"Elvis Presley em Las Vegas"
Data: 21 de junho de 1977 / fonte: "Elvis, the Pelvis - Documento Hist�rico" / Texto: Lu Gomes / Jumpsuit: Mexican Sundial suit / Photo: Lewis Jordan / Local: Rushmore Civic Center, Rapid City.
Vegas na Cabe�a - O dia est� quase amanhecendo quando o avi�o Lisa Marie aterriza no aeroporto de Las Vegas e � rodeada por limusines escuras e um caminh�o para a bagagem dos acompanhantes. Todos deixam o avi�o antes de Elvis, que � sempre o �ltimo a subir a bordo e o �ltimo a desembarcar. A su�te imperial do Las Vegas Hilton, no 30� andar do hotel, j� foi preparada anteriormente por seus valetes reais. Elvis leva muita bagagem, nada menos do que 52 malas. No quarto, a cama foi trocada por uma tamanha "king size" e aos seus p�s foi instalada uma TV com videocassete. A seguir, � a vez da biblioteca de Elvis: 250 volumes sobre temas diversos, ocultismo, discos voadores, religi�o. Seus preferidos: "A vida impessoal" e "Autobiografia de um Yogue". No criado mudo ficam a B�blia e o "Physician's Desk Reference", um dicion�rio m�dico ilustrado, com verbetes sobre todos os comprimidos existentes no mercado. Para completar v�rias revistas de m�sica e artes marciais, com destaque para as de carat� e kung fu.
A seguir instala-se um sistema de som para que Elvis possa escutar sua cole��o de discos. Seu gosto musical n�o mudou nada em vinte anos - ele ainda gosta dos quartetos vocais de gospel, como o Golden Gate e o Harmonizing Four, e os cantores Billy Eckstine, Roy Hamilton, Roy Orbison e Brook Benton. O r�dio � sintonizado na esta��o local de m�sica country. O �ltimo detalhe � o trof�u que Elvis ganhou na c�mara de com�rcio dos Estados Unidos, ao ser escolhido um dos dez jovens de maior destaque da Am�rica. Este pr�mio encheu-o de orgulho e, ao receb�-lo, Elvis agradeceu assim: -"Eu, eu... gostaria que voc�s soubessem que eu me tornei o her�i das hist�rias em quadrinhos. Eu via os filmes e fui o her�i desses filmes. Todo sonho que sonhei tornou-se realidade uma centena de vezes".
Elvis odeia estar em Las Vegas mais uma vez. Ao longo dos anos a infinidade de excurs�es simplesmente esgotou f�sica e emocionalmente o cantor. As pessoas cochicham que ele est� seriamente doente, e � verdade - sua doen�a chama-se t�dio. Elvis j� fez isso tantas vezes em tantos lugares diferentes para tantas plat�ias ao longo dos anos que agora tudo o deixa entediado. Para escapar do t�dio das su�tes dos hot�is entre os shows, Elvis �s vezes dava tiros!
Ele pegava uma pistola ou um rifle, apontava para o objeto de sua f�ria e disparava. Por esse motivo, os valetes reais checavam constantemente todas as suas armas, para ter certeza de que a primeira c�mara estava vazia. Se n�o fosse por essa preocupa��o, certamente algumas pessoas teriam sido mortas, por acidente, por Elvis Presley. Todavia, seu alvo preferido era qualquer aparelho de TV que n�o estivesse funcionando direito ou que estivesse passando algum programa de que ele n�o gostasse. Para que ningu�m tomasse conhecimento desses fatos, todos os televisores que Elvis explodia a tiros eram comprados e levados para Graceland. Segundo o bi�grafo Albert Goldman, era poss�vel saber qual tinha sido o astral de Elvis durante uma excurs�o, simplesmente contando-se o n�mero de televisores destru�dos que eram desembarcados de seu avi�o particular quando de volta ao lar.
Mas, agora ele estava de volta a "cidade do pecado" mais uma vez. Tinha que cumprir seus contratos. Logo Elvis se dirige ao Hotel; cercado de seguran�as ele entra em seu carro real. Ao seu lado, no banco de tr�s do luxuoso carro, a namorada Linda. Quando Elvis entrar na su�te, tudo dever� estar �s escuras e o ar condicionado funcionando � toda, embora a manh� esteja linda e agrad�vel. Da mesma forma que o Conde Dr�cula quando volta ao seu caix�o, Elvis tamb�m n�o gosta de nenhuma luz - apenas a escurid�o e a frieza de uma tumba. Sua maleta � colocada ao lado direito da cama, para acesso f�cil.
Nesta pequena maleta, na primeira gavetinha, ficam suas p�lulas e seus rem�dios. Em outras gavetas ficam suas j�ias e sua carteira, sua licen�a de motorista, seus cart�es de cr�dito, geralmente dez mil d�lares em dinheiro e uma ins�gnia policial azul e dourada que Elvis ganhou quando foi nomeado agente especial do FBI de narc�ticos e drogas perigosas, pelo presidente Richard Nixon. Ironicamente, essa credencial, uma das mais importantes dos Estados Unidos, fica bem abaixo de todas aquelas drogas receitadas ilegalmente pelo m�dico de Elvis, o Dr Nick (nos anos 80 um f� de Elvis deu um tiro no peito do m�dico, o acusando de ter matado o cantor). Depois de se livrar do robe e das duas 45, Elvis senta-se na cama e Hamburguer James descal�a suas botas, retirando a pequena Derringer de dois tiros. A seguir, Elvis engole uma m�o cheia de p�lulas para dormir, bebe um pouco de �gua da garrafa e, assim que se p�e confort�vel, seu valete lhe traz alguns cheeseburgueres para comer. Depois, � hora de dormir. Elvis deita-se, Linda senta-se num canto da cama e come�a a ler com voz suave um trecho do livro "O Profeta" de Kahlil Gibran. Mas ele ainda deseja ir ao banheiro.
