CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
5 - Deus e a Salvação do Homem
d - O Senhor
Jesus Cristo: Deus verdadeiro
As boas novas do Evangelho são as boas novas do
encarnado Filho de Deus que tornou-se homem, tendo nascido do céu para a terra.
Fé
Com essas boas novas o Apóstolo Marcos começa seu
relato: "Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus"
(Mc. 1, 1).
Com essa mesma verdade de fé o Evangelista João
conclui o texto principal de seu Evangelho: "estes porém foram escritos
para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo
tenhais vida sem seu nome" (Jo. 20, 31);
isto é a pregação da divindade, Jesus Cristo é o objectivo do Evangelho todo.
"...o Santo, que de Ti há de nascer, será
chamado Filho de Deus" (Lc. 1, 35) - o
Arcanjo Gabriel dirigindo-se à Virgem
Maria.
No Baptismo
do Salvador essas palavras foram ouvidas "Este é meu Filho amado..."
a mesma coisa foi repetida na transfiguração do Senhor (Mt. 3, 17; 17, 5).
Simão confessou: "Tu és o Cristo, Filho de
Deus vivo" (Mt. 16, 16), e essa confissão serviu para a promessa que a
Igreja de Cristo seria construída sob a pedra dessa confissão.
O próprio Senhor Jesus Cristo testificou que Ele é o
Filho de Deus Pai: "Todas as coisas me foram entregues por meu Pai: e
ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e
aquele a quem o Filho o quiser revelar" (Mt. 11, 27). Aqui Cristo fala
de si próprio como o único Filho do único Deus Pai.
De maneira que as palavras, "O Filho de
Deus" não venham a ser entendidas num sentido metafórico ou condicional, a
Sagrada Família junta a elas a expressão, "unigénito" - isto é o Único gerado do Pai; "E o Verbo se fez
carne, e habitou entre nós e vimos a sua glória, como a glória do unigénito do
Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo. 1,
14.18). "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho
unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida
eterna" (Jo. 3, 16).
Da mesma forma a Sagrada Escritura usa a palavra
"verdadeiro", chamando Cristo o Verdadeiro Filho do Verdadeiro Deus: "E
sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos
o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é,
Similarmente, as palavras "próprio Filho":
"Ele que nem mesmo a seu próprio Filho (em grego «idion») poupou,
antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele em toda as
coisas?" (Rom. 8, 32).
O Filho Unigénito de Deus é o Deus verdadeiro mesmo
enquanto em carne humana: "Dos quais (isto é, os israelitas) são
os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus
bendito eternamente: Amén" (Rom. 9, 5).
Assim, a divindade completa permanece na forma
humana de Cristo: "Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da
divindade" (Col. 2, 9).
O primeiro Concílio
Ecuménico de Nicéia foi convocado para a
confirmação dessa verdade na clara consciência de todos os Cristãos, como a
base da Fé Cristã, e para esse propósito ele compôs o Símbolo
da Fé (o Credo) da Igreja Ecuménica.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)