SÃO PIO X
(Giuseppe Melchiorre Sarto)

São Pio PP X, (Giuseppe Melchiorre Sarto), nascido
em Veneza em 1835. Transcorridos os 11 dias de orações, prescritos para
sufrágio da alma do Papa Leão
XIII, recém-falecido, os Cardeais da Santa Igreja (em número de 62,
na época) iniciaram o Conclave - reunião do Colégio
Cardinalício com o objectivo de eleger o novo Papa. Os primeiros escrutínios
indicavam a escolha do Cardeal Rampolla - que fora
colaborador directo de Leão XIII. Mas no dia 1º de Agosto foi comunicado
aos Cardeais, no Conclave, o veto do Imperador da Áustria, Francisco José. Veto
que, segundo uma tradição, poderia ser exercido pelo Imperador austríaco. Devido
a isso, o Cardeal Giuseppe Sarto, de Veneza, passou a ser o preferido.
Entretanto, num exercício de autêntica humildade, pedia aos Cardeais que nele
não votassem. Mas ele era o escolhido também pela Divina Providência. No sétimo
turno da votação, o Cardeal Sarto, por insistência de vários de seus pares no
Sacro Colégio, acabou aceitando (é bom recordar o papel fundamental
representado pelo então Monsenhor Merry del Val (mais tarde Cardeal) para
convencer o Cardeal Sarto a aceitar o resultado da eleição) e foi eleito o 259º
sucessor de São Pedro, por 50 votos a seu favor, no dia 4 de Agosto de 1903. O
Cardeal Sarto, de cabeça baixa, ouviu o resultado do sufrágio. Segundo o
costume, aproximou-se dele o Cardeal Decano e perguntou-lhe se aceitaria ou não
a eleição à Sede Pontifícia. Com os olhos banhados em lágrimas, e a exemplo de
Nosso Senhor Jesus Cristo, respondeu: “Se não for possível afastar de mim esse
cálice, que se faça a vontade de Deus. Aceito o Pontificado como uma cruz”.
Após cinco dias, teve lugar a grandiosa cerimónia de coroação do sucessor de
São Pedro, para a glória da Santa Igreja. O glorioso, árduo e fecundo
Pontificado deste Vigário de Cristo durou 11 anos. Nesse período, foram
lançados mais de 3000 documentos oficiais, com o objectivo de Instaurare omnia in Christo - conforme seu lema. E
tem estreita analogia com esta sua afirmação: “Se alguém pedir uma palavra de
ordem, sempre daremos esta e não outra: Restaurar todas as coisas em Cristo”.
Nesse sentido de restaurar todas as coisas em Cristo, foram numerosas e
admiráveis as obras empreendidas pelo Santo Pontífice para defender a
Civilização Cristã gravemente ameaçada. Em seu esplêndido livro de memórias, o
Cardeal Merry del Val, Secretário de Estado de São Pio X, enumera de passagem
algumas dessas obras: “A reforma da Cúria Romana; a fundação do Instituto
Bíblico; a construção de seminários centrais e a promulgação de leis para a
melhor disciplina do clero; a nova disciplina referente à primeira comunhão e à
comunhão frequente; o restabelecimento da música sacra; a vigorosa resistência
movida contra os fatais erros do chamado modernismo e a corajosa defesa da
liberdade da Igreja na França, Alemanha, Portugal, Rússia e outros países, sem
aludir a outros actos de governo, justificam certamente que Pio X tenha sido
destacado como um grande Pontífice e um director humano excepcional. Posso
testemunhar que todo esse enorme trabalho foi devido principalmente e - muitas vezes - exclusivamente à sua própria ideia e
iniciativa. A História haverá de proclamá-lo como algo mais que um Papa cuja bondade ninguém
seria capaz de discutir. Os limites que me impus ao
traçar estas breves Memórias impedem-me de entrar a fundo no estudo das
diversas e importantes questões a que mais acima me referi; mas há uma delas
cuja importância creio merecer especial atenção neste curto relato, e esta é a
compilação do novo Código de Direito Canónico”. O Cardeal, fidelíssimo
Secretário de Estado de São Pio X, passa a narrar o intenso trabalho do Santo
Padre para reorganizar e aprimorar o novo Código, uma vez que o anterior era um
emaranhando confuso, uma legislação que se prestava a diversas interpretações.
Foram 11 anos de trabalho quase ininterrupto, mas ao cabo dos quais a admirável
codificação ficou praticamente pronta nos últimos dias de São Pio X, em 1914.
