CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

 

Deus Manifestado no Mundo

 

 

1 - Deus e a Criação

j - O número e os graus dos Anjos

A Sagrada Escritura apresenta o mundo angélico como extraordinariamente grande. Quando o Profeta Daniel viu o Ancião dos Dias numa visão, foi revelado para seu espanto que "milhares de milhares O serviam e milhões de milhões estavam diante Dele" (Daniel 7, 10). "Uma multidão dos anjos celestiais, louvou a vinda para a terra do Filho de Deus" (Lc. 2, 13).

"Calculem", diz São Cirilo de Jerusalém, "quantas são as nações romanas; calculem quantas tribos bárbaras vivem agora, e quantos morreram nos últimos cem anos; calculem quantas nações foram enterradas durante os últimos mil anos; calculem todos de Adão até hoje. Na verdade é uma grande multidão; mas ainda é pouco, porque os anjos são muito mais. Eles são as noventa e nove ovelhas, mas o ser humano é a uma" (Mt. 18, 12). Pois de acordo com a extensão do espaço universal, nós devemos calcular o número de seus habitantes. A terra inteira não é senão um ponto no meio do céu, e mesmo assim contem tão grande multidão; que multidão deve conter o céu que envolve a terra? E o céu dos céus não devem conter números inimagináveis? E está escrito, milhares e milhares O serviam e milhões de milhões estavam diante Dele; não que a multidão fosse só desse tamanho, mas o Profeta não conseguiu expressar mais do que isso" (São Cirilo de Jerusalém, Catechetica Lectures, 15, 24, tradução Eerdmans, pgs. 111-112).

Com tal multidão de anjos é natural supor-se que no mundo dos anjos assim como no mundo material, existam vários degraus de perfeição, e portanto vários estágios, ou graus hierárquicos, dos poderes celestes. Assim, a Palavra de Deus chama alguns deles de "anjos" e outros de "arcanjos" (1 Tess. 4, 16; Judas 1, 9).

A Igreja Católica Ortodoxa, guiada pela visão de antigos escritores da Igreja e dos Santos Padres, e em particular pelo trabalho, “A Hierarquia Celeste”, que leva o nome de São Dinis, o Aeropagita, divide o mundo angélico em novos coros ou categorias, e esses nove em três hierarquias, com três categorias em cada. Na primeira hierarquia estão aqueles que estão mais perto de Deus, são: os Tronos, os Querubins e os Serafins. Na segunda, hierarquia média, estão os: Poder, Potestade e Domínio. Na terceira, mais próximas de nós, estão os: Anjos, Arcanjos e Principados (The Orthodox Confession).

Nós encontramos essa enumeração dos noves coros de anjos nas Constituições Apostólicas (As "Constituições Apostólicas" são uma coleção de textos dos séculos IV e V sobre a doutrina, louvação e disciplina Cristã que dão muita informação sobre a vida da Igreja nos primeiros tempos - apesar de não necessariamente no tempo dos Apóstolos. Tendo algum respeito por ser um texto Cristão antigo, mais devido a algumas adições feitas a ele em diferentes épocas, não tem autoridade da Igreja que é gozada por outros textos dos primeiros tempos. Ele tem que ser distinguido dos "Cánones Apostólicos" que foram aceites pelo Quinisexto Concílio (692) como autorizado para a Igreja, e ressalte-se que esse mesmo Concílio rejeitou as Constituições Apostólicas como um todo por conta de "material adúltero" que foi acrescentado a elas (Cánon 2, Eerdmans Seven Ecumenical Concils, p. 361), em Santo Inácio, o Teóforo, Gregório Teólogo e Crisóstomo; mais tarde em São Gregório Dialoguista, João Damasceno e outros. Aqui estão as palavras de São Gregório Dialoguista sobre esse assunto: "Nós aceitamos nove categorias de anjos, porque por testemunho da Palavra de Deus nós conhecemos sobre os Anjos, Arcanjos, Potestades, Autoridades, Principados, Dominações, Tronos, Querubins e Serafins. Assim, a respeito da existência de Anjos e Arcanjos, quase todas as páginas da Sagrada Escritura testemunham; dos Querubins e Serafins como são bem conhecidos, os livros proféticos falam frequentemente; o Apóstolo Paulo enumera outras quatro categorias em sua Epístola aos Efésios, dizendo que Deus (o Pai) colocou seu Filho "acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio" (Ef. 1, 21). E em sua Epístola aos Colossenses ele escreve: "Nele foram criadas todas as coisas que há no céu e na terra visíveis e invisíveis, sejam Tronos, Dominações, sejam Principados, sejam Potestades" (Col. 1, 16). E assim, quando juntamos Tronos para esses quatro do qual fala aos Efésios, isto é, Principado, Poder, Potestade e Domínio nós temos cinco categorias separadas, e quando juntamos a elas os Anjos, Arcanjos, Querubins e Serafins, está claro que existem nove categorias de anjos.

