CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

 

Deus Manifestado no Mundo

 

 

5 - Deus e a Salvação do Homem

f - Os erros a respeito das duas naturezas de Jesus Cristo

A Igreja sempre guardou estritamente o ensinamento correcto das duas naturezas do Senhor Jesus Cristo, vendo nisso uma condição indispensável da fé, sem a qual a salvação é impossível.

Os erros a respeito desse ensinamento têm sido vários, mas eles podem ser reduzidos a dois grupos: num, nós vemos a negação ou diminuição da Divindade de Jesus Cristo, em outro nós vemos a negação ou diminuição de Sua Humanidade.

a - Como já foi mencionado no capítulo da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o espírito da descrença dos judeus na Divindade de Cristo, a negação da sua Divindade, reflectiu-se na era Apostólica na heresia de Ebion, de quem esses heréticos receberam o nome de Ebionistas. Um ensinamento similar foi espalhado no século terceiro por Paulo de Samosata, que foi denunciado por dois Concílios de Antioquia. Ligeiramente diferente foi o falso ensinamento de Arius e das várias correntes Arianas no século IV. Eles ensinaram que Cristo não era um simples homem, mas o Filho de Deus, criado e não gerado, e o mais perfeito de todos os espíritos criados. A heresia de Arius foi condenada no Primeiro Concílio Ecuménico em 325, e o Arianismo foi refutado em detalhe pelos mais renomeados Padres da Igreja durante o curso dos séculos IV e V.

No século V levantou-se a heresia de Teodoro de Mopsuestia, que foi apoiada por Nestório, Arcebispo de Constantinopla. Eles reconheciam ser o Senhor Jesus Cristo o único "portador" do princípio divino, e assim eles atribuíam a Santíssima Virgem Maria o título de «Christotokos» (Mãe de Cristo), mas não de «Theotokos» (Mãe de Deus). De acordo com Nestório, Jesus Cristo unia em si duas naturezas e duas pessoas diferentes, divina e humana, que tocavam uma na outra mas eram separadas; e após seu nascimento, ele era homem, mas não Deus. São Cirilo de Alexandria apresentou-se como o principal acusador de Nestório. O Nestorianismo foi acusado e condenado pelo Terceiro Concílio Ecuménico (431).

 

b - O outro grupo errou ao negar ou diminuir a humanidade de Jesus Cristo. Os primeiros heréticos nesse tipo foram os Docetidas, que entendiam serem a carne e a matéria um princípio maligno ao qual Deus não podia se juntar. Por isso eles consideravam que a carne de Cristo era tão somente pretensa ou "parecida" (grego «dokeo», "parecer").

No tempo dos Concílios Ecuménicos. Apolinário, Bispo de Laodicéia, ensinava erroneamente a respeito da humanidade do Salvador. Apesar de reconhecer a realidade da Encarnação do Filho de Deus em Jesus Cristo, ele afirmava que a Sua humanidade era incompleta. Afirmando a composição tripartida da natureza humana, ele ensinava que Cristo tinha uma alma e um corpo humanos, mas que o Seu espírito (ou "mente") não era humano mas divino e que esse espírito fazia parte da Divina natureza do Salvador, que O abandonou na hora de Seus sofrimentos na Cruz.

Refutando essas opiniões, os Santos Padres explicaram que é o livre espírito humano que contem a essência básica do homem, É isso que possuindo liberdade, estava sujeito à queda e sendo derrotado, estava necessitado de salvação. Assim, o Salvador para restaurar o homem decaído, ele próprio possuiu não só a parte mais baixa mas também a parte mais alta da alma humana.

No século quinto houve outra heresia que diminuiu a humanidade de Cristo: a dos Monofisitas: ela surgiu entre os monges de Alexandria e foi o oposto a uma reacção contra o Nestorianismo, que havia diminuído a natureza divina do Salvador. Os Monofisitas consideravam que em Jesus Cristo, o princípio da carne tinha sido engolido pelo princípio do espírito, o humano pelo divino, e por isso eles reconheciam em Cristo uma só natureza. O Monofisismo também chamado de heresia de Eutiques, foi rejeitado pelo Quarto Concílio Ecuménico, o de Calcedónia (451).

Algo resultante da heresia rejeitada dos Monofisitas foi o ensinamento dos Monotelistas (do grego «thelima», "desejo" ou "vontade"), que apresentava a ideia de que em Cristo exista uma só vontade. Partindo do receio de reconhecer uma vontade humana em Cristo, o que permitiria a ideia de duas pessoas nele, os Monotelistas reconheciam só a vontade divina em Cristo. Mas como os Padres da Igreja explicaram, esse ensinamento abolia todo o trabalho, para a salvação da humanidade, feito por Cristo, já que esse trabalho teria consistido na livre sujeição da vontade humana para a vontade divina: "Não se faça a minha vontade, mas a tua", o Senhor orou. Esse erro foi rejeitado pelo Sexto Concílio Ecuménico (681).

Esses dois tipos de erros, que morreram na história da Igreja antiga, continuam a achar refúgio para si parcialmente de forma escondida mas em parte abertamente no Protestantismo dos últimos séculos. O protestantismo, então, em larga extensão recusa-se a reconhecer os decretos dogmáticos dos Concílios Ecuménicos.

 

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 03 de Abril de 2009

 

 

 

 

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