CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
1 - Deus e a Criação
i - O grau de
perfeição angélica
Os anjos são espíritos perfeitos. Eles ultrapassam o
homem pelo seu poder espiritual. No entanto, eles também, como seres criados,
carregam em si o selo da limitação. Sendo imateriais, eles são menos
dependentes que os homens de espaço e lugar, e por assim dizer, passam através
de vastos espaços com extrema rapidez, aparecendo aonde quer que seja
necessário que eles ajam. No entanto, não se pode dizer que eles sejam
inteiramente independentes de espaço e lugar, nem que eles estejam presentes em
todo lugar. A Sagrada Escritura às vezes mostra anjos descendo do céu para a
terra, ás vezes subindo da terra para o céu, e assim deve-se supor que eles
estejam tanto no céu quanto na terra ao mesmo tempo. (Os Santos
Padres ensinam isso bastante explicitamente. Assim, São
Basílio, escreve: "Nós cremos que cada um (dos poderes celestes) tem
um lugar definido. Pois o anjo que estava frente a Cornélio não estava ao mesmo
tempo com Felipe (Act. 10, 3; 8, 26); e o anjo que falou a Zacarias não estava ao
mesmo tempo ocupando o seu próprio lugar no céu" (On the
Holly Spirit, cap. 23, edição russa de Soikin, São Petesburgo,
1911, vol. 1, pág. 622). Da mesma forma São
João Damasceno, ensina: "Os anjos são circunscritos, pois quando eles
estão no céu eles não estão na terra, e quando eles são mandados para a terra
por Deus, eles não permanecem no céu" (Exact Exposition, Livro 2, cap. 3,
tradução inglesa, pág. 206)).
A imortalidade é um atributo dos anjos, e é claramente testificada
pelas Sagradas Escrituras, que ensinam que eles não podem morrer (Lc. 20, 36). No entanto, a sua imortalidade não é uma
imortalidade divina; isso é algo auto-existente e incondicional. Ao contrário
ela depende, assim como a imortalidade da alma humana, inteiramente da vontade
e misericórdia de Deus.
Como espíritos imateriais, os anjos são capazes de
auto-desenvolvimento interno até ao mais alto grau. Suas mentes são mais
elevadas que a mente humana. De acordo com a explanação do Apóstolo
Pedro, em sua força e poder eles ultrapassam todos os governos e todas as
autoridades terrenas (2 Ped. 2, 11). A natureza de um anjo é mais elevada que a
natureza de um homem, como o Salmista diz quando, para exaltar o ser humano,
ele mostra que o homem é pouco inferior aos anjos (Sal. 8, 5). Porém, os
exaltados atributos dos anjos têm os seus limites. A Sagrada Escritura indica
que eles não conhecem as profundezas da Essência de Deus, que é conhecida
somente pelo Espírito de Deus: "Assim ninguém sabe as coisas de Deus,
senão o Espírito de Deus" (1 Cor. 2, :11).
Eles não conhecem o futuro, o qual também é conhecido somente por Deus: "Mas
daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu" (Mc. 13, 22). Da mesma forma eles não entendem completamente
o mistério da Redenção, apesar de quererem penetrar nele: "para as
quais coisas os anjos desejam bem atentar" (1 Ped. 1, 12). Eles nem mesmo
conhecem todos os pensamentos humanos (3 Reis 8, 39). Finalmente, eles não
podem por si próprios, sem a vontade de Deus, fazer milagres: "Bendito
seja o Senhor Deus, o Deus de Israel, que só Ele faz maravilhas" (Sal.
72, 18).
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)