DECRETO SOBRE O ECUMENISMO
“UNITATIS
REDINTEGRATIO”
Roma, 1964
1. Promover a restauração da unidade entre todos os
cristãos é um dos principais propósitos do Sagrado Concílio Vaticano II. Pois
Cristo Senhor fundou uma só e única Igreja. Todavia, são numerosas as Comunhões
Cristãs que se apresentam aos homens como legítima herança de Jesus Cristo.
Todos, na verdade, se professam discípulos do Senhor, mas têm pareceres
diversos e caminham por rumos diferentes, como se o próprio Cristo estivesse
dividido (I Cor. 1, 13). Esta divisão, porém, contradiz abertamente a vontade
de Cristo, e é escândalo para o mundo, como também prejudica a santíssima causa
da pregação do Evangelho a toda a criatura.
(...)
3. Nesta una e única Igreja de Deus já desde os primórdios
surgiram algumas cisões (I Cor. 11, 18-19; Gál. 1,
6-9; I Jo. 2, 18-19), que o Apóstolo censura
asperamente como condenáveis (I Cor. 1, 11 ss; 11,
22). Nos séculos posteriores, porém, originaram-se dissensões mais amplas.
Comunidades não pequenas separaram-se da plena comunhão da Igreja Católica
Romana (não o que se passou com os Patriarcados
Ortodoxos), algumas vezes não sem culpa dos homens dum e doutro lado.
Aqueles, porém, que agora nascem em tais comunidades e são instruídos na fé de
Cristo, não podem ser acusados do pecado de separação, e a Igreja Católica
Romana os abraça com fraterna reverência e amor. Pois aqueles que crêem em
Cristo e foram devidamente baptizados, estão numa certa comunhão, embora não perfeita, com a
Igreja Católica Romana. De facto, as discrepâncias que de vários modos existem
entre eles e a Igreja Católica Romana - quer em
questões doutrinais e às vezes também disciplinares, quer acerca da estrutura
da Igreja - criam não poucos obstáculos, por vezes muito graves, à plena
comunhão eclesiástica. O movimento ecuménico visa a superar estes obstáculos.
No entanto, justificados no baptismo pela fé, eles são incorporados a Cristo (Conc. Florentino, sess. VIII,
1439; decr. Exultate Deo: Mansi 31,
(...)
Também não poucas acções sagradas da religião cristã
são celebradas entre os nossos irmãos separados. Por vários modos, conforme a
condição de cada igreja ou comunidade, estas acções podem realmente produzir a
vida da graça. Devem mesmo ser tidas como aptas para abrir a porta à comunhão
da salvação.
(...)
4. Hoje, em muitas partes do mundo, mediante o sopro
da graça do Espírito
Santo, empreendem-se, pela oração, pela palavra e pela acção, muitas
tentativas de aproximação daquela plenitude de unidade que Jesus Cristo quis.
Este Sagrado Concílio, portanto, exorta todos os fiéis a que, reconhecendo os
sinais dos tempos, solicitamente participem do trabalho ecuménico.
Por "movimento ecuménico" entendem-se as
actividades e iniciativas, que são suscitadas e ordenadas, segundo as várias
necessidades da Igreja e oportunidade dos tempos, no sentido de favorecer a
unidade dos cristãos...
6. Toda a renovação da Igreja consiste essencialmente
numa maior fidelidade à própria vocação. Esta é, sem dúvida, a razão do
movimento para a unidade. A Igreja peregrina é chamada por Cristo a essa
reforma perene. Como instituição humana e terrena, a Igreja necessita
perpetuamente desta reforma...
Esta renovação tem, por isso, grande importância
ecuménica...
7. Não há verdadeiro ecumenismo sem conversão
interior. É que os anseios de unidade nascem e amadurecem a partir da renovação
da mente (Ef. 4, 24), da abnegação de si mesmo e da
libérrima efusão da caridade. Por isso, devemos implorar do Espírito divino a
graça da sincera abnegação, humildade e mansidão em servir, e da fraterna generosidade
para com os outros (Ef. 4, 1-3)...
Também das culpas contra a unidade, vale o
testemunho de S. João: "Se dissermos que não temos pecado, fazemo-lo
mentiroso e a sua palavra não está em nós" (I Jo.
1, 10). Por isso, pedimos humildemente perdão a Deus e aos irmãos separados,
assim como também nós perdoamos àqueles que nos ofenderam.
Lembrem-se todos os cristãos de que tanto melhor
promovem e até realizam a união dos cristãos, quanto mais se esforçarem por
levar uma vida mais pura, de acordo com o Evangelho. Porque, quanto mais unidos
estiverem em comunhão estreita com o Pai, o Verbo e o Espírito, tanto mais
íntima e facilmente conseguirão aumentar a fraternidade mútua.
(...)
9. É preciso conhecer a mente dos irmãos separados.
Para isso, necessariamente se requer um estudo, a ser feito segundo a verdade e
com ânimo benévolo. Os católicos devidamente preparados devem adquirir um
melhor conhecimento da doutrina e história, da vida espiritual e litúrgica, da
psicologia religiosa e da cultura própria dos irmãos...
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)
Última actualização deste Link em 07 de Abril de 2009