ASCENÇÃO DE JESUS
Após a ressurreição de Jesus, os discípulos
achavam-se confusos, temerosos e um tanto desorientados. Reuniram-se no
Cenáculo, o mesmo aposento usado para a celebração da Ceia
do Senhor. Ali, aguardavam as horas se passarem para ver o que lhes
aconteceria.
O evangelho de João, no capítulo 20, nos versos
Estando as portas do aposento totalmente fechadas,
Jesus apareceu. Esta cena se repetiu oito dias depois, da ressurreição (João
20, 26-31).
Os
outros evangelistas apresentam alguns lances mais desse período, que de acordo
com livro de Actos, capítulo 1, 3 foi de 40 dias. Esse espaço curto de tempo
Jesus usou especialmente para confirmar a fé dos discípulos mais chegados e
passar-lhes instruções especiais quanto ao que deveriam fazer após Sua partida.
E foi assim que achando-Se a um passo de volta ao
Seu trono celestial, Jesus deu novamente aos discípulos a grande comissão
evangélica, registrada em Marcos 16, 15: "Ide por todo mundo, pregai o
evangelho a toda a criatura".
Esta comissão Jesus havia transmitido aos Seus
discípulos quando juntos haviam estado no Cenáculo. Porém um maior número de
Seus seguidores deveria ouvir isso também.
Desta maneira, num lugar da Galileia realizou-se
esta solene reunião. Em 1 Coríntios 15, 6 lemos: "E, depois foi visto,
uma vez, por mais de quinhentos irmãos" (I Coríntios 15, 6).
Para esta reunião, o próprio Cristo, antes de Sua
morte, designara o tempo e o lugar (Mateus 26, 32). O anjo no sepulcro, relembrara os discípulos de Sua promessa de os encontrar
na Galileia (Marcos 16, 7).
Esta notícia se espalhara entre os seguidores do
Mestre e com vivo interesse aguardavam esse encontro. Vindos de várias
direcções, dirigiam-se ao lugar da reunião.
Reunidos em pequenos grupos na encosta da montanha,
buscavam saber tudo quanto era possível dos que tinham estado com Jesus após a
ressurreição. Os 11 discípulos testemunhavam do que haviam visto e ouvido. Tomé
lhes contava a história de sua incredulidade e dizia como suas dúvidas haviam
se dissipado.
Então achou-se Jesus no meio deles. Em Suas mãos e
pés divisaram os sinais da crucifixão. Seu semblante irradiava uma glória
especial, esta foi a única entrevista com muitos crentes, depois de sua
ressurreição.
As palavras de Cristo na encosta da montanha foram o
anúncio de que seu sacrifício em favor do homem era pleno, completo. As
condições para expiação haviam sido cumpridas.
Concluíra a obra para a qual viera ao mundo. E agora
achava-se a caminho de volta ao trono celeste.
E então revestido de ilimitada autoridade repetiu a
todos a comissão dada aos 11 discípulos: "portanto ide, ensinai todas
as nações, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo;
ensinando-as a guardar todas as coisas que Eu vos tenho mandado; e eis que Eu
estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus
28, 18-20).
Cristo declarou positivamente a natureza do Seu
reino. Disse-lhes não ter sido seu desígnio estabelecer no mundo um reino
temporal, mas sim espiritual. Não haveria de governar como rei terrestre no
trono de David.
Cristo mostrou-lhes que tudo quanto havia se
sucedido estava predito nas Sagradas Escrituras através dos ensinos dos santos
profetas. Cristo ordenou que os discípulos iniciassem a obra em Jerusalém.
Mas, não deveriam parar aí. Deveriam levar a
mensagem a todos os lugares até os confins da Terra. Prometeu-lhes o poder do
Espírito Santo, para que pudessem fazer, em nome de Jesus os mesmos sinais e
maravilhas.
Depois desta grande reunião, Jesus estava pronto
para as despedidas. Os discípulos já não relacionavam mais a Jesus com a cruz e
o sepulcro. Para eles, Cristo era agora um Salvador vivo.
Como local de Sua ascensão, Jesus escolheu o Monte
das Oliveiras, tantas vezes consagrado por Sua presença. Com os discípulos,
dirige-se então para aquele local. Com as mãos estendidas em posição de bênção,
Jesus ascende lentamente dentre eles.
Lucas narra assim a ascensão de Jesus: "E
quando dizia isto, vendo-O eles, foi elevado às alturas e uma nuvem O recebeu,
ocultando-O, a seus olhos. E estando com os olhos fitos nos Céu, enquanto Ele
subia, eis que junto deles se puseram dois varões de branco, os quais lhe
disseram: "Varões galileus, porque estais olhando para o Céu? Esse Jesus,
que dentre vós foi recebido em cima no Céu, há de vir assim como para o Céu O
vistes ir" (Actos 1, 9-11).
Os discípulos voltaram para Jerusalém e já não mais
se lamentavam, antes sim, estavam cheios de louvor e gratidão a Deus. Com
regozijo contavam a maravilhosa história da ressurreição de Cristo e de Sua
ascensão ao Céu.
Não tinham mais qualquer desconfiança do futuro.
Sabiam que Jesus estava no Céu e que continuariam a ser objecto de seu
compassivo interesse.
Jesus retorna ao Céu vitorioso. Seu sacrifício foi
aceite pelo Pai. Satanás
está derrotado. É um inimigo vencido. O carácter de Deus outrora manchado por
suas acusações infundadas, agora está plenamente reivindicado. Todo o Universo
tem convicção de que Deus é Santo, e Sua Justiça e Amor são infalíveis.
Jesus carregará para sempre as marcas nos pés e nas
mãos que mostram o Seu sofrimento e morte para a Salvação do ser humano.
Este é um laço que jamais se partirá. Jesus disse: "...Eu
subo para meu Pai e vosso pai, meu Deus e vosso Deus" (João 20, 17).
A família no Céu e a família na Terra, são uma só. Para o nosso bem Jesus subiu ao Céu. Para o
nosso bem Ele vive. Que mensagem! Que esperança!
Irmão: Jesus veio aqui, morreu por nós, ressuscitou
e foi para o céu.
Os discípulos o viram subindo e pela graça de Deus
nós poderemos vê-Lo voltar.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)