Elvis Presley Biografia

Pablo Alu�sio




(Elvis Presley, a vida, a m�sica e os filmes)
Era uma vez um garoto americano muito pobre chamado Elvis Aron Presley. Quando ele nasceu, a 8 de janeiro de 1935, seus pais, Vernon e Gladys n�o tinham nem com que sonhar. Como a imensa maioria da comunidade n�o especializada do Sul, eles se limitavam a sobreviver no limite do poss�vel. E o poss�vel era muito duro. A depress�o tinha devastado o Estado do Mississipi e transformado Tupelo, antigo centro pr�spero de algod�o, numa cidade estagnada e decadente. Numa tentativa de empregar a massa de ex trabalhadores da cultura algodoeira, o governo Roosevelt financiara a instala��o de algumas ind�strias de tecidos r�sticos, lonas, uniformes e cal�as jeans. Gladys Smith Presley, jovem e bem disposta, conseguira uma vaga como costureira em uma dessas f�bricas. Vernon Elvis Presley, criado toda a vida no campo, no trato e na colheita do algod�o, n�o sabia fazer outra coisa: continuou colhendo e arando as terras alheias, cada mais est�reis e devastadas. �s vezes conseguia um emprego tempor�rio, no auge da safra, como ajudante de caminh�o. No inverno, distribu�a leite e tentava aprender carpintaria. Nunca sonhavam, existiam. Como conforto e alegria tinham a igreja da Assembl�ia de Deus.

Eram crentes, austeros e ass�duos na Assembl�ia, para conseguir a salva��o eterna e fugir das chamas do inferno era necess�rio apenas cantar. E, se a salva��o era incerta, o calor dos Spirituals pelo menos ajudava aquela comunidade destro�ada a se manter unida. S� um povo era mais miser�vel que os brancos do bairro leste de Tupelo, os negros de Tupelo. Os pretos de todo o sul. Aos negros era negada at� mesmo a dignidade. Por isso sua m�sica era mais feroz, mais inflamada, seus Spirituals arrebatavam e traziam consigo o transe e a possess�o. Os pretos de Tupelo viviam no outro lado dos trilhos que cortavam o bairro dos brancos pobres. N�o era um conviv�ncia intensa, mas era pac�fica. Afinal, tudo unia fam�lias como os Presleys, a eles: a mis�ria, a falta de perspectiva, o amor pela m�sica, a identidade pelo canto.

Elvis Aron Presley nasceu miser�vel em um mundo repleto de m�sica. Seu irm�o, que iria se chamar Jesse Garon, nasceu morto e foi enterrada numa lata, nos fundos do quintal, da casinha de um quarto, feita de madeira, tijolos de argila e teto de zinco. Gladys concentrou toda sua energia em Elvis. "Para Gladys ele era a coisa mais importante de sua vida", diz uma vizinha. "Ela adorava esse garoto. Deixava de comprar roupas, at� sapatos, para que ele tivesse carne ou galinha pelo menos uma vez por semana. E ela nunca o deixava sozinho, estava sempre por perto, mesmo quando ele brincava com outros garotos. E ela n�o ia a parte alguma sem ele, nem mesmo ao armaz�m. Cada vez que ele se perdia de vista, nas brincadeiras com os outros garotos moleques, ela sa�a gritando seu nome, chorando e desesperada at� encontr�-lo". Na medida do poss�vel para uma fam�lia que se alimentava basicamente de feij�o e milho e comprava uma pe�a de roupa e um par de sapatos a cada seis meses, Elvis cresceu mimado e cercado de aten��es. Para contrabalan�ar, Vernon e Gladys lhe legaram o lado mais austero e duro de sua forma��o protestante.

From Tupelo to Memphis
Ensinaram-lhe a jamais se dirigir a palavra, de forma n�o respeitosa, a uma pessoa mais velha; deveria chamar a todos de "senhora" e "senhor", trabalhar sempre, sorrir muito raramente. Roubar, nunca. "Uma vez Elvis achou uma garrafa de Coca Cola no meu muro e a levou para casa" lembra a mesma vizinha. "Quando Gladys soube, deu-lhe uma surra antes mesmo que ele pudesse se explicar. Mesmo quando eu intervim e disse que a garrafa n�o era de ningu�m, ela continuou a repreender Elvis por n�o ter perguntado antes". O menino Elvis aceitava tudo. Era um menino muito bom. Mais tarde ele lembraria agradecido. "Meus pais me deram a melhor forma��o do mundo, me mostraram o que era certo e o que era errado. Na �poca eu n�o entendia quando mam�e me batia por ter sumido de sua vista, eu achava que ela n�o me amava". Com cinco anos o bom menino se iniciou no mundo da cidade e da m�sica. � cidade, sua m�e o levava para assistir �s aulas da Escola p�blica (ela levaria Elvis � aula at� a idade de 15 anos). A m�sica veio naturalmente, nos servi�os da Assembl�ia de Deus, nos piqueniques com os vizinhos, no r�dio ouvido solenemente ao cair da tarde, cadeiras no quintal, os av�s no centro, Elvis num tamborete aos p�s de Gladys. Para Gladys e Vernon, a m�sica era um al�vio. Para Elvis, um sonho: muito jovem para medir a extens�o de sua pobreza, ele tinha o direito de sonhar. Ficava extasiado com os microfones, com as roupas brilhantes de cetim e franjas dos cantores country, nas feiras e mafu�s. Ficava entretido e ausente, ouvindo os negros tocarem banjo e harm�nica na beira do rio, nos dias de pescaria. Os Spirituals o deixavam fora de si.