Seu sucessor, o Papa
Bento XV, rendeu-lhe uma merecida homenagem, promulgando o novo Código
elaborado por seu augusto predecessor. Uma palavra a respeito de uma
característica em que se destacou no mais alto grau São Pio X: sua extrema
bondade, ao lado de uma indomável energia. Sobre isso, nada melhor que darmos a
palavra a quem o conheceu mais de perto, e devotadamente o serviu por 11 anos - seu próprio Secretário de Estado, o Cardeal Merry del Val:
“Seria um grande erro crer que esta característica (a bondade) tão atraente de
Pio X o retratasse plenamente ou resumisse seus dotes e qualidades; nada mais
longe da verdade. Ao lado dessa bondade, e de modo feliz combinada com a
ternura de seu coração paternal, possuía uma indomável energia de carácter e
uma força de vontade que podiam testemunhar, sem vacilação, os que realmente o
conheceram, embora em mais de uma ocasião surpreendesse, e até causasse
estranheza àqueles que somente haviam tido ocasião de experimentar sua
delicadeza e reserva habituais. Mantinha um absoluto senhorio de si e dominava
os impulsos de seu ardente temperamento. Não vacilava em ceder em assuntos que
não considerava essenciais, e até estava disposto a considerar e aceitar a
opinião de outros se isso não implicasse em risco para algum princípio; mas não
havia nele nenhuma debilidade. Quando surgia alguma questão na qual se fazia
necessário definir e manter os direitos e liberdade da Igreja, quando a pureza
e integridade da verdade católica requeriam afirmação e defesa, ou era preciso
sustentar a disciplina eclesiástica contra o relaxamento ou influência
mundanas, Pio X revelava então toda a força e energia de seu carácter e o
intrépido valor de um grande Pontífice consciente da responsabilidade de seu
sagrado ministério e dos deveres que julgava ter que cumprir a todo custo. Era
inútil, em tais ocasiões, que alguém tratasse de dobrar sua constância; toda
tentativa de intimidá-lo com ameaças, ou de afagá-lo com sedutores pretextos ou
recursos meramente sentimentais, estava condenada ao fracasso”. Este santo
varão, que derramava copiosas lágrimas considerando a paixão da Santa Igreja,
era entretanto de uma severidade ímpar contra o mal. Depois de esgotar todos os
recursos ao seu alcance para levar alguém à conversão, severamente condenava.
Estava sempre disposto a perdoar, por assim dizer, maternalmente. Mas se a
pessoa persistisse no erro e, pior, procurasse contaminar outros com seus
desvios, o Santo Papa a reprovava energicamente. Foi o que ocorreu quando
condenou o movimento modernista - “síntese de todas as
heresias”, conforme o definiu -, que se infiltrara sub-repticiamente nas
próprias fileiras católicas, com a finalidade de modernizar, adaptar e deturpar
inteiramente o ensinamento tradicional da Igreja. Assim, o Santo Padre lançou
várias advertências aos mentores desse movimento, os quais não as levaram em
consideração, pois se obstinavam no mal e procuravam corromper outros membros
da Igreja e até mesmo da alta Hierarquia Eclesiástica. Publicou então a sua
estupenda Encíclica «Pascendi Dominici
Gregis», de 08 de Setembro de 1907, fulminando o
modernismo. Tal documento completava a condenação já expressa no Decreto «Lamentabili Sane Exitu», de 03 de
Julho do mesmo ano. Como se pôde observar, vem de há muito a tentativa de
infiltração no interior da Santa Igreja, por parte de inimigos velados ou
declarados, a fim de “modernizar”, adaptar aos novos tempos e adulterar o
Magistério tradicional e infalível da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.
A sua canonização foi feita pois atribui-se à Pio X, ainda em vida, vários
milagres. Relatam que pessoas doentes que tinham contacto com ele curavam-se, e
sobre este facto ele mesmo explicava como sendo "o poder das chaves de São Pedro".
Um dos casos mais formidáveis ocorreu durante uma Missa, quando ordenou a um
Padre que apagasse uma determinada vela do Altar. Ao final, Pio X pegou essa
vela e retirou de dentro uma bomba que fora ali colocada para estourar durante
a Missa. Fala-se também que após sua morte que ocorreu em 20 de Agosto de 1914,
ainda era visto, frequentemente, dentro do Vaticano. Em Maio de 1954 foi
canonizado.
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I da
Hispânea)