CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
1 - Deus e a Criação
s - O propósito
do homem
Tendo elevado o homem acima do mundo terreno, tendo dado a ele a razão e liberdade, tendo-o adornado com a sua própria imagem, o Criador indica assim ao homem o seu especial e alto propósito. Deus e o mundo espiritual estão diante do olhar espiritual do homem; diante do seu olhar corporal está o mundo material.
a - O
primeiro propósito do homem é a glória de Deus. O homem é chamado a
permanecer fiel à sua ligação com Deus, a esforçar-se para a direcção dele, a
reconhecê-lo como o seu Criador, a glorificá-lo, a rejubilar-se em união com
Ele, a viver nele. "Ele os encheu de conhecimento e compreensão",
diz o mais sábio filho de Sirac com respeito aos dons
que Deus deu para o homem. "Ele pôs Seu olho em seus corações para
mostrar a eles a majestade de Suas obras" (Sirach
17, 6-10). Pois se toda a criação é chamada, de acordo com as suas habilidades,
a glorificar o Criador (como é colocado por exemplo no Salmo 148), então
logicamente o homem, como a coroa da criação, é o mais capacitado a ser
consciente, racional, constante e o mais perfeito instrumento de Deus na terra.
b - Para esse propósito, o
homem deveria ser digno de seu Protótipo. Noutras palavras, ele é chamado a
aperfeiçoar-se, a guardar sua semelhança com Deus, a restaurá-la e reforçá-la.
Ele é chamado a desenvolver e aperfeiçoar os seus problemas morais por meio de
boas obras. Isso requer que o homem tome conta de sua própria bondade, e a sua verdadeira
bondade está na bênção de Deus. Por essa razão deve dizer-se que a bênção de
Deus é o objectivo da existência de Deus.
c - O Olhar físico e imediato
do homem é dirigido para o mundo. O homem foi colocado como a coroa da
criação terrena e o rei da natureza, como é mostrado no primeiro capítulo
do Livro da Génesis. De que maneira isso deveria ser manifestado? O Metropolita
Macário fala isso em sua «Orthodox Dogmatic Theology»: "Como a
imagem de Deus, o filho e herdeiro na casa do Pai Celestial, o homem foi
colocado como uma espécie de intermediário entre o Criador e a criação terrena:
em particular ele foi predeterminado a ser um profeta para essa criação
proclamando a vontade de Deus no mundo em palavras e obras; é para ser o
sacerdote chefe, de maneira a oferecer um sacrifício em louvor e agradecimento
a Deus em nome de todos os nascidos na terra, trazendo assim para a terra as
bênçãos dos céus; ele é a cabeça e o rei de modo que concentrando os
objectivos de todas as criaturas visíveis existentes em si, ele possa através
de si unir todas as coisas com Deus, e assim manter a cadeia toda das criaturas
terrenas em uma harmoniosa ligação e ordem".
Assim foi criado o primeiro homem, capaz de atingir
o seu propósito e fazer isso livremente, voluntariamente, em júbilo, de acordo
com a atracção da sua alma, e não por compulsão. A ideia da posição soberana do
homem na terra faz o Salmista louvar o Criador, extasiado: "Ó, Senhor,
Senhor nosso, quão admirável é o Teu Nome em toda a terra, pois puseste a Tua
glória sobre os céus... Quando vejo os Teus céus, obras dos Teus dedos, a lua e
as estrelas que preparaste: Que é o homem mortal para que te lembres dele? E o
filho do homem, para que O visites? Contudo, pouco menor o fizeste do que os
anjos, e de glória e de honra O coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre
as obras das Tuas mãos... Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o Teu nome
sobre toda a terra!" (Sal. 8, 15).
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)