Por isso quando a professora do grupo escolar perguntou � classe se algu�m sabia rezar, o loiro e s�rio Elvis Aron levantou a m�o e disse que sabia cantar. E cantou, seguro e sentido, uma velha balada, "Old Sheep". Para ele, cantar e rezar era a mesma coisa: m�gica saborosa que deixava e tornava os dias diferentes. A professora, chorosa e comovida, levou o pequeno Elvis para um concurso de talentos na feira de amostras. E ele ganhou o segundo lugar e cinco d�lares. Guardou o dinheiro e, no seu d�cimo anivers�rio, somou-o �s economias de Vernon para comprar um viol�o de 13 d�lares. E come�ou a aprender a m�gica. Com um jeito que seu tio e professor, Vester Presley, considerou "surpreendente", ele aprendeu os acordes b�sicos. E se p�s a tocar e cantar, a resumir no seu viol�o o mundo de sons que ouvia � sua volta. Os hinos da Igreja, Elvis sabia de cor. As baladas e quadrilhas que ele ouvia no r�dio e nas feiras com seus �dolos country - brilhantes, faiscantes - Jimmie Rodgers, Bob Willis, Ted Daffan. E os blues rurais, t�o �speros e sentidos, de Big Bill Broonzy, Otis Spahn, Bukka White, John Lee Hooker, Howlin Wolf, que os pretos do outro lado dos trilhos preservaram em sua integridade. Para Elvis Aron, n�o havia distin��o alguma: tudo era m�sica, tudo era m�gica.

Quando Elvis fez 13 anos, seus pais decidiram abandonar Tupelo, procurando uma vida melhor em Memphis, capital do Tennessee, centro vital do sul. "N�s est�vamos sem um tost�o", ele diria mais tarde. "Tudo o que a gente tinha coube nuns poucos caixotes que papai amarrou no teto do seu Plymouth 1939. E sa�mos para Memphis assim, sem saber de nada, sem conhecer ningu�m, s� na esperan�a de que as coisas iriam melhorar". N�o melhoraram muito. Ap�s um per�odo duro morando numa cabe�a de porco, todo o progresso que Vernon Presley conseguiu foi alojar sua fam�lia num conjunto habitacional do governo. L�, pelo menos, havia dois quartos, um banheiro e uma cozinha pr�pria. Gladys come�ou a trabalhar como ajudante de enfermagem, Vernon se empregou como encaixotador numa f�brica de tintas e Elvis foi para a Humes School. "Era uma escola pobre, uma escola para pobres", diz um colega de Elvis "Ningu�m estudava muito, tamb�m n�o havia muito o que estudar". Talvez a pobreza tenha come�ado a incomodar Elvis. Para escapar do t�dio sufocante da vida entre o conjunto habitacional e a escola, ele jogava futebol (em geral com um time de pretos da escola negra), ouvia r�dio, tocava, cantava, tocava e ia levando a vida. E guardava dinheiro para comprar roupas.

A juventude de Elvis: brilhantina e Rock'n'Roll
"Elvis era muito diferente da gente", diz Red West, um colega da escola. Ele usava um cabelo muito mais comprido que n�s e costeletas, o que na �poca era coisa de negros e caipiras. Ele se amarrava em roupas berrantes, brilhantes, cetim preto e rosa, por exemplo. Nenhum de n�s usava esse tipo de roupa. Era coisa de negro". De fato, Elvis encontrava suas camisas berrantes e cal�as frisadas numa loja para negros, dentro do mesmo gueto. Um caipira? Ele era um caipira: roupas de cetim, franjas e estrelas eram seu jeito de se expressar individualmente num mundo tedioso e cinza. As costeletas? "Eu tinha uma cara muito de garoto, queria parecer mais velho, com jeito de motorista de caminh�o, assim um tipo dur�o, sabe?" Costeletas e roupas chocantes, casacos cor de rosa, jeito de negro, andar de caipira, em plena Memphis dos anos 50, Elvis estava forjando, sem saber, uma identidade pr�pria, �nica, t�o misturada nas suas origens quanto sua pr�pria vida e m�sica que gostava de cantar na escola, nos passeios com os amigos, nas festas de fim de semana. Os amigos gostavam daquela m�sica que tinha tantos estilos, alguns como o blues rural, totalmente desconhecidos para eles (o mundo negro e o mundo branco eram entidades completamente separadas nas cidades do sul americano).

