CATECISMO ORTODOXO
Parte I
Deus
2. O dogma da Santíssima Trindade
j - A Igualdade
de honra e a Divindade do Espírito Santo
Na
história da antiga Igreja, sempre que os heréticos tentaram diminuir a Divina
dignidade do Filho de Deus, isso era acompanhado por uma diminuição da
dignidade do Espírito Santo.
No
segundo século, o herético Valentinus ensinou falsamente que o Espírito Santo
não era distinto em Sua natureza dos anjos. Os Arianos ensinaram a mesma coisa.
Porém, o chefe dos heréticos que distorceu o ensinamento Apostólico a respeito
do Espírito Santo foi Macedónio, que ocupou a Cátedra de Constantinopla como
Arcebispo no século IV e encontrou seguidores entre prévios Arianos e
semi-arianos. Ele chamava ao Espírito Santo de uma criação do Filho, e um servo
do Pai e do Filho. Acusadores dessa heresia foram os Padres da Igreja como São
Basílio, o Grande; Gregório, o Teólogo; Atanásio,
o Grande; Gregório
de Nissa; Ambrósio,
Anfilocius; Diódoro de Tarso; e outros, que escreveram trabalhos contra os
heréticos. O falso ensinamento de Macedónio foi refutado primeiramente numa
série de concílios locais e finalmente no, Segundo Concilio
Ecuménico, de Constantinopla, em 381. Preservando a Ortodoxia, o
Segundo Concilio Ecuménico completou o Símbolo da fé de Nicéia com estas
palavras: "E no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do
Pai, e com o Pai e o Filho recebe a mesma adoração e a mesma glória. Foi Ele
que falou pelos Profetas", assim como os artigos do Credo que seguem a
esse no Símbolo da Fé de Nicéia - Constantinopla.
Dentre
os numerosos testemunhos da Sagrada Escritura a respeito do Espírito Santo, é
especialmente importante ter-se em mente as passagens que a -
confirmam o ensinamento da Igreja de que o Espírito Santo não é um poder divino
impessoal, mas sim uma Pessoa da Santíssima Trindade, e b - que afirmam a Sua
Unicidade em Essência e igual dignidade divina com a Primeira e com a Terceira
Pessoa da Santíssima Trindade.
a - Um testemunho do primeiro
tipo - Que o Espírito Santo é uma Pessoa - nós temos nas palavras do Senhor na
sua conversa de despedida com os seus discípulos, na qual ele chama o Espírito
Santo de "Consolador" "que eu da parte do Pai vos hei-de
enviar aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim"
(Jo. 15, 26). "E quando Ele vier, convencerá
o mundo do pecado, e da justiça e do juízo; do pecado porque não crêem em mim;
da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; e do juízo porque já
o príncipe desse mundo está julgado" (Jo.
16, 18-11).
B - O Apóstolo
Pedro fala do Espírito como Deus nas palavras dirigidas a Ananias, que
havia escondido o preço de sua propriedade: "porque encheu Satanás o
teu coração para que mentisses ao Espírito Santo... Não mentiste aos homens,
mas a Deus" (Act. 5, 3-4).
A respeito da igualdade de honra e Unicidade da
Essência do Espírito Santo como Pai e o Filho existe o testemunho de passagens
como "Baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"
(Mat. 28, 19).
"A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor
de Deus Pai, e a comunhão do Espírito Santo seja com vós todos" (2 Cor. 13, 13). Aqui todas
as três Pessoas da Santíssima Trindade são mencionados como iguais. E nas
seguintes palavras o próprio Salvador expressa a dignidade Divina do Espírito
Santo: "E se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem,
ser-lhe-á perdoado, mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será
perdoado nem neste século nem no futuro" (Mat.
12, 32).
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)