CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

 

Deus Manifestado no Mundo

 

 

1 - Deus e a Criação

q - Alma e espírito

O princípio espiritual no homem que é oposto ao corpo é designado na Sagrada Escritura por dois termos que são quase iguais em significados: "espírito" e "alma". O uso da palavra "espírito" em lugar de "alma", ou ambos os termos usados com exactamente o mesmo significado é encontrado especialmente no Apóstolo Paulo. Isso é tornado evidente, por exemplo, colocando-se lado a lado os dois textos seguintes: "glorificai pois a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus" (1 Cor. 6, 20); e "…purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito" (2 Cor. 7, 1).

Além dessas, existem duas passagens nos escritos desse Apóstolo onde alma e espírito são mencionados lado a lado, e isso cria a oportunidade de se perguntar: Não estaria o Apóstolo indicando que, além da alma, existe também um "espírito" que é uma parte essencial da natureza humana? Da mesma forma, nos escritos de certos Santos Padres particularmente nos escritos ascéticos, é feita uma distinção entre alma e espírito. A primeira passagem no Apóstolo Paulo é na Epístola aos Hebreus: "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração" (Heb. 4, 12). Outra passagem do mesmo Apóstolo está na Epístola aos Tessalonissensses: "e todo o vosso espírito, e alma e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Tess. 5, 23). Não é difícil, no entanto, ver que na primeira passagem o espírito é para ser entendido não como uma substância que é separada e independente da alma, mas só como um lado mais interno e escondido da alma. Aqui a relação da alma e do espírito é feita paralela à relação entre os membros do corpo e cérebro, e assim como o cérebro é a parte interna da natureza corporal, ou é um conteúdo quando comparado com seu conteúdo, assim também o espírito é evidentemente considerado pelo Apóstolo como a parte escondida da alma do homem.

Na segunda passagem por "espírito" é evidentemente significada aquela especial alta harmonia da parte escondida da alma que é formada pela graça do Espírito Santo em um Cristão: o "espírito" no qual o Apóstolo fala em outro lugar: "Não extingais o Espírito" (1 Tess. 5, 19); e "...fervorosos no espírito" (Rom. 12, 11). Assim, o Apóstolo não está pensando aqui em todos os homens em geral, mas só nos Cristãos. Nesse sentido o Apóstolo contrasta o homem "espiritual" com o homem "natural" ou carnal (1 Cor. 2, 14-15). O homem espiritual possui uma alma, mas sendo renascido, ele cultiva em si as sementes da graça; ele cresce e gera frutos no espírito. No entanto, por falta de cuidados com sua vida espiritual ele pode descer ao nível do homem natural ou carnal: "Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?" (Gal. 3, 3). Por isso, não há terreno para supôr que o pensamento do Apóstolo Paulo não esteja de acordo com o ensinamento que a natureza do homem consiste em duas partes.

Essa mesma do espírito como a mais alta e dada por graça forma de vida da alma humana é evidentemente o que é significado pelos Padres e professores da Igreja nos primeiros séculos que distinguiram no homem um espírito assim como uma alma. Essa distinção é encontrada em São Justino, o Mártir, Tatiano, Irineu, Tertuliano, Clemente de Alexandria, Gregório de Nissa, Efrém o Sírio, e da mesma forma em escritores e ascetas posteriores. Porém, uma maioria significativa dos Padres e professores da Igreja reconhecem directamente que a natureza do homem tem duas partes: corpo e alma (Santos Cirilo de Jerusalém, Basílio o Grande, Gregório o Teólogo, João Crisóstomo, Agostinho, João Damasceno). O Bem-aventurado Teodoreto escreve: "De acordo com o ensinamento de Apolinário (o Herético) existem três partes no homem: o corpo, a alma animal, e a alma racional, que ele chama de mente. Mas a Sagrada Escritura só aceita uma alma, não duas, e isso é claramente indicado pela história da criação do primeiro homem. Deus, tendo formado o corpo do pó e soprado uma alma nele, mostrou que há duas naturezas no homem, e não três".

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 29 de Abril de 2009

 

 

 

 

 

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