Elvis Presley
CBS Studios

Pablo Alu�sio



"RCA Victor Studios" - Parte II
Data: 09 de setembro de 1956 / Fonte: "Day by Day" de Ernst Jorgensen e Peter Guralnick / Texto: Pablo Alu�sio / Photo: Today, Tomorrow and Forever / Local: CBS Studios, Los Angeles. Elvis (1956) - Em setembro de 1956 Elvis entrou em est�dio para gravar seu segundo LP. O clima era bem diferente daquele que ele enfrentou na grava��o de seu primeiro disco, as coisas agora seriam diferentes. Para come�ar Elvis deixava de ser apenas uma promessa para a RCA, ele havia se tornado o bem mais precioso da milion�ria gravadora, tratado com todo o respeito e rever�ncia. Com o sucesso de seu primeiro �lbum Elvis deixou de ser apenas "um garoto metido" e sua m�sica n�o era mais apenas uma piada nos corredores da multinacional. Elvis rapidamente se tornou o maior vendedor de discos da Victor, deixando nomes consagrados para tr�s. E isso tudo aconteceu em um curto espa�o de tempo, na verdade Elvis deixou de ser um artista desconhecido e sua fama se tornou mundial em apenas poucos meses, praticamente da noite para o dia. Pode ter certeza que tudo iria mudar de agora em diante. A RCA resolveu mudar seu modo de lidar com Elvis, todos seus desejos e exig�ncias seriam atendidas sem a menor contesta��o, a gravadora inclusive deu carta branca para Elvis mudar de produtor, j� que Steve Sholes n�o havia se dado muito bem com o cantor nas grava��es do disco anterior. Mas Elvis n�o fez nada, n�o exigiu a dispensa de Sholes e nem mudou sua postura se tornando arrogante ou algo parecido, Elvis continuou como antes. Na realidade ele s� queria uma coisa: que o deixassem em paz para ele produzir seus discos e escolher a sele��o das m�sicas de seu segundo trabalho. Scotty Moore relembra: "Elvis n�o iria despedir Steve Sholes, apesar dele ter sido um pouco grosseiro nas primeiras grava��es. Elvis n�o iria se sentir bem mandando algu�m para o olho da rua, n�o era o estilo dele". Sholes ficou, mas ficou em segundo plano. Elvis iria trazer outras pessoas de sua confian�a para ajudar nas grava��es como os compositores Leiber e Stoller e iria ouvir mais seus m�sicos, inclusive Chet Atkins que ele conheceu na Victor mas que sempre trazia boas sugest�es para os takes. Curiosamente nos anos seguintes, com o afastamento de Sholes por motivos de sa�de, Atkins iria se tornar o verdadeiro produtor de Elvis na RCA. Elvis tomou outra decis�o diminuindo o n�mero de instrumentistas nas sess�es, sendo que a partir de agora seriam apenas cinco m�sicos (Scotty, Bill, D.J. Elvis e os Jordanaires). Como n�o haveria um pianista fixo, ele pr�prio, Elvis, iria se tornar, ao lado de Gordon Stocker dos Jordanaires, o pianista dessas sess�es. De certa maneira Elvis ficou sobrecarregado, pois ele iria produzir o disco, tocaria viol�o e guitarra e ainda teria que ser o dono dos teclados durante as grava��es. Mas Elvis n�o se importou, para ter mais controle ele tamb�m teria que assumir mais responsabilidades. S� mais um coisa: Elvis pediu um est�dio melhor, pois tocar em uma sacristia n�o era bem o seu lugar preferido para gravar m�sicas. Sugest�o prontamente aceita pelos executivos da major americana. Como a RCA n�o tinha um est�dio decente em Nashville e nem em Memphis o jeito foi levar todos para a costa oeste, para Hollywood, para que o disco fosse gravado no melhor est�dio da gravadora: o Radio Recorders. No come�o a RCA sugeriu seus est�dios em Nova Iorque, mas Elvis j� tinha gravado por l� e achava que ir para Hollywood seria melhor. D.J. relembra: "Na verdade quer�amos ir para o Radio Recorders, um est�dio de grava��o com o melhor em recursos t�cnicos". Com tudo acertado Elvis continuou sua s�rie de shows e apari��es na TV americana. Parou uns dias em casa para descansar e ensaiar ao piano as principais can��es do disco. Depois juntou a turma e seguiram viagem para Los Angeles, onde seriam realizadas as grava��es de "Elvis", seu antol�gico segundo disco. O grupo entrou em est�dio para aquela que seria a sua primeira sess�o verdadeira na RCA Victor. Em apenas tr�s dias ele gravaria 13 m�sicas, um recorde absoluto. Com o controle dentro dos est�dios Elvis imp�s seu modus operandi. Cada sess�o come�ava com algumas can��es gospel conhecidas, com todos os m�sicos em sua volta formando um c�rculo. Isso podia durar minutos ou horas. As can��es eram testadas do pop ao R&B. As m�sicas eram repetidas insistentemente. Na hora de ouvi-las, se Elvis gostava, fazia um sinal com a cabe�a mostrando que queria ouvir novamente. Se n�o, simplesmente passava o indicador sobre a garganta. A RCA queria que Elvis gravasse "Rock Around The Clock" de Bill Halley, mas Elvis logo a descartou. Tamb�m rejeitou v�rias outras como "I Almost Lost My Mind", "Your Secret's Safe With Me" e "Rock'n'Roll Ruby". Chegou a ensaiar "Mulberry Rush" mas logo desistiu dela tamb�m. Ao inv�s dessas Elvis se concentrou em composi��es de Leiber e Stoller como "Love Me" e de Blackwell como "Paralyzed". Gravou ainda uma can��o de Chet Atkins e outra de um autor desconhecido de Nova Iorque, Ben Weisman. Mais tr�s m�sicas que foram sucesso com Little Richard e uma velha can��o de Willie Walker e Gene Sullivan chamada "When My Blue Moon Turns Gold Again". Depois foi at� ao piano e gravou uma vers�o de "Old Shep", balada sobre a amizade de um garoto e seu cachorrinho. Ecletismo � a palavra chave para descrever essa maravilhosa sess�o de grava��o. A grande diferen�a em rela��o ao disco anterior � que Elvis e sua equipe conseguiram recriar a atmosfera das grava��es da Sun Records. Produziram material da mesma qualidade. Com isso todos ficaram satisfeitos. Mas Elvis n�o parava e n�o se mostrava cansado, ele ouvia as can��es in�meras vezes, tentando extrair o m�ximo que podia de cada m�sica. Bones Howe, assistente do engenheiro de grava��o Thorne Nogar disse que Elvis "ficava trabalhando muito tempo numa m�sica, e seu crit�rio era ter uma boa sensa��o ao ouvir as demos. Ele n�o se importava com pequenos erros. Estava interessado em extrair uma certa magia das can��es. As sess�es sempre eram diferentes e divertidas, havia muita energia, ele sempre estava fazendo algo inovador" Elvis terminou sua participa��o na madrugada do dia 3 de setembro. O disco chegaria nas lojas um m�s depois, ocupando a primeira posi��o em 46 pa�ses diferentes ao redor do mundo, um sucesso digno de um Rei, de um Rei do Rock.

