Elvis e Eu

Pablo Alu�sio




O dia em que Priscilla conheceu Elvis

"Elvis e Eu"
Como toda adolescente americana, Priscilla Beaulieu era f� de Elvis Presley. Aos 14 anos, quando morava na Alemanha, conheceu seu �dolo, que l� servia o ex�rcito, e viveu um inesperado conto de fadas: apaixonaram-se profundamente e viveram um romance que se prolongou por 14 anos. Esta � a hist�ria desses anos, contada por Priscilla. � um relato sentido e verdadeiro de sua vida com um dos mais famosos cantores de todos os tempos, onde nos � revelado tamb�m o quanto o sucesso afetou a personalidade desse m�sico inovador, talentoso e sensual. Assediado pela imprensa, disputado pelas mulheres, obrigado a enfrentar o ritmo fren�tico do show business, o rapaz simp�tico e generoso tornou-se uma pessoa insegura, angustiada, sujeito a crises emocionais, profissionais e existenciais. Envolvida numa rela��o de ternura e depend�ncia, a mocinha que se moldara ao gosto de seu �dolo - amante - marido, e que nele concentrava todo o seu universo afetivo, teve que lutar muito para buscar o equil�brio entre o amor, a devo��o e suas pr�prias escolhas pessoais. A vida pessoal, o lado oculto do grande astro internacional s�o descritos, sem meias palavras, num retrato pungente dos bastidores da gl�ria de Elvis Presley. Priscilla Beaulieu conheceu Elvis melhor do que ningu�m. Durante muitos anos ela viveu com o homem que era o �dolo de milh�es de pessoas ao redor do mundo. Esta � a hist�ria de um amor verdadeiro entre duas pessoas. Aos nos relatar neste livro a apaixonada e conflitante rela��o que ambos viveram, ela torna p�blica tamb�m a intimidade do mais famoso cantor de todos os tempos, suas manias, fraquezas, virtudes, suas crises m�sticas e sua moral amb�gua. Presa na rede do amor e da devo��o, ela tentou ser o que Elvis dela se esperava. Mas n�o tardou a amargar a decep��o e o ci�me, ao ter que assistir, quase impotente, sua crescente necessidade de emo��es fortes e o ass�dio constante das mulheres. � um depoimento sincero, saudoso e emocionado. Leia a seguir o primeiro cap�tulo de "Elvis e Eu":

Cap�tulo I


Era o ano de 1956. Eu morava com minha fam�lia na base Bergstrom, da For�a A�rea, em Austin, Texas, onde meu pai, ent�o Capit�o Joseph Paul Beaulieu, um oficial de carreira, estava estacionado. Ele chegou tarde para o jantar e me entregou um disco. - 'N�o sei nada sobre esse tal de Elvis, mas deve ser muito especial' - comentou ele - 'Entrei na fila com a metade da For�a A�rea para comprar esse disco no reembols�vel'. Todo mundo est� querendo. Pus o disco na vitrola e ouvi o rock "Blue Suede Shoes". O disco chamava-se "Elvis Presley". Era seu primeiro lan�amento. Como quase todos os jovens dos Estados Unidos, eu gostava de Elvis, embora n�o com o fanatismo de minhas amigas da escola secund�ria de Del Valley. Todas tinham camisas de Elvis, chap�us de Elvis e meias soquetes de Elvis, al�m de batons em cores como "Hound Dog Orange" e "Heartbreak Pink". Elvis estava em toda parte, nas figurinhas de goma de mascar e em bermudas, em di�rios e carteiras, em fotografias que brilhavam no escuro. Os garotos na escola come�avam a tentar se parecer com ele, com os cabelos penteados para tr�s, com muita gomalina, costeletas compridas e golas levantadas.

Havia uma garota t�o louca por Elvis que dirigia seu pr�prio F� clube local. Ele disse que eu poderia ingressar por apenas 25 cents, o pre�o de um livro que encomendara para mim pelo reembolso postal. Ao receb�-lo, fiquei chocada ao me deparar com uma fotografia de Elvis autografando os seios de duas garotas, um ato sem precedentes na ocasi�o.