Gostavam de ver como o t�mido Elvis se transfigurava atr�s de um microfone. "Ele era incr�vel" relembra uma colega. Ganhava todos os pedidos de bis nas festinhas e nas audi��es. "Cantava de um jeito que fazia a gente chorar, vibrar. As garotas adoravam. Ele era muito boa pinta e dan�ava de um jeito diferente, todo seu". Quando Elvis fez 15 anos ele achou que era hora de procurar um emprego e colaborar para o minguado or�amento da fam�lia. Fez algumas tentativas como lanterninha de cinema e depois como empacotador numa f�brica de latas. Mas Gladys sempre achava que o servi�o era pesado demais para seu pequeno Elvis. Mas, tr�s anos depois, em 1953, as necessidades crescentes da fam�lia - que havia sido despejado do conjunto habitacional por ter passado o teto m�ximo de renda permitido - venceram os instintos protetores da mam�e Presley: Elvis se empregou numa firma de material el�trico como motorista de caminh�o. Elvis ganhava 41 d�lares por semana. A metade ele entregava aos seus pais. A outra metade ele gastava em roupas de cetim, jukeboxes, gasolina para o carro e sal�es de barbearia. "Esse cabelo dele quase me fez negar-lhe o emprego" disse, anos mais tarde, o chefe da Crown Eletric Company "Ele era muito grande, e com costeletas. Mas ele era t�o educado, t�o polido, que eu acabei deixando ele ficar. Ele cuidava muito do cabelo, ia sempre que podia aos sal�es mais sofisticados, para frisar, lavar e aparar os cabelos. E ele tingia tamb�m, usava o cabelo bem preto, na verdade ele era loiro".

Cabelo preto, costeletas, uma cara fechada, uma guitarra jogada no assento ao lado do motorista. Elvis, o dur�o, o rapag�o americano. Na hora do almo�o, comia um sandu�che, sentava na sombra e tocava. Uma tarde de s�bado, resolveu fazer algo diferente. Lembrando o anivers�rio pr�ximo de sua querida mam�e, ele parou o caminh�o numa esquina da rua principal, pegou sua guitarra e entrou no acanhado pr�dio de dois andares que abrigava a Sun Records, uma modesta companhia de discos. Fundada por Sam Phillips, ex DJ de r�dios country. A Sun tinha duas especialidades: Uma era descobrir, gravar e vender artistas locais, artistas de country & Western e, principalmente, m�sicos negros de todos os tipos, de cantores de blues ("os negros s�o os �nicos que preservam a originalidade e a for�a em sua m�sica", Sam costumava dizer); a outra era manter um servi�o de grava��es dom�sticas, dando a namorados e pais corujas a oportunidade de preservar em acetato suas declara��es de amor ou as gracinhas de seus pimpolhos. Esse setor tamb�m tinha uma outra finalidade, al�m de suprir o sempre deficit�rio or�amento da Sun: servia como um meio para esquadrinhar o mercado e descobrir o sonho imposs�vel de Sam Phillips: "O dia em que eu achar um branco que cante com a for�a de um negro, eu vou estar feito". Sam estava mais do que certo: S� encarnado no corpo de um branco, o ritmo negro seria aceito para uma Am�rica que s� agora considerava a possibilidade de uma integra��o.

Elvis Presley e a Sun Records
Marion Keisker, recepcionista da Sun em 55, lembra com detalhes: "foi no come�o da tarde de um s�bado muito atarefado que ele chegou, e eu achei uma figura muito estranha, com aquele cabelo grande. Ele me disse que queria gravar umas can��es para sua m�e e eu perguntei que tipo de m�sica ele cantava. Ele ent�o se virou at� mim e disse: "Eu canto todo tipo de m�sica". Fiquei intrigada e perguntei que tipo de interpreta��o tinha, se era hillbilly (caipira), porque ele tinha um jeito de caipira. Ent�o eu perguntei: "Voc� vai imitar que cantor? Com quem voc� se parece?" Ele me olhou muito s�rio e disse: "Eu n�o me pare�o com ningu�m". Quando Marion come�ou a rodar a fita, ela viu que Elvis estava certo. Ele n�o se parecia com ningu�m. Cantou um sucesso de um grupo negro, The Ink Spots, "My Happiness" e uma balada melosa, favorita de sua m�e: "That's when your Heartaches begin". E seu estilo era um cruzamento perfeito entre o timbre �spero e monoc�rdio dos negros e o gingado, o scat dos cantores brancos rurais. Elvis saiu com o disco para Gladys e Marion foi correndo mostrar a fita para Sam Phillips. Ele n�o ficou muito impressionado. S� quando Elvis voltou, no come�o de 1954, e pediu para fazer outro disco, Sam descobriu o que tinha nas m�os. Assistiu as grava��es e anotou: "Elvis Presley. Bom baladista. Chamar na primeira oportunidade".

A primeira oportunidade demorou um pouco a chegar, mas veio. Em junho desse mesmo ano, Sam comprou em Nashville uma can��o, que exigia um estilo diferente de cantar. E lembrou do "garoto das costeletas". Foi como se Deus o tivesse chamado, lembra Sam. "Ele mesmo atendeu o telefone e disse que tudo estava certo, que j� estava indo para a Sun". E veio mesmo, correndo, fez a p� os seis quarteir�es e chegou bufando, todo vermelho e suado. Eu lhe perguntei: "O que voc� sabe cantar?" e ele disse: "Eu canto de tudo, senhor". E come�ou a cantar spirituals, baladas folcl�ricas, blues e R&Bs. "Pareceu-me um bocado inseguro e eu lhe sugeri que procurasse um grupo de apoio. Ele ent�o me disse que n�o conhecia ningu�m e que contava comigo para arranjar uma banda". Sam marcou uma nova grava��o para dali a duas semanas e ligou para alguns m�sicos amigos seus: o baixista Bill Black, o guitarrista Scotty Moore e o baterista D.J. Fontana. Todos eram experientes m�sicos de bailes, festinhas e feiras do Tennessee. Os m�sicos vieram mas as coisas n�o come�aram muito bem, eles n�o gostaram muito de Elvis. "Ele parecia um garoto metido, um amador. E, depois, aquelas costeletas... ningu�m usava aquilo na �poca. E camisa rosa e negra tamb�m, definitivamente aquilo era coisa de negro", relembra Scotty. Algu�m sugeriu que a banda fosse aumentada, para soar bem country, com violino e pedal steel. Timidamente Elvis balbuciou: "Assim est� bom, o que me importa � o ritmo, assim est� tudo bem, sim senhor".