Na verdade, voltando aos livros da Sagrada Escritura, nós encontramos os nomes das nove categorias mencionadas acima; mais do que nove não são mencionadas. Assim, nós lemos o nome "Querubim" no livro da Génesis 3, 24; nos Salmos 80 e 99 e em Ezequiel 1 e 10. "Serafim" nós encontramos em Isaías 6; "Poderes" nós encontramos na Epístola aos Efésios 1 e em Romanos 8; "Trono", "Principado", Domínios", Potestades" em Colossenses 1, e Efésios 1 e 3; "Arcanjos" em 1 Tess. 4, e Judas 9; e "anjos" em 1 Ped. 3, Romanos 8, e outros livros. Sobre essa base o número de categorias dos anjos é usualmente limitado no ensinamento da Igreja a nove.

Certos Padres da Igreja expressam sua pia opinião privada que a divisão dos anjos em nove categorias inclui somente aqueles nomes e graus que foram revelados na Palavra de Deus, mas não incluem muitos outros nomes e graus que não foram revelados a nós nesta vida presente mas que serão conhecidos somente na vida futura. Essa ideia é desenvolvida por São João Crisóstomo, pelo Bem-aventurado Teodoreto e o Bem-aventurado Teofilacto. "Existem", diz Crisóstomo, "na verdade existem outros poderes cujos nomes nós não conhecemos... Anjos, Arcanjos, Tronos, Domínios, Principados, Potestades não são os únicos habitantes dos céus; existem também inumeráveis outros tipos, e inimaginavelmente muitas classes que palavras não são capazes de descrever. E como é evidente que existem poderes além daqueles mencionados acima e poderes cujos nomes nós não conhecemos? O Apóstolo Paulo tendo falado de uns, menciona os outros quando ele testemunha de Cristo "...pondo-o à Sua direita nos céus, acima de todo o Principado, e Poder e Potestade e Domínio, e de todo nome que se nomeia, não só nesse século mas também no vindouro" (Ef. 1, 20-21). Vêem que existem certos nomes que só serão conhecidos então, mas que são desconhecidos agora? Assim, ele também diz: "... de todo o nome que se nomeia, não só nesse século mas também no vindouro". Essa opinião é tomada pela Igreja, como opinião privada.

Em geral, os antigos pastores consideravam a doutrina da hierarquia celeste, mística. "Quantas categorias de seres celestes existem" reflecte São Dinis na Hierarquia Celeste, "de que tipo elas são, e de que modo os mistérios de sua sacra ordem são executados, só, é conhecido precisamente por Deus, que é a Causa da hierarquia deles. Da mesma forma, eles mesmos conhecem seus próprios poderes, luz e ordem além desse mundo. Mas nós podemos falar disso somente até ao grau que Deus nos revelou através dos próprios poderes celestes, como os únicos que conhecem a si próprios" (Hierarquia Celeste, cap. 6). Similarmente, o Bem-aventurado Santo Agostinho reflecte, "que há Tronos, Domínios, Principados e Potestades nas mansões celestes, eu creio sem hesitação e eles são distintos, uns dos outros, disso não tenho dúvidas; mas de que tipo são eles, e em que precisamente eles são distinguidos entre si, eu não sei".

Na Sagrada Escritura, para alguns dos anjos mais elevados são dados nomes próprios. Existem dois de tais nomes nos livros canónicos: “Michael ou Miguel” (que significa "quem é igual a Deus"? - Daniel 10, 13, 12, 1; Judas 1, 9; Apocaalipse 12, 7-8) e Gabriel ("Homem de Deus" - Daniel 8, 16, 9, 21; Lucas 1, 19,26). Três anjos são mencionados por nome nos livros não canónicos: Rafael ("Ajuda de Deus" - Tobias 3, 17, 12, 12-15); Uriel ("Fogo de Deus" - III Esdras 4, 1, 5-20) e Salatiel ("Oração para Deus" - III Esdras 5, 16). À parte esses a pia tradição atribui nomes para dois outros anjos: Jegudiel ("Louvação de Deus") e Barachier ("Bênção de Deus"); esses nomes não são encontrados nas Sagradas Escrituras. Além disso, no segundo Livro de Esdras há menção ainda a um outro: Jeremiel ("a Altura de Deus" - 2 Esdras 4, 36); mas julgando o contexto dessa passagem, esse nome é o mesmo de Uriel.

Assim, nomes foram dados para sete dos anjos maiores, correspondendo às palavras do Apóstolo João, o Teólogo, no Apocalipse: "Graça e paz seja convosco de parte Daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do Seu trono" (Apc. 1, 4).

 

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 03 de Abril de 2009

 

 

 

 

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