E depois o vi na televis�o, no Stage Show, de Jimmy e Tommy Dorsey. Ele era sensual, bonito, olhos profundos e meditativos, l�bios lindos e sorriso insinuante. Ele avan�ou para o microfone, abriu as pernas, inclinou-se para tr�s e dedilhou sua guitarra. P�s-se a cantar com extrema confian�a, remexendo o corpo numa sensualidade desenfreada. Contra a vontade, me senti atra�da. Algumas pessoas na audi�ncia adulta n�o se mostraram muito entusiasmadas. N�o demorou muito para que suas apresenta��es fossem rotuladas de obscenas. Minha m�e declarou de forma taxativa que ele era "uma p�ssima influ�ncia sobre os adolescentes". E acrescentou: - "Ele desperta coisas nas mo�as que deveriam ficar adormecidas. Se houvesse uma marcha de m�es contra Elvis Presley, eu estaria na primeira fila". Mas eu ouvi dizer que Elvis, apesar de suas extravag�ncias e sensualidade nos palcos, tivera uma rigorosa educa��o crist� do sul. Era um garoto do interior que n�o fumava e nem bebia, que amava e honrava os pais e que tratava todos os adultos como "senhor" ou "senhora".

Eu era uma t�pica filha de oficial da For�a A�rea, uma garota bonita e t�mida, que jamais se acostumara a mudar de uma base para outra a cada dois ou tr�s anos. Aos onze anos de idade eu j� vivera em seis cidades diferentes; com receio de n�o ser aceita, permanecia retra�da ou esperava que algu�m tomasse a iniciativa de fazer amizade. Descobria ser dif�cil ingressar numa escola no meio do ano, quando os grupos j� estavam formados e os novos alunos era considerados forasteiros. Uma garota pequena, de cabelos castanhos compridos, olhos azuis e nariz arrebitado, eu era sempre observado pelos colegas. A princ�pio, as garotas me viam como uma rival, receando que eu pudesse tomar seus namorados. Eu tinha a impress�o de que me sentia mais � vontade com os rapazes... e geralmente eles se mostravam mais amistosos.

As pessoas sempre diziam que eu era a garota mais bonita da escola, mas nunca me senti assim. Era magra, quase esquel�tica; e mesmo que fosse t�o atraente quanto diziam, queria ter algo mais que apenas apar�ncia. S� com minha fam�lia � que eu me sentia totalmente amada e protegida. Afetivos e solid�rios, eles me proporcionavam estabilidade. Modelo antes do casamento, minha m�e se devotava inteiramente � fam�lia. Como a mais velha era minha responsabilidade ajud�-la com os menores. Depois de mim, havia Don, quatro anos mais mo�o e Michelle, minha �nica irm�, que era cinco anos mais mo�a do que Don. Jeff e os g�meos, Tim e Tom, ainda n�o haviam nascido. Minha m�e era inibida demais para falar sobre as coisas da vida e por isso recebi toda a educa��o sexual na escola, no sexto ano. Alguns garotos estavam circulando com um livro que parecia a B�blia, mas quando se abria o que se encontrava eram ilustra��es de homens fazendo amor com mulheres e homens fazendo amor entre si. Meu corpo estava mudando e se agitando com as novas sensa��es. Eu recebia olhares constantes dos rapazes na escola e houve uma ocasi�o em que uma fotografia minha, numa su�ter justa de gola rul�, foi roubada do quadro de avisos da escola. Contudo eu ainda era uma crian�a, embara�ada por minha sexualidade. Fantasiava interminavelmente sobre o beijo de l�ngua, mas quando a turma brincava de girar a garrafa eu levava meia hora para permitir que algum rapaz me beijasse nos l�bios, devidamente fechados.

Meu pai, forte e bonito, era o centro de nosso mundo. Um homem muito esfor�ado e determinada, formara-se em Administra��o de empresas pela Universidade do Texas. Em casa, mantinha tudo sob controle. Acreditava firmemente na disciplina e responsabilidade e t�nhamos conflitos freq�entes. Quando me tornei animadora de torcida, aos treze anos, n�o era f�cil convenc�-lo a me deixar ir aos jogos em outras cidades. Havia ocasi�es em que n�o havia choro, s�plicas ou apelos a minha m�e que pudessem faz�-lo mudar de id�ia. Quando ele tomava uma decis�o, era ponto final. Eu conseguia envolv�-lo de vez em quando. Quando ele n�o deu permiss�o para que eu usasse uma saia justa, ingressei nas bandeirantes, a fim de vestir seu uniforme bem justo.

Meus pais eram sobreviventes. Muitas vezes se debatiam com dificuldades financeiras, mas os filhos era os �ltimos a sentir. Quando eu era pequena, minha m�e costurava lindas toalhas de mesa para cobrir os engradados de laranjas que us�vamos como mesinhas. Em vez de ficar sem, procur�vamos tirar o melhor proveito do que t�nhamos. O jantar era sempre uma atividade de grupo; mam�e cozinhava, um de n�s punha a mesa e o resto cuidava da limpeza. Ningu�m ficava sem fazer nada, mas �ramos sempre solid�rios uns com os outros. Eu me sentia afortunada por ter uma fam�lia t�o unida.

Minha tranq�ilidade rec�m-encontrada terminou abruptamente quando meu pai anunciou que estava sendo transferido para Wiesbaden, Alemanha Ocidental. Fiquei desesperada. A Alemanha era no outro lado do mundo. Todos os meus medos voltaram. Meu primeiro pensamento foi: O que vou fazer com meus amigos? falei com mam�e, que se mostrou compreensiva, mas lembrou que est�vamos na For�a A�rea e a mudan�a era uma parte inevit�vel de nossas vidas. Conclu� a primeira parte do curso secund�rio, Jeff nasceu e nos despedimos de nossos amigos e vizinhos. Todos prometeram escrever ou telefonar, mas eu sabia que isso dificilmente aconteceria, pois me recordava das promessas similares anteriores. Minha amiga Angela me disse, em tom de brincadeira, que Elvis Presley estava prestando o servi�o militar em Bad Nauheim, Alemanha Ocidental.

- J� pensou nisso? Voc� estar� no mesmoo pa�s que Elvis Presley!

Examinamos um mapa e descobrimos que Bad Nauheim ficava perto de Wiesbaden. E comentei:

- Vou at� l� para conhecer Elvis - N�s rimos, nos abra�amos e nos despedimos.


O v�o de quinze horas para a Alemanha Ocidental pareceu intermin�vel, mas finalmente chegamos � linda e antiga cidade de Wiesbaden, sede da for�a a�rea dos Estados Unidos na Europa. Fomos nos hospedar no hotel Helene, um pr�dio enorme e vener�vel na rua principal. Depois de tr�s meses, a vida no hotel ficou muito cara e come�amos a procurar uma casa para alugar. Tivemos sorte de encontrar um grande apartamento num pr�dio cl�ssico, constru�do muito antes da Primeira Guerra Mundial. Mudamos logo depois e notamos que todos os outros apartamentos estavam alugados para mo�as solteiras. As "Fr�uleins" andavam durante o dia inteiro em neglig�s e � noite se vestiam a capricho. Assim que aprendemos um pouco de alem�o, compreendemos que, embora a pens�o fosse bastante discreta, est�vamos vivendo em um bordel.

Era imposs�vel mudar, pois havia uma escassez de moradias. Mas o local em nada contribuiu para meu ajustamento. N�o apenas estava isolada de outras fam�lias americanas, mas havia tamb�m a barreira da l�ngua. J� estava acostumada a mudar de escola com freq��ncia, mas um pa�s estrangeiro apresentava problemas inteiramente novos - e o principal era o fato de n�o ter ningu�m com quem pudesse partilhar meus pensamentos. Comecei a sentir que minha vida parara por inteiro.

Setembro chegou a as aulas come�aram. Mais uma vez eu era a garota nova. N�o era mais popular e segura como me sentira na Del. Havia um lugar chamado Eagles Club, onde as fam�lias dos militares americanos costumavam fazer refei��es e se encontrar socialmente. Dava para ir a p� da pens�o e logo se tornou uma descoberta importante para mim. Todos os dias, depois das aulas, eu ia � lanchonete que havia ali, ficava escutando a vitrola autom�tica e escrevia cartas para minhas amigas em Austin, dizendo como sentia saudades de todo mundo. Desmanchando-me em l�grimas, gastava a minha mesada tocando as m�sicas mais populares nos Estados Unidos como "Venus" de Frankie Avalon e "All I Have to Do Is Dream" dos Everly Brothers.

Numa tarde quente de ver�o eu estava sentada ali com meu irm�o Don quando notei um homem bonito, na casa dos vinte anos, que n�o tirava os olhos de mim. J� o vira me observando antes, mas nunca lhe prestara nenhuma aten��o. Desta vez por�m, ele se levantou e se aproximou de mim. Apresentou-se como Currie Grant e perguntou meu nome.

- Priscilla Beaulieu - respondi, imediaatamente desconfiada, porque ele era muito mais velho.

Ele perguntou de que lugar dos EUA eu vinha, se estava gostando da Alemanha e se apreciava Elvis Presley.

- Claro - respondi, rindo - Quem n�o goosta dele?

- Sou grande amigo de Elvis. Minha mulhher e eu estamos sempre indo � casa dele. N�o gostaria de nos acompanhar uma noite?

Despreparada para um convite t�o extraordin�rio, eu me senti ainda mais c�tica e cautelosa. E declarei que teria de pedir permiss�o aos meus pais. Durante as duas semanas seguintes Currie conheceu meus pais. Ele tamb�m estava na For�a A�rea e papai verificou suas credenciais, descobrindo que conhecia seu comandante. Isso pareceu romper o gelo entre os dois. Currie garantiu a papai que eu seria devidamente vigiada quando visit�ssemos Elvis, que vivia numa casa perto da base, em Bad Nauheim.

Vasculhei meu arm�rio na noite marcada, tentando encontrar uma roupa apropriada. Nada parecia bastante elegante para o meu encontro com Elvis Presley. Acabei escolhendo um vestido branco e azul, sapatos e meias brancas. Contemplando-me no espelho, achei que estava atraente, mas convencida de que n�o causaria qualquer impress�o em Elvis, j� que tinha apenas quatorze anos.

Currie Grant apareceu �s oito horas, em companhia de sua atraente esposa, Carole. Ansiosa, mal falei com qualquer dos dois durante a viagem de 45 minutos. Entramos na cidadezinha de Bad Nauheim, com suas ruas estreitas, cal�amentos de pedras, casas feias e antigas. Eu me mantinha atenta, � espera de avistar o que presumia ser a enorme mans�o de Elvis. Em vez disso, Currie parou o carro diante de uma casa de apar�ncia comum, de tr�s andares, com uma cerca de madeira branca.

Havia uma placa em alem�o no port�o que dizia: "Aut�grafos somente entre sete e oito horas da noite". Embora j� passasse das oito horas, havia um grupo enorme de pessoas e mo�as alem�s por ali, expectantes. E havia tamb�m vendedores de cachorros quentes, ambulantes, um verdadeiro carnaval. Quando interroguei Currie a respeito, ele explicou que havia sempre muitas f�s na frente da casa, esperando por um vislumbre de Elvis.

Segui Currie pelo port�o e subimos pelo pequeno caminho at� a casa. Fomos recebidos por Vernon Presley, o pai de Elvis, um homem alto, atraente, de cabelos grisalhos que nos levou por um corredor comprido at� a sala de estar, de onde eu podia ouvir Brenda Lee na vitrola, cantando "Sweet Nothin's".

A sala simples, quase ins�pida, estava cheia de pessoas, mas avistei Elvis no mesmo instante. Era mais bonito do que aparecia nos filmes e nas fotos, mais jovem e com uma apar�ncia mais vulner�vel, os cabelos bem curtos de soldado. Estava � paisana, com uma su�ter vermelha e cal�a castanha amarelada, sentado em uma poltrona grande, com um charuto pendendo nos l�bios.


Quando Currie me levou em sua dire��o, Elvis levantou-se e sorriu.

- Ora, ora, o que temos aqui? - disse eele

N�o falei nada. N�o podia. S� tinha condi��o de fit�-lo fixamente.

- Elvis - disse Currie - esta � Priscillla Beaulieu. A garota de quem lhe falei.

Trocamos um aperto de m�o e ele disse:

- Oi. Sou Elvis Presley.

Depois, houve um sil�ncio entre n�s, at� que Elvis convidou-me a sentar em seu lado e Currie afastou-se.

- Est� na escola? - perguntou Elvis.

- Estou.

- E est� no come�o ou no final da escolla secund�ria? (High School)

Corei e n�o respondi, n�o querendo revelar que estava apenas no nono ano.

- E ent�o? - insistiu Elvis.

- Estou no nono ano.

Ele ficou confuso.

- Nono o qu�?

- Nono ano - balbuciei.

- Nono ano! - exclamou ele rindo - Ora,, voc� n�o passa de uma crian�a!

- Obrigada - respondi, bruscamente, poiis nem mesmo Elvis Presley tinha o direito de falar assim.

- Parece que a garotinha n�o � f�cil - comentou ele, rindo, de novo, divertido com a minha rea��o.

Elvis me presenteou com o seu sorriso encantador e todo o meu ressentimento se derreteu.

Conversamos mais um pouco. Depois, Elvis levantou-se, foi para o piano e sentou-se. A sala ficou em sil�ncio. Todos os olhos se fixaram nele.

Elvis cantou "Rags to Riches" e "Are You Lonesome Tonight?" e depois, com os amigos cantando em harmonia, "End of the Rainbow". Tamb�m ofereceu uma interpreta��o de Jerry Lee Lewis, martelando as teclas com tanta for�a que um copo com �gua que pusera em cima do piano come�ou a escorregar. Quando Elvis pegou-o, sem perder uma nota da can��o, todos riram e aplaudiram - menos eu. Estava nervosa. Olhei ao redor e vi um poster de Brigite Bardot seminua, preso na parede. Ela era a �ltima pessoa que eu queria ver, com seu corpo sedutor, l�bios espichados e cabelos desgrenhados, Imaginando o gosto de Elvis em mulheres, eu me senti muito jovem e deslocada.

Levantei os olhos e me deparei com Elvis tentando atrair minha aten��o. Percebi que quanto menos rea��o demonstrava, mas ele passava a cantar s� para mim. Mas n�o podia acreditar que Elvis Presley estava tentando me impressionar.

Mais tarde, ele pediu-me que o acompanhasse at� a cozinha, onde me apresentou � sua av�, Minnie Mae Presley, que estava no fog�o, fritando bacon numa enorme panela. Sentamos � mesa e eu disse a Elvis que n�o estava com fome. Na verdade sentia-me nervosa demais para comer.

- Voc� � a primeira garota dos Estados Unidos que eu encontro em muito tempo - disse ele, enquanto come�ava a devorar o primeiro de cinco sandu�ches de bacon, todos com mostarda.

- Quem � que a turma por l� est� ouvinddo?

- Est� brincando? Todo mundo ouve voc�!!

Elvis n�o ficou convencido. Fez-me uma por��o de perguntas sobre Fabian e Ricky Nelson. Comentou que estava preocupado com a aceita��o dos f�s quando voltasse aos Estados Unidos. Como estava ausente h� algum tempo, n�o aparecia em espet�culos p�blicos nem em filmes, embora tivesse cinco m�sicas nas paradas de sucesso, todas gravadas antes de sua partida.

Parecia que mal come��ramos a conversar quando Currie entrou na cozinha e apontou para o rel�gio. Eu receara aquele momento; a noite correra muito depressa. Parecia que acabara de chegar e agora j� tinha que ir embora. Elvis e eu mal come��vamos a nos conhecer. Sentia-me como Cinderela sabendo que toda a magia terminaria quando soasse o toque de recolher. Fiquei surpresa quando Elvis perguntou se eu poderia permanecer por mais algum tempo. Currie explicou o acordo com meu pai e Elvis sugeriu ent�o que eu poderia voltar outro dia. Embora fosse a coisa que eu mais queria no mundo, n�o acreditava que pudesse acontecer.

O nevoeiro era t�o denso na auto estrada, durante a volta a Wiesbaden, que s� cheguei em casa �s duas horas da madrugada. Meus pais estavam acordados e quiseram saber tudo o que acontecera. Contei que Elvis era um cavalheiro, muito divertido, cantara para os amigos, eu adorara a noite.

No dia seguinte na escola, eu n�o conseguira me concentrar. Os pensamentos fixavam-se exclusivamente em Elvis. Tentei recordar todas as palavras que ele me dissera, cada can��o que cantara, cada express�o em seus olhos ao me fitar. Reconstitu� interminavelmente nossa conversa. Seu charme era fascinante. N�o contei a ningu�m na escola. Quem iria acreditar que eu estivera com Elvis Presley na noite anterior?

Escrito por Priscilla Presley e Sandra Harmon (Elvis e Eu)


Elvis Presley Home Page (Pablo Alu�sio) - Elvis e Eu (Priscilla Presley) - outubro de 2003

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