cristianismo (Vida em Cristo). Poucos são os que pensam ter cometido um pecado ao negligenciar uma doação que dispunham de meios para fazê-lo; ou omitir um bom conselho ao próximo quando podiam fazê-lo; por não ter perseverado na oração ou em qualquer outra virtude. Os pecados são consequência directa da transgressão dos Mandamentos e da não conformação de nossas vidas às Bem-Aventuranças (Beatitudes) que o Senhor pronunciou quando do célebre Sermão da Montanha (Mt. 5, 3-12):

Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

Bem-aventurados os mansos, porque herdaram a terra.

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

Bem-aventurados os obreiros da Paz, porque serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.

Bem-aventurados sereis vós, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por Minha causa, exultai e alegrai-vos, porque será grande a vossa recompensa no Reino dos Céus.

 

  

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 07 de Abril de 2009

 

 

 

 

 

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