CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
4 - Queda do homem no pecado
d - As
consequências morais da queda
O comer o fruto foi só o começo do desvio moral, o
primeiro empurrão; mas ele tão venenoso e ruinoso que já ficou impossível retornar
à prévia santidade e justiça. Ao contrário, foi revelada uma tendência a andar
mais adiante no caminho da apostasia de Deus. Isso é visto no facto de que eles
imediatamente notaram sua nudez e, ouvindo a voz de Deus no Paraíso, eles se
esconderam dele, e justificaram-se só aumentando a sua culpa. Na resposta de
Adão a Deus, vemos desde o começo o desejo de fugir da vista de Deus e uma
tentativa de esconder a sua culpa, a falta de verdade nas suas palavras de que
ele tinha se escondido de Deus só porque estava nú, e
então a tentativa de uma auto-justificativa e o desejo de transferir a sua
culpa para outro, a sua mulher. Santo
Agostinho diz: "aqui temos o orgulho, porque o homem desejou estar
mais sob sua própria autoridade do que sob a de Deus; e um escárnio do que é
santo, ele não acreditou em Deus; é assassinato, porque ele sujeitou-se à
morte; é adultério espiritual, porque a imaculada alma humana foi corrompida
pela persuasão da serpente; e porque eles fizeram uso da árvore proibida; é
amor pela aquisição, porque ele desejou mais do que era necessário para
satisfazer-se".
Assim, com a primeira transgressão do comando, o
princípio do pecado imediatamente entrou no homem -
"a lei do pecado" «monos tis amartios». Ele golpeou a verdadeira
natureza do homem e rapidamente começou a enraizar-se nela e a desenvolver-se.
Desse princípio pecaminoso que entrou na natureza do homem, o Apóstolo
Paulo escreveu: "Pois eu sei que em mim, isto é, na minha carne,
não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo
realizar o bem. ... Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus.
Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu
entendimento, e me prende na lei do pecado que está nos meus membros"
(Rom. 7, 18.22-23). As inclinações pecaminosas no
homem tomaram a posição reinante, o homem tornou-se "o servo do pecado"
(Rom. 6, 7). Mente e sentimentos tornaram-se
escurecidas nele, e por isso a sua liberdade moral frequentemente não o inclina
para o bem, mas para o mal. Luxúria e orgulho apareceram na base dos impulsos
do homem para as actividades da vida. Disso nós lemos em 1 Jo.
2, 15-16: "Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Porque tudo o que
há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, e a soberba
da vida, não é do Pai, mas do mundo". A concupiscência da carne é o
enfraquecimento da autoridade do espírito sobre o corpo, a sujeição dele aos
baixos desejos carnais; a concupiscência dos olhos significa o apego aos falsos
ídolos, ganância e fome pelo mundo, inveja; e orgulho é auto-estima, egoísmo, auto-exaltação, desprezo pelos outros que são mais fracos,
amor-próprio e vanglória.
As observações psicológicas contemporâneas também
conduzem os investigadores à conclusão que concupiscência e orgulho (a sede por
ser melhor que os outros) são as principais alavancas das lutas do homem
decaído contemporâneo, mesmo quando estão profundamente escondidos na alma e
não são completamente conscientes.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)