"O Disco de Natal de Elvis"
Data: 15 de dezembro de 1957 / fonte: "Elvis Presley 50th Anniversary Magazine" / Texto: Pablo Alu�sio / Photo: Rick Stransberg / Local: Graceland, Memphis. Em 1957 Elvis j� havia se tornado uma celebridade internacional e um sucesso incontest�vel. Havia estrelado tr�s filmes de enorme �xito comercial, "Love Me Tender" (ama-me com ternura, 1956), "Loving You" (a mulher que eu amo, 1957) e "Jailhouse Rock" (o prisioneiro do rock, 1957) e estava liderando a parada dos Estados Unidos com tr�s singles que se revezavam no primeiro lugar: "All Shook Up / That's When Your Heartaches Begin", "Teddy Bear / Loving You" e "Jailhouse Rock / Treat Me Nice". Al�m disso estava em primeiro lugar tamb�m com o Extended Play (compacto especial com cinco m�sicas) contendo toda a trilha sonora do filme "Jailhouse Rock" (exceto "Treat me Nice"). E havia atingido a Segunda coloca��o da Top 100 da Billboard com o single "Too Much / Playing For Keeps". Realmente ele estava na crista da onda e num dos mais f�rteis per�odos de sua carreira. Por�m nem tudo eram flores pois Elvis estava sendo atingido de modo implac�vel pela imprensa norte americana que o criticava em diversos artigos. A quest�o era que Elvis era chocante demais para a �poca. Vendo toda esta situa��o o empres�rio de Elvis, o Coronel Tom Parker, pensou num modo de melhorar a sua imagem perante o setor mais reacion�rio da sociedade americana. E foi visando este objetivo que o Coronel e os executivos da RCA bolaram este disco natalino que procurava antes de tudo melhorar a situa��o de Elvis perante o p�blico conservador. Foi uma jogada de risco e sem d�vida surtiu algum efeito positivo. O disco acabou se tornando um enorme sucesso de vendas atingindo rapidamente o primeiro lugar da parada quando lan�ado em novembro de 1957. Entre as principais m�sicas do LP "Elvis Christmas Album" (LOC 1035) temos: Destaques do disco: Santa Claus Is Back In Town (Jerry Leiber / Mike Stoller) � Blues composto pela dupla de compositores mais importante da carreira de Elvis. Com destacado acompanhamento dos Jordanaires esta can��o tem bom ritmo e desenvolvimento. Ela foi composta �s pressas depois que o coronel divulgou seu projeto de colocar o rei para cantar m�sicas de natal. A correria n�o prejudicou os resultados, apesar do baixista Bill Black Ter sido criticado por errar durante as sess�es. Elvis n�o dispensou a inclus�o de uma de suas paix�es na letra ao se referir a "um cadillac preto que traria papai noel de volta � cidade..." . Foi gravada em 7 de setembro de 1957. Here Comes Santa Claus (Gene Autry / Haldeman/Melka) � Ponto alto do disco e talvez a melhor m�sica deste trabalho. Originalmente gravado pelo cowboy cantor Gene Autry nos anos 40. Elvis aqui adapta esta deliciosa can��o e acrescenta um sabor novo e moderno a uma antiga m�sica de natal. Foi lan�ada tamb�m em um compacto duplo denominado "Christmas With Elvis" juntamente com outras m�sicas deste LP em Dezembro de 1957. Foi gravada em 6 de setembro de 1957. Silent Night (Franz Gruber / Joseph Mor) � Esta � a famosa can��o de natal "Noite Feliz". Sem d�vida � um dos momentos mais belos de toda a carreira de Elvis, sua vers�o � bel�ssima e faz jus a este cl�ssico natalino. � uma p�rola de natal, sendo um dos pontos mais emocionantes de todo o disco. Sem d�vida um grande momento do Rei.


Fotos do m�s Elvis Presley (Pablo Alu�sio) - contato: [email protected] - dezembro de 2003

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