Um m�s se passou nos est�dios da Sun, com Elvis, Scotty, Bill e D.J. tocando e Sam gravando. Tocavam basicamente melodias country, m�sica de rodeio, baladas, �s vezes um hino, um blues. Aos poucos o gelo inicial foi sendo quebrado. E os tr�s conversando chegaram a um acordo: com o tipo de interesses que tinham, era poss�vel criar um som diferente, um ritmo especial e �nico. Uma noite no intervalo entre v�rios takes de baladas country, Elvis largou a Coca Cola e come�ou a brincar, cantando um R&B de Arthur Grudup: "That's All Right (mama)". Pulava pelo est�dio, dan�ando uma mistura de quadrilha com Be Bop com gin�stica. Scotty, Bill e D.J. aderiram, acelerando o compasso, sinconpando a melodia. Da sala de controle, Sam gritou: "Que diabos � isso? Continuem, pelo amor de Deus, vamos gravar". Do outro lado do avulso "That's All Right" Sam Phillips colocou uma can��o � altura, uma valsinha country, o "Blue Moon of Kentucky", t�o acelerada, t�o ritmada, que era imposs�vel cham�-la de valsa ou country. Em breve isso teria um nome: era o Rockabilly, mistura de Rock, o ritmo b�sico dos negros, com o Hillibilly, a inflex�o mel�dica e instrumental dos caipiras. Com o lan�amento do avulso "That's All Right" come�a o sonho americano de Elvis Aron Presley, o garotinho pobre e bem comportado de Tupelo.

O Nascimento do Rock'n'Roll como o conhecemos
Agosto de 1954, o rock'n'roll, mais um ritmo de dan�a, uma dance craze, do que um propriamente uma linguagem musical, tinha acabado de tomar conta da Am�rica, da juventude americana, mais rica, mais desiludida e mais ociosa que o pa�s jamais conheceu. Elvis Presley ainda n�o sabia, mas ele tinha todos os elementos para se colocar na frente, no alto dessa loucura americana e dar-lhe um car�ter pr�prio, definitivo. Era jovem, pobre e ambicioso. Tinha uma voz potente, el�stica e male�vel como poucos cantores. Era uma figura bonita, machona, sexy, com gosto ex�tico, misto de caipira e criolo. E, o principal, possu�a uma capacidade, quase org�nica, fisiol�gica, para aprender, compreender e moldar todos os principais elementos r�tmicos e mel�dicos da m�sica americana, fosse Hillbilly, Blues rural, country & Western, balada pop, That's what rock'n'roll is all about.

No entanto, muito compreensivelmente, a s�rie de cinco avulsos que a Sun Records produziu com Elvis foi destinada em sua maior parte ao p�blico country. Destino natural para um artista sediado em Memphis, capital mundial do country. De um lado, Elvis gravava sempre uma can��o com sabor country & western e do outro sempre vinha um rythm blues. Em todos, Elvis subvertia o esperado: cantava o blues como um caipira, cantava o country como um negro, ou fundia as duas coisas num sincopado novo. Todos os cinco avulsos foram imediatos e fulminantes sucessos locais, na �rea que vai de Memphis a Nashville. Primeiro tocavam s� em r�dios de negros. Mas depois que, Elvis garantiu que estudara na Humes High School, uma escola s� para brancos, s explos�o foi incontrol�vel. Logo ap�s o primeiro avulso, Elvis se demitiu da firma de utens�lios el�tricos e come�ou a carreira na estrada. Seu empres�rio era o pr�prio guitarrista Scotty Moore, e no come�o n�o foi muito f�cil vender o show de Elvis no circuito country. A lei de integra��o racial nas escolas tinha acabado de entrar em vigor, e era uma chaga aberta no esp�rito segregacionista do Sul. Como explicar e tornar aceit�vel um cantor branco com voz de negro, roupa de negro, m�sica de negro? Como evitar que ele trouxesse o negro para dentro da ass�ptica fam�lia branca americana? A muito custo e jogando com todas as influ�ncias de Sam Phillips, Elvis conseguiu um pequeno n�mero na grande feira de m�sica country de Nashville, a Grand Ole Opry. E foi a� que a fam�lia americana viu que o pior estava por vir.

