CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
1 - Deus e a Criação
n - A alma como uma substância
independente
Os antigos Padres
da Igreja e professores, seguindo estritamente a Sagrada Escritura no
ensinamento sobre a independência da alma e o seu valor nela própria,
explicaram e revelaram a distinção da alma e do corpo para refutar a opinião
materialista que a alma é só uma expressão da harmonia dos membros do corpo, ou
é o resultado da actividade física do corpo, e que ela não tem sua própria
substância ou natureza particular. Apelando para a simples observação, os
Padres da Igreja mostram:
a - que é característico da alma governar as lutas
do corpo, e característica do corpo aceitar a essa governança. (Atenágoras e
outros).
b - que o corpo é, como foi,
uma ferramenta ou instrumento de um artista, enquanto a alma é o artista (São Irineu,
São
Gregório de Nissa, São
Cirilo de Jerusalém e outros).
c - que a alma não é
incondicionalmente sujeita aos impulsos do corpo; ela é mesmo capaz de entrar
em guerra com os esforços do corpo assim como com alguma coisa estranha e
hostil a ela mesma, e é capaz de ganhar uma vitória sobre o corpo, mostrando
assim que ela não é a mesma coisa que ele mas é uma essência invisível, é de
natureza diferente, superando toda natureza corpórea (Origines).
d - que ela é intangível e
intocável, e não é nem sangue, nem ar, nem fogo mas um princípio auto-movente (Lactantius).
e - que a alma é um poder que
põe todos os membros do organismo em completa harmonia e total unidade (São
Atanásio, o Grande, e São
Basílio o Grande).
f - que a alma possui razão,
auto-consciência, e livre arbítrio. (Origines e outros).
g - que o homem, enquanto
está em seu corpo na terra, mentalmente pensa naquilo que é celeste e o
contempla; sendo mortal em seu corpo, ele raciocina sobre imortalidade e
frequentemente, sem amor pela virtude, ele traz para si mesmo o sofrimento e
morte; tendo um corpo que é temporal, com a sua mente ele contempla o eterno e
luta por ele, desprezando aquilo que está sob seus pés. O corpo nunca
imaginaria tais coisas (São Atanásio, o Grande).
h - que falando na verdadeira
natureza da alma, os Padres e professores da Igreja apontam para a simplicidade
e imaterialidade da alma, como opostas à complexidade e crueza material do
corpo; eles indicam a sua invisibilidade e completa ausência de forma, e em
geral para o facto de que ela não está sujeita a nenhuma medição (espaço, peso,
etc...) a que o corpo está sujeito (Orígenes e
outros).
Com relação ao facto que as condições do corpo são
reflectidas nas actividades da alma, e que essas condições podem enfraquecer ou
até corromper a alma - por exemplo durante doenças,
idade avançada, ou bebedeira - os Padres da Igreja frequentemente comparam o
corpo a um instrumento usado
Certos Padres antigos (Santo
Ambrósio, o Papa
São Gregório Magno, São
João Damasceno), enquanto reconhecendo a espiritualidade da alma como
distinta da do corpo, ao mesmo tempo atribuem uma certa materialidade ou corporalidade
comparativa, à alma. Por esse suposto atributo da alma eles
tem em mente distinguir a espiritualidade da alma humana, assim como dos
anjos, da mais puríssima espiritualidade de Deus, em comparação com a qual tudo
parece ser material e cru.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)