CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

 

Deus Manifestado no Mundo

 

 

1 - Deus e a Criação

r - A imagem de Deus no homem

O escritor sagrado do relato da criação do homem diz: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a vossa semelhança... E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou" (Gén. 1, 26-27).

No que consiste a imagem de Deus em nós? O ensinamento da Igreja conta-nos somente que no geral o homem foi criado "à imagem", mas precisamente que parte de nossa natureza manifesta nessa imagem não é indicada. Os Padres da Igreja e professores responderam a essa questão de várias maneiras: alguns vêem a imagem na razão, outros no livre arbítrio, e ainda outros na imortalidade. Se juntarmos essas ideias, obtemos uma concepção completa do que a imagem de Deus no homem é, de acordo com o ensinamento dos Santos Padres.

Antes de tudo, a imagem de Deus deve ser vista só na alma, não no corpo. De acordo com a sua natureza, Deus é o mais puro Espírito, não vestido com qualquer tipo de corpo e não participante de qualquer tipo de materialidade. Assim a imagem de Deus só se pode referir à alma imaterial - muitos Padres da Igreja consideraram necessário dar esse alerta.

O homem carrega a imagem de Deus nas mais elevadas qualidades da alma, especialmente na imortalidade dela, no seu livre arbítrio, na sua razão e na sua capacidade de um amor puro sem pensamento de ganho.

a - Deus deu imortalidade à alma do homem, ainda que alma seja imortal não por natureza, mas somente pela bondade de Deus.

b - Deus é completamente livre nas suas acções, e deu aos homens livre arbítrio e a habilidade de agir livremente dentro de certos limites.

c - Deus é sapientíssimo, e deu ao homem a razão que é capaz de não ser limitada às coisas terrenas, necessidades animais e ao lado visível das coisas, mas também o ser capaz de penetrar nas profundezas das coisas, e reconhecer e explicar o seu significado interior. A razão do homem é capaz de subir ao nível daquilo que é invisível e de esforçar-se em pensamento para a verdadeira Fonte de tudo que existe - Deus. A razão do homem torna a sua vontade consciente e autenticamente livre, por que ela pode escolher aquilo que corresponde à mais alta dignidade do homem ao invés daquilo para o quando sua natureza inferior o inclina.

d - Deus criou o homem em sua bondade e nunca deixou nem nunca o deixará sem o seu amor. O homem, recebendo a sua alma do sopro de Deus, esforça-se para a direcção do seu primeiro princípio, Deus, como para a direcção de algo similar a ele, procurando e sentindo sede pela união com ele. Isso é especificadamente mostrado na postura recta e em pé do seu corpo, e o seu olhar, que se volta para o céu. Assim, esse esforço para o amor por Deus expressa a imagem de Deus no homem.

Em resumo, pode dizer-se que todas as qualidades e capacidades boas e nobres da alma são uma expressão da imagem de Deus no homem.

Existe uma distinção entre a "imagem" e a "semelhança" de Deus? A maioria dos Santos Padres e professores da Igreja respondem que existe. Eles vêem a imagem de Deus na natureza da alma, e a semelhança no aperfeiçoamento moral do homem em virtude e santidade, na aquisição dos dons do Espírito Santo. Consequentemente, nós recebemos a imagem de Deus junto com a existência, mas a semelhança nós devemos adquirir de nós mesmos, tendo recebido a possibilidade de fazer isso, de Deus.

Tornar-se "semelhante" depende de nossa vontade; e adquirida conforme nossa própria actividade. Por isso, a respeito do "conselho de Deus" é dito: "Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança" (Gén. 1, 26). Mas a respeito do acto da criação em si é dito: "Por «conselho» de Deus, foi-nos dado o potencial de ser «à sua semelhança»".

 

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 03 de Abril de 2009

 

 

 

 

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