Elvis e seus m�sicos subiram no palco l� no final do show, ap�s uma s�rie de estrelas country. Cabe�a baixa, ele respondeu �s perguntas do fosforescente apresentador com seu habitual "sim senhor", "n�o senhor". Quase um garoto normal. E ent�o, meio tremendo de medo, come�ou a cantar "That's All Right". Medo, paix�o, adrenalina, come�ou a dan�ar, a girar, a sacudir os quadris. As garotas gritaram, os garotos roeram as unhas, os mais velhos odiaram. Elvis foi banido do Opry. Mas a loucura tinha come�ado. "Na verdade eu estava tremendo feito vara verde" diria ele muito depois, "N�o podia parar de mexer a perna, tinha de disfar�ar. A� sa� dan�ando como costumava fazer em casa e no est�dio. Entre 54 e 56, Elvis e seu trio iam semear a loucura no comportado circuito country do sul. Metidos num furg�o, rolando pelas estradas, tocando em rodeios, p�tios de Igreja, escolas, festivais. Os avulsos da Sun iam vendendo regularmente e Elvis chegara a aparecer pela primeira vez na Billboard. Mas era ali, nas estradas do sul, que a loucura brotava. Eram os garotos, as meninas, os filhos de fazendeiros, vaqueiros da monol�tica classe m�dia sulista que lotavam qualquer local, com chuva ou sol, para ver Elvis requebrar, solu�ar, girar os quadris, exibir sua vers�o caipira e instintiva do Rock'n'Roll. "Era uma loucura" lembra Scotty "Esses garotos surgiam ningu�m sabe de onde, bastava fazer propaganda de boca, dizendo que Elvis ia tocar em tal lugar. As meninas, ent�o, era inacredit�vel; choravam e chegavam a molhar as cadeiras"

Elvis, a RCA Victor e o Coronel Tom Parker
Muito em breve a histeria ia tomar conta da Am�rica. Elvis, o bom menino, estava sem saber, trazendo o sopro da vida, do prazer e da arrua�a para uma sociedade como a de Vernon e Gladys, baseado no puritanismo, no trabalho e na sisudez. Ele n�o percebia isso: nunca percebeu. Sabia apenas que ganhava dinheiro, o que era muito bom. Que j� podia comprar quantas camisas roxas e douradas quisesse, que podia encomendar um cadillac rosa (o carro mais famoso de todos os tempos!) e dar uma casa de dois andares para seus pais. Subir na vida, num velho ditado americano. Subir, mesmo �s custas do rock'n'roll. Num desses fulminantes shows na estrada, Elvis foi assistido por um espectador mais do que atento: o "coronel" Tom Parker. O coronel � outro mito americano, � o sujeito vivido, esperto, sagaz, vagamente desonesto, o artista de fazer dinheiro. Ex vendedor de cachorro quente, ex empregado de mafu�s e parques de divers�es, ele era, em 1955, um dos principais agenciadores de artistas country do Tennessee. Ele viu Elvis como muito mais do que uma promessa, e muito mais do que um artista country. "Fique talentoso e sexy como voc� �, meu filho, que eu farei contratos incr�veis e n�s seremos ricos como raj�s" foi o que ele lhe disse. N�o se sabe o que Elvis respondeu, mas deve ter dito: "Sim senhor". Ou, como uma antiga namorada recorda: "Elvis vivia me perguntando se eu achava que ele iria ser famoso algum dia. N�o famoso s� em Memphis, mas no pa�s todo, no mundo e nos cinemas. Ele ficava ansioso, impaciente e dizia: "Preciso descobrir como, preciso dar um jeito". Tom Parker daria o jeito para ele.

Sua primeira provid�ncia como empres�rio de Elvis, foi tir�-lo da Sun e vender seu contrato e seus cinco singles � RCA Victor, ent�o controladora de 70% do mercado fonogr�fico americano. Pre�o: 35 mil d�lares, mais 5 mil de luvas para Elvis. Nunca um artista valera tanto. Elvis comprou um cadillac folheado a ouro. Depois, providenciou para que Elvis tivesse sua pr�pria editora musical; e come�ou a comprar diversas editoras menores. Resultado: Elvis passou a ser benefici�rio quase absoluto das rendas obtidas com as can��es que cantava. Um truque do coronel que, a pretexto de que Elvis contribu�ra para os arranjos e produ��o de seus pr�prios discos, aumentava sua fatia de royalty. E passou assim a ter um imenso e variado repert�rio � sua disposi��o. Depois o coronel organizou e registrou todas as formas poss�veis e imagin�rias de se obter lucro com o nome de Elvis: fotos, folhetos, camisetas, bonecos, len�os, lancheiras, penteados, vitrolas etc. E recolocou Elvis na estrada: ainda vagamente no circuito country, mas fugindo do esquema das feiras, fazendo-o tocar em teatros e cinemas. E n�o apenas no sul, mas sim em qualquer lugar onde houvesse jovens com apetite para a voz e a dan�a de Elvis. Hoje se poderia dizer que o coronel fez de Elvis um �dolo de massa. Na �poca, tudo o que lhe ocorreu foi que havia muito mais dinheiro para ganhar al�m de Memphis, Tupelo e Nashville.

O que aconteceu depois que Elvis vendeu sua alma ao coronel e sua m�sica � RCA, faz parte da hist�ria do rock. � o trecho mais dourado do sonho. Entre 1956 e 1958, Elvis varreu a Am�rica como um furac�o. N�o se pode chamar, a rigor, rock'n'roll o tipo de m�sica que ele cantava e mostrava em seus �lbuns. Evidentemente h� rocks, e alguns cl�ssicos: "Jailhouse Rock", "Blue Suede Shoes", "Shake, Rattle and Roll", "Tutti Frutti". Mas h� muito mais baladas, m�sicas country, blues lentos. O que existe de essencialmente rock em tudo � Elvis, o pr�prio Elvis, a voz sincopada de Elvis, seu estilo compacto de interpretar qualquer tipo de m�sica. E seu cabelo, as costeletas e a negritude insuport�vel de suas roupas - ternos urbanos com o brilho das sedas dos vaqueiros - e a sensualidade barata e obscena de seus requebros. Por tudo isso, a juventude americana � cata de uma identidade fez de Elvis o prot�tipo de rebelde, a bandeira. Por tudo isso, a boa fam�lia americana, a boa imprensa americana odiava Elvis. E quando ele compareceu ao Ed Sullivan Show, resumo televisivo da maioria silenciosa, as c�meras tiveram ordem de s� o focalizar a parte superior de seu corpo. Mesmo assim, protestos furiosos choveram: "� lament�vel que Mr Sullivan se torne propagandista desse feiticeiro vudu que veio solapar nossos bons costumes", escreveu um editoralista. "Dar publicidade ao tipo de m�sica que esse jovem encarna � abrir m�o de nossa moralidade, � querer ver nossas filhas violadas nos carros, ao som infernal do rock'n'roll", disse um dos mais importantes radialistas de Nova Iorque.

