CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte I

 

Deus em Si próprio 

 

2. O dogma da Santíssima Trindade

f - O nome da Segunda Pessoa - O Verbo

Frequentemente nos Santos Padres e nos textos dos Ofícios Divinos o Filho de Deus é chamado de Verbo (ou Palavra) ou Logus. Isso tem sua base no primeiro capítulo do Evangelho de João, o Teólogo.

O conceito ou nome "Verbo" nós encontramos o seu significado exaltado muitas vezes nos Livros do Velho Testamento. Eis algumas expressões dos Salmos: "Para sempre, ó Senhor, Tua Palavra permanece no céu" (Sal. 119, 9); "Enviou a sua Palavra e os sarou" (Sal. 107, 20) - um versículo que se refere ao Êxodo dos Hebreus do Egipto; "Pela palavra do Senhor, foram feitos os céus" (Sal. 33, 6). O autor da Sabedoria de Salomão escreve: "Tua poderosíssima Palavra saltou do céu, do trono real, para o meio da terra que estava condenada, um severo guerreiro carregando a afiada espada do autêntico comando e parou e encheu todas as coisas com morte, e tocou o céu enquanto estava na terra" (Sabedoria 18, 15-16).

Com o auxílio deste Divino nome, os Santos Padres tentaram explicar um pouco do mistério do relacionamento do Filho com o Pai. São Dionísio de Alexandria (um discípulo de Orígines) explica a relação do seguinte modo: "Nosso pensamento profere dele mesmo a palavra segundo o que o Profeta disse: "O meu coração ferve com palavras boas" (Sal. 45, 1). Pensamento e palavra são separados, e cada um ocupa o seu lugar especial e separado: enquanto o pensamento permanece e move-se no coração, a palavra fica na língua e nos lábios. No entanto, eles são inseparáveis, nem por um momento um deles é privado do outro. O pensamento não existe sem a palavra, uma palavra escondida dentro, e palavra é o pensamento que veio para fora. Pensamento é transformado em palavras, e palavra transmite o pensamento para os ouvintes. Desse modo, o pensamento com o auxílio da palavra, é instalado nas almas dos ouvintes, entrando nelas junto com a palavra. O pensamento, vindo de si próprio, é como se fosse o pai da palavra; e a palavra é como se fosse o filho do pensamento. Antes do pensamento, a palavra era impossível, e a palavra não vem de nenhum lugar fora, mas sim do próprio pensamento. Assim também, o Pai, o maior e abrangente pensamento, tem um Filho, o verbo seu primeiro interprete e Heraldo" (citado em De sentent Dionis, nº 15 de Santo Atanásio).

Essa mesma semelhança, a relação da palavra e pensamento, é muito usada por São João de Kronstadt em suas reflexões sobre a Santíssima Trindade, em suas reflexões, em Minha Vida em Cristo.

Na citação acima de São Dionísio de Alexandria, o Salmo mencionado mostra que as ideias dos Padres da Igreja estavam baseadas no uso do termo "palavra" (Verbo), na Sagrada Escritura não só no Novo Testamento mas igualmente no Velho Testamento também. Assim não há razão para afirmar que o termo "Logos" ou "palavra (Verbo)" foi tomado emprestado pelo Cristianismo da filosofia, como certos interpretes ocidentais afirmam.

Com certeza, os Padres da Igreja, assim como o Apóstolo João, o Teólogo, não estavam desinformados do conceito de "logos" como era interpretado na filosofia grega e também no filósofo judeu, Philo de Alexandria (o conceito logos como um ser intermediário entre Deus e o mundo, ou como um divino poder impessoal); mas eles constataram esse entendimento do logos com o entendimento Cristão do Verbo - o Filho Unigénito de Deus, um em Essência com o Pai, e igual em Divindade ao Pai e ao Espírito Santo.

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 03 de Abril de 2009

 

 

 

 

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