SÃO CIPRIANO

Bispo de Cartago
e Mártir (+258)
Táscio Cecílio Cipriano nasceu no norte da África,
provavelmente em Cartago, entre os anos 200 e 210 d.C. Filho de família
abastada, recebeu formação superior, dedicando-se à oratória e advocacia.
Converteu-se ao Cristianismo, já adulto, por volta de 245. Três anos depois foi
eleito bispo de Cartago. Foi degolado nas imediações da cidade, na presença de
grande multidão de cristãos e pagãos, aos 14 de Setembro de 258, durante a
perseguição de Valeriano.
A Igreja na época de São Cipriano vivia
intenso fervor. As sangrentas perseguições, que desde Nero (ano 64 d.c.) a sacudiam, somente faziam aumentar o fervor, e os
mártires entregavam suas vidas com amor e fé.
Mesmo com todo este fervor, surgiam grupinhos de
hereges que, desejosos de 'autonomia', pregavam uma doutrina diferente da dos
Apóstolos e dos Bispos da Santa Igreja de Cristo. Para combater estas heresias,
Cipriano divulga por volta do Outono do ano de 251, como ele mesmo diz, um
livrinho de conduta cristã denominado: "Catholicae
Ecclesiae Unitate" - "A Unidade da Igreja Católica".
São maravilhosas as palavras de São Cipriano. Ele
demonstra uma clareza de ideias e um espírito decidido na meta que almeja
alcançar. Homem de Deus, baseou-se totalmente nas
escrituras para defender a unidade da Igreja Católica, o Primado
de Pedro, e outras Santas Doutrinas recebidas directamente dos
Apóstolos.
No dia décimo oitavo das calendas de Outubro pela
manhã, grande multidão se reuniu no campo de Sexto, conforme a determinação do
procônsul Galério Máximo. Este, presidindo no átrio Saucíolo, no mesmo dia
ordenou que lhe trouxessem Cipriano. Chegado este, o procônsul interrogou-o:
"És tu Táscio Cipriano?" O bispo Cipriano respondeu: "Sou".
O procônsul Galério Máximo: "Tu te
apresentastes aos homens como papa do sacrílego intento?" Respondeu o
bispo Cipriano: "Sim".
O procônsul Galério Máximo disse: "Os
augustíssimos imperadores ordenaram-te que te sujeites às cerimónias".
Cipriano respondeu: "Não o faço".
Galério Máximo disse: "Pensa bem!" O bispo
Cipriano respondeu: "Cumpre o que te foi mandado; em causa tão justa, não
há que discutir".

São Cipriano, detalhe de um mosaico do século VI que representa a procissão dos mártires, na Basílica de Santo Apolinário Novo, Ravena
Galério Máximo deliberou com o seu
conselho e, com muita dificuldade, pronunciou a sentença, com esta palavras:
"Viveste por muito tempo nesta sacrílega ideia e agregaste muitos homens
nesta ímpia conspiração. Tu fizeste-te inimigo dos deuses romanos e das sacras
religiões, e nem os piedosos e sagrados augustos príncipes Valeriano e Galieno,
nem Valeriano, o nobilíssimo César, puderam reconduzir-te à prática de seus
ritos religiosos. Por esta razão, por seres acusado de autor e guia de crimes
execráveis, tu tornar-te-ás uma advertência para aqueles que agregaste a ti em
teu crime: com teu sangue ficará salva a disciplina". Dito isto, leu a
sentença: "Apraz que Tarcísio Cipriano seja degolado à espada". O
bispo Cipriano respondeu: "Graças a Deus!"
Após a sentença, o grupo dos irmãos dizia:
"Sejamos também nós degolados com ele". Por isto houve tumulto entre
os irmãos e grande multidão acompanhou-o. E assim Cipriano foi conduzido ao
campo de Sexto. Ali tirou o manto e o capuz, dobrou os joelhos e prostrou-se em
Oração ao Senhor. Retirou depois a Dalmática, entregando-a aos diáconos e ficou
de alva de linho e aguardou o carrasco, a quem, quando chegou, mandou que os seus
lhe dessem vinte e cinco moedas de ouro. Os irmãos estenderam diante de
Cipriano pano de linho e toalha. O bem-aventurado quis vendar os olhos com as
próprias mãos. Não conseguindo amarrar as pontas, o presbítero Juliano e o
subdiácono Juliano fizeram-no.
Desde modo morreu o bem-aventurado Cipriano. Seu
corpo, por causa da curiosidade dos pagãos, foi colocado ali perto, de onde,
durante a noite, foi retirado e, com círios e tochas, hinos e em grande
triunfo, levado ao cemitério de Macróbio Candiano, administrador, existente na
via Mapaliense, junto das piscinas. Poucos dias depois, morreu o procônsul
Galério Máximo.
Mártir santíssimo Cipriano foi morto, no dia décimo
oitavo das calendas de Outubro, sob Valeriano e Galieno imperadores, reinando,
porém, Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem a honra e a glória pelos séculos dos
séculos. Amém.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)