Elvis se torna astro em Hollywood
O que pensava Elvis, o bom garoto de Tupelo? "Nada vejo de mal em minha dan�a. Apenas fa�o o que sinto. Quando velhos amigos me aconselham a moralizar meu jeito, escuto e continuo como sempre. N�o consigo cantar parado. Sem a minha perna esquerda eu estaria morto. Mam�e � que custou a se acostumar com isso, com os f�s atr�s de mim. Uma vez at� quis impedir que elas me rasgassem a roupa, achando que podiam me machucar. Eu sempre dizia a ela: calma, tenha paci�ncia que isso � um bom sinal". Ap�s os �lbuns distribu�dos costa a costa, os filmes. A partir de "Love me Tender", estreado em novembro de 1956, Elvis passou a ser um astro cinematogr�fico dos mais constantes e produtivos, e sua fama tornou-se mundial. Multim�dia? Apenas dinheiro, diria o coronel. Cerca de um milh�o por ano, tirando os direitos autorais e royalties. Todas as garotas queriam que seus namorados se parecessem com Elvis e os rapazes queriam ficar parecidos com ele. De uma hora para outro os antigos cabelos "escovinha", tipo militar, que imperavam na sociedade americana, foram substitu�dos por topetes cheios de brilhantina, como o de Elvis. Ele mudara n�o apenas a m�sica de seu tempo mas tamb�m os costumes e o "American Way of Life". Elvis Presley estava no topo do mundo.

O que faltava a Elvis e ao coronel? S� um lance de mestre: conquistar seus opositores, ou seja, a fam�lia americana. Ou, como se diria depois, o sistema. A chance de ouro veio no in�cio de 1957. Elvis foi convocado para o servi�o militar. O coronel n�o deixou que transparecesse um sinal de favorecimento e recusou at� mesmo uma oferta para que seu alistamento fosse no corpo de servi�os especiais, onde tudo o que Elvis teria que fazer era cantar para as tropas. "Elvis � um cidad�o americano pronto a cumprir com seus deveres", disse aos rep�rteres, enquanto vendia fotos no dia mesmo de embarque de Elvis para a Alemanha, sem costeletas e uniformizado como qualquer recruta, em mar�o de 1958. Atr�s de si, Elvis deixava 41 discos de ouro, quatro filmes arrasados pela cr�tica, mas recordes de bilheteria, uma legi�o de f�s, uma fortuna sigilosamente guardada e uma mans�o, Graceland, totalmente fechada, nos arredores de Memphis. Durante 18 meses Elvis Aron Presley serviu o ex�rcito como um bom rapaz americano, saud�vel e forte. Dirigiu um jipe de combate em uma base da OTAN na Alemanha Ocidental, recebeu elogios p�blicos de seus superiores como "Um soldado exemplar e disciplinado". Em 58 ainda, perdeu a m�e, figura solar de sua vida, vitimada por um ataque card�aco. Todos sabiam como o rebelde Elvis era um bom filho. A consterna��o foi geral.

E quando ele retornou em 1960 foi como se nunca tivesse sa�do. Na sua aus�ncia a RCA editara um enorme volume de singles, muitos ainda da Sun Records. Os f�s estavam encantados em ter um her�i nacional de volta (em 1960 ainda era um s�mbolo positivo servir o ex�rcito). E os adultos tamb�m tinham descoberto um novo Elvis: O garoto pobre que fica milion�rio com o pr�prio esfor�o e n�o hesita em abandonar tudo quando sua p�tria o chama. O governador do Tennessee saudou-o publicamente com um discurso em que disse: "Mostraste que �s acima de tudo um cidad�o da Am�rica, um volunt�rio do Tennessee". O jornal conservador Christian Science Monitor estampou um editorial em primeira p�gina: "Elvis � a prova viva da efic�cia do American Way of Life. Ele reafirma nossa f� nos valores b�sicos de nossa sociedade". E assim o odiado Elvis Presley se tornou o queridinho da Am�rica, quem diria. Seu mais recente filme King Creole recebeu boas cr�ticas. Enquanto isso, na aus�ncia de seu Rei, o Rock entrava na pior crise de sua exist�ncia. O Rock estava no fundo do po�o.

Elvis Presley e os anos 60
Ao mesmo tempo em que Elvis servia o ex�rcito na Alemanha, o rock'n'roll morria lentamente na Am�rica, frutificando e multiplicando v�rios cantores que passaram a ser conhecidos como "sub-Elvis": Ricky Nelson, Bobby Darin, Neil Sedaka, Fabian e Frankie Avalon. Essa m�sica n�o podia mais ser chamada de rock'n'roll. Em sua primeira entrevista ao voltar do ex�rcito, Elvis disse: "Se o rock'n'roll morrer acho que morro tamb�m. Vou ficar desempregado". Depois pensou um pouco e riu: "Talvez n�o. Talvez consiga viver bem s� com os meus filmes". Ledo engano. Nos anos que se seguiram Elvis apostou alto em uma carreira de ator. Tanto que inclusive deixou de fazer shows ao vivo. Quem queria ver Elvis s� pagando um ingresso de cinema. Afastado do p�blico, enfurnado em um set de filmagem a carreira de Elvis entrou em parafuso. As trilhas vendiam bem, e sem esfor�o Elvis conseguiu emplacar v�rios sucessos como "G.I.Blues" e "Blue Hawaii", mas era muito pouco para quem era o Rei do Rock. No come�o dos anos 60 Elvis assinou um contrato de sete anos com a MGM, foi um erro que se refletiria mais tarde. Os est�dios come�aram a comercializar o talento de Elvis de todos os jeitos, com tr�s filmes por ano, acompanhando trilhas sonoras bem abaixo de seu potencial. Assim, preso ao esquema de Hollywood, o inevit�vel aconteceu.

Em 1964 os Beatles desembarcaram triunfantes nos Estados Unidos, pela primeira vez na hist�ria um conjunto musical conseguia o feito de emplacar os cinco primeiros lugares na parada. Os Beatles tomaram conta da Am�rica e abriram as portas para a chamada "invas�o brit�nica", uma enorme quantidade de conjuntos ingleses que tomariam de assalto as paradas americanas. De 1964 a 1968 n�o deu outra, grupos como Rolling Stones ditaram o Top 10 da Billboard. Enquanto isso Elvis ficava de m�os atadas, preso ao famigerado contrato de sete anos com a MGM. Elvis foi ficando cada vez mais rico a cada filme, mas foi ao mesmo tempo morrendo artisticamente. Algo deveria ser feito e o pr�prio Elvis exigiu uma mudan�a radical ao seu empres�rio Tom Parker. Elvis sentia falta da estrada e dos shows, sem outra alternativa o coronel resolveu entrar em negocia��o com a rede NBC para a produ��o de um especial de fim de ano. Este seria conhecido mais tarde como o NBC TV Special "Comeback Special", o especial da volta de Elvis.

O show seria transmitido no final do ano, em dezembro. O coronel Parker sugeriu um roteiro simplesmente desastroso para o especial: "Elvis entraria de papai noel, cantaria meia d�zia de m�sicas natalinas e iria embora pela chamin�". Elvis e o produtor Steve Binder simplesmente odiaram essa id�ia. Juntos, trocaram pensamentos e conceitos e chegaram a um modelo b�sico. Elvis seria acompanhado de sua primeira banda, Scotty Moore e D.J. Fontana (Bill Black havia morrido em 1965). Seria um show ac�stico (o primeiro da hist�ria), com Elvis vestindo uma roupa de couro negro, tocando uma guitarra Gibson, tudo de forma natural e aut�ntica. Ele interpretaria seus velhos sucessos e duas can��es escritas especialmente para o programa: "If I Can Dream" e "Memories". Estava em �tima forma f�sica e empolgado pela chance de voltar a apresentar um material de qualidade. Tudo que precisava era uma chance de mostrar novamente seu incontest�vel talento. Os ensaios foram exaustivos, Elvis tomou a frente, elaborando arranjos e produ��o, esse foi um momento crucial de sua vida, se falhasse, provavelmente seria o fim de sua carreira. E ele sabia disso.

Elvis NBC TV Special
Em 1968, aos 33 anos de idade, Elvis Presley volta � TV, num especial hist�rico para NBC em comemora��o ao natal. O cantor estava no auge de sua beleza f�sica e o show foi um marco em sua vida. Com cenas em est�dio e ao vivo, Elvis estava natural, espont�neo, Elvis como ele s�. Priscilla Presley em seu livro "Elvis e eu" relembra o impacto do show: "O especial de Elvis foi um sucesso espetacular e alcan�ou o maior �ndice de audi�ncia do ano. A m�sica final, "If I Can Dream", foi sua primeira grava��o que ultrapassou a barreira de um milh�o de c�pias vendidas em muitos anos. Sentamos em torno da TV assistindo ao programa, esperando nervosamente pela rea��o. Elvis se manteve silencioso e tenso durante toda a exibi��o do programa, mas assim que os telefones come�aram a tocar, compreendemos que ele conquistara um novo triunfo. N�o perdera a classe, ainda era o rei do rock'n'roll". Com esse programa Elvis se convenceu que era hora de deixar Hollywood para tr�s e retomar os rumos de sua carreira musical. N�o haveria mais trilhas sonoras ins�pidas, o momento era de entrar em est�dio novamente para gravar can��es de qualidade, para mudar novamente os rumos musicais de seu tempo.

Em 1969, Elvis e banda se reuniram para uma s�rie de sess�es de grava��es em um acanhado est�dio de grava��o de Memphis chamado "American Studios". Elvis voltava �s suas origens, o American era localizado em um bairro negro de Memphis e l� Elvis poderia novamente respirar a cultura que deu origem � sua pr�pria musicalidade. Segundo Priscilla: "Depois do sucesso do especial, Elvis dedicou v�rias semanas a uma sess�o de grava��o, mais uma vez altamente motivado. Pela primeira vez em 14 anos ele fora persuadido a gravar em Memphis, em uma companhia negra em que muitos artistas importantes, inclusive Aretha Franklin, haviam gravado os seus sucessos mais recentes. Os m�sicos dos est�dios eram jovens e Elvis estabeleceu um grande contato com eles. Mais importante ainda: Elvis fazia uma m�sica sensacional com eles. Ele ficava cantando no est�dio, at� o amanhecer, voltava � noite, transbordando de energia, pronto para recome�ar. Sua voz estava em grande forma e seu entusiasmo era contagiante. Cada faixa ficava cada vez mais sensacional do que a anterior. Escut�vamos as can��es repetidamente e Elvis estava sempre gritando, exultante: -'Escutem esse som' - ou ent�o decidia: - 'Vamos tocar tudo de novo'"

Com um disco novamente liderando as paradas de sucesso, um sucesso de TV, tudo o que faltava a Elvis era colocar o p� novamente na estrada. Mas como? J� havia se passado 7 anos de sua �ltima apresenta��o ao vivo. Como ele deveria voltar? Colocar novamente seus ternos folgad�es dos anos 50 e cantar seus velhos rocks? Ou ent�o imitar o estilo de Sinatra e cia? Foi ent�o que Elvis resolveu mudar tudo: trocou seu triozinho de caipiras, montou uma nova banda, que mais parecia uma orquestra, mudou seu modo de vestir e suas coreografias e novamente se reinventou. Agora estavam abertas as portas para o Elvis anos 70: roupas reais, com capas, apresenta��es viscerais em gin�sios lotados, adora��o em massa, concertos apote�ticos e monumentais. Elvis voltara para retomar seu trono e como todo rei que se preze ele iria agora ser literalmente adorado nos anos seguintes, numa adora��o que chegaria �s raias da divindade. Os anos que se seguiriam seriam os mais loucos, alucinados, exagerados e alucinantes da carreira de Elvis. Tudo seria elevado � nona pot�ncia, tudo, inclusive seus problemas pessoais. Elvis entrava naquela que seria sua �ltima d�cada. O Rei Midas Elvis chegara.

Os anos finais
Nos anos 70, Elvis se tornou um artista que n�o tinha mais nada a provar. O cantor sobreviveu a duas gera��es diferentes da m�sica, que ele pr�prio havia ajudado a criar, o rock'n'roll. A primeira gera��o de pioneiros como Jerry Lee Lewis, Chuck Berry, Buddy Holly e a segunda gera��o dos ingleses como os Beatles haviam passado, mas Elvis se mantinha firme na sua carreira. Tudo agora ficava para tr�s. Elvis Presley se tornou um artista diferente em seus anos finais. Evoluiu e seus discos retratam bem essa significativa mudan�a em seu estilo. Livre das press�es iniciais de sua carreira, Elvis deu vaz�o ao seu lado mais pessoal: gravou de tudo, blues, gospel, country, baladas, sempre levando em conta seu pr�prio gosto musical. O tempo lhe trouxe mais confian�a e controle sobre os rumos de sua carreira. O antigo casamento com o cinema acabou com dois filmes que mostravam Elvis no palco, neste per�odo: "That's The Way It Is" e "Elvis On Tour". Na TV Elvis fez dois especiais marcantes: "Aloha From Hawaii" em 1973, que foi transmitido para todo o mundo, via sat�lite, batendo recordes de audi�ncia e "Elvis In Concert", seu �ltimo registro ao vivo, gravado poucos meses antes de sua morte.

A fama, que parecia n�o ter limites, tamb�m cobrou seu pre�o. O div�rcio com Priscilla Presley, com quem havia se casado em 1967, levou o cantor a uma s�rie de depress�es que acabariam sendo a t�nica de seus �ltimos anos. Consagrado como artista, Elvis sentia-se frustrado em sua vida pessoal. Alcan�ou fama e fortuna inimagin�veis, mas n�o alcan�ou o principal: a felicidade. Em seus momentos finais, Elvis se tornou um recluso, com s�rios problemas de sa�de, o que acabou o levando ao uso descontrolado de rem�dios e p�lulas, acabando por se viciar em tais subst�ncias. Perdeu o controle sobre seu peso, engordando muito em seus �ltimos anos. Mesmo assim, com todos esses problemas, Elvis continuou sendo adorado por tudo aquilo que representou. Infelizmente, em 16 de agosto de 1977, Elvis Aron Presley foi encontrado morto no banheiro de sua mans�o Graceland, por sua �ltima namorada, Ginger Alden. Pretendia se casar com ela e reconstruir sua vida pessoal. N�o houve tempo. Tudo terminou naquela manh� em Memphis.

Mas a vida parou s� por alguns instantes. Sua miss�o foi cumprida, nossa liberdade foi conquistada e a luz que nos transmitiu n�o deixou que tudo parasse. Continuou a brilhar com mais intensidade e a cada dia que passa sentimos que o amamos hoje muito mais do que o amamos ontem, e muito menos do que o amaremos amanh�. Enquanto existir algum ser humano vivo no universo, Elvis Presley viver�! Viva Elvis!

Escrito por Ana Maria Bahiana e Pablo Alu�sio.


Elvis Presley Biografia (Pablo Alu�sio) - contato: [email protected] - Agosto de 2003

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