CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
4 - Queda do homem no pecado
a - Porque a
queda do homem no pecado foi possível?
O Criador concedeu ao homem três grandes dons na sua
criação: liberdade, razão e amor. Esses dons são indispensáveis para o
crescimento espiritual e bênção do homem. Mas aonde há liberdade há a
possibilidade de hesitação na escolha; assim a tentação é possível. A
tentação pela razão é o orgulho crescer na mente; é ao invés de reconhecer
a sabedoria e benignidade de Deus, procurar o conhecimento do bem e do mal fora
de Deus; desejar ser um "Deus". A tentação pelo sentimento do amor é
que ao invés do amor por Deus e o seu próximo, tem amor, por si próprio e por
tudo o que satisfaça os seus baixos desejos e dê temporária alegria. Essa
possibilidade de tentação e queda esteve diante do ser humano, e o primeiro
homem não permaneceu firme contra ela.
Chamemos a atenção aqui, acerca da reflexão de São
João de Kronstadt sobre o assunto. Ele escreve:
"Porque Deus permitiu a queda do homem, sua amada criatura e a coroa de
todas as criaturas terrestres? Para essa questão deve responder-se assim: se
não fosse permitido ao homem cair, ele não poderia então ser criado à imagem e
semelhança de Deus; não poderia ser-lhe concedido livre arbítrio, que é um
aspecto inseparável da imagem de Deus, mas ele deveria estar sujeito à lei da
necessidade, como as criações sem alma - o céu, o sol,
estrelas, o círculo da terra e todos os elementos, ou como os animais
irracionais. Mas então não teria havido rei sobre as criaturas da terra, nem
cantor de hino racional da benignidade de Deus, nem sabedoria, nem poder
criativo, nem Providência. Pois o homem não teria meios de mostrar sua
fidelidade e devoção ao criador, seu amor auto-sacrificante. Então não haveria
bravura na batalha, nem méritos ou coroas incorruptíveis pela vitória; não
teria bênção eterna que é a recompensa pela fidelidade e devoção a Deus, nem
repouso eterno depois dos trabalhos e lutas da nossa peregrinação na
terra".
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)