Linda Thompson o ajuda a se levantar. De novo na cama, ela abre a b�blia e l� a passagem favorita de Elvis, Cor�ntios I, 13: "Ainda que eu fale as l�nguas dos homens e dos anjos, se n�o houver amor serei como o bronze que soa ou como o c�mbalo que retine". Elvis parece uma crian�a ouvindo sua hist�ria de ninar preferida. Ele conhece de cor todos esses vers�culos e fica murmurando-os em un�ssono com Linda, principalmente a �ltima parte: "Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino... quando me tornei homem, desisti das coisas de menino" Logo, Elvis perde a consci�ncia e dorme.
"From Elvis Presley Boulevard"
Data: 25 de junho de 1977 / fonte: "Elvis, the final years" / Texto: Pablo Alu�sio / Jumpsuit: Mexican Sundial suit / Photo: Steven Willis / Local: Kalamazoo.
From Elvis Presley Boulevard, Memphis, Tennessee - Este � o pen�ltimo LP da carreira de Elvis Presley. Em 1976 o cantor j� caminhava tragicamente para sua morte que iria ocorrer no dia 16 de Agosto de 1977 em Graceland, sua mans�o em Memphis. O disco traz o nome da rua onde estava situada sua casa, que em sua homenagem passou a se chamar "Elvis Presley Boulevard". Elvis estava muito debilitado quando gravou este LP. As drogas estavam mais presentes do que nunca em sua vida tomando o controle sobre suas a��es e sua mente. Deste modo o cantor se recusava a entrar em qualquer est�dio, seja em Nashville ou Memphis. A solu��o encontrada pela RCA foi montar um car�ssimo est�dio de grava��o em Graceland para o recluso astro gravar novas can��es. E foi assim que Elvis gravou este LP: Todas as can��es foram gravadas nos sal�es de Graceland com uma unidade m�vel instalada nos jardins da mans�o. As "sess�es" foram muito confusas pois o cantor n�o descia para gravar levando seus m�sicos a ficarem hospedados em sua casa enquanto ele decidia se gravava ou n�o. Quando finalmente apareceu estava de p�ssimo humor reclamando do equipamento e apontando seu Rev�lver para as caixas de som soltando palavr�es pelo "est�dio". Ele realmente tinha perdido todo o interesse pelo disco. Dias depois se acalmou e o produtor Felton Jarvis conseguiu gravar algumas m�sicas entre os dias 2 e 7 de fevereiro. Foi lan�ado um single extra�do deste disco em mar�o de 1976: "Hurt / For the Heart" alcan�ando um relativo sucesso. O LP foi lan�ado em maio levando o Rei a receber mais um disco de ouro em sua carreira. Mesmo abusando de drogas Elvis Presley se tornava cada vez mais famoso!!!
Single nas lojas: Hurt (Crane/Jacobs) - Sucesso do cantor Jimi Huro em 1961. Esta vers�o de Elvis � o carro chefe do disco e tamb�m a principal can��o do �nico single extra�do do LP. � uma bela can��o que mostra a maturidade vocal alcan�ada pelo cantor em seus anos finais. Pode-se dizer que Elvis se aproximava cada vez mais do estilo de seu �dolo de inf�ncia: Mario Lanza. "Hurt" foi gravada no dia 5 de Fevereiro de 1976.
For The Heart (Dennis linde) - Country do mesmo autor de um dos maiores sucessos de Elvis Presley nos anos setenta "Burning Love". Esta can��o foi lado B do single "Hurt" que foi lan�ado em mar�o de 1976. A m�sica recebeu novos instrumentos na sua mixagem o que sem d�vida deu maior consist�ncia a sua melodia. Ela foi gravada no dia 5 de Fevereiro na "Sala das Selvas" em Graceland.
Destaques do disco: Danny Boy (Weatherly) - M�sica que faz parte do folclore irland�s composta no in�cio do s�culo sendo gravada diversas vezes por in�meros int�rpretes. Era mais conhecida por "Londoderry Air". Era uma das preferidas do pai do cantor, Vernon Presley, e talvez por esta raz�o Elvis a tenha gravado. O novo arranjo ficou bel�ssimo e a interpreta��o do cantor figura entre as melhores de toda a sua carreira. Aqui fica registrada para sempre um momento �nico de um artista singular que soube como poucos se expressar atrav�s de sua arte transmitindo emo��es em forma de notas musicais. A mais recente vers�o fez parte do filme "Memphis Belle - A fortaleza voadora".
Blues Crying In The Rain (Rose) - Grande momento do disco. Country delicioso em que Elvis parece demonstrar que apesar de todos os problemas, ele ainda era capaz de cantar de forma maravilhosa. O Acompanhamento vocal ficou simplesmente magn�fico contando mais uma vez com J.D.Summer and the Stamps, Myrna Smith e Kathy Westmoreland. No dia de sua morte Presley sentou-se ao piano e cantou esta can��o para alguns amigos seus, deste modo esta pode ser considerada uma das �ltimas m�sicas que o Rei do Rock cantou em sua vida. A vers�o definitiva foi gravada em 7 de Fevereiro de 1976.
