

"Elvis e Eu"
Como toda adolescente americana, Priscilla Beaulieu era f� de Elvis Presley. Aos 14 anos, quando morava na Alemanha, conheceu seu �dolo, que l� servia o ex�rcito, e viveu um inesperado conto de fadas: apaixonaram-se profundamente e viveram um romance que se prolongou por 14 anos. Esta � a hist�ria desses anos, contada por Priscilla. � um relato sentido e verdadeiro de sua vida com um dos mais famosos cantores de todos os tempos, onde nos � revelado tamb�m o quanto o sucesso afetou a personalidade desse m�sico inovador, talentoso e sensual. Assediado pela imprensa, disputado pelas mulheres, obrigado a enfrentar o ritmo fren�tico do show business, o rapaz simp�tico e generoso tornou-se uma pessoa insegura, angustiada, sujeito a crises emocionais, profissionais e existenciais. Envolvida numa rela��o de ternura e depend�ncia, a mocinha que se moldara ao gosto de seu �dolo - amante - marido, e que nele concentrava todo o seu universo afetivo, teve que lutar muito para buscar o equil�brio entre o amor, a devo��o e suas pr�prias escolhas pessoais. A vida pessoal, o lado oculto do grande astro internacional s�o descritos, sem meias palavras, num retrato pungente dos bastidores da gl�ria de Elvis Presley. Priscilla Beaulieu conheceu Elvis melhor do que ningu�m. Durante muitos anos ela viveu com o homem que era o �dolo de milh�es de pessoas ao redor do mundo. Esta � a hist�ria de um amor verdadeiro entre duas pessoas. Aos nos relatar neste livro a apaixonada e conflitante rela��o que ambos viveram, ela torna p�blica tamb�m a intimidade do mais famoso cantor de todos os tempos, suas manias, fraquezas, virtudes, suas crises m�sticas e sua moral amb�gua. Presa na rede do amor e da devo��o, ela tentou ser o que Elvis dela se esperava. Mas n�o tardou a amargar a decep��o e o ci�me, ao ter que assistir, quase impotente, sua crescente necessidade de emo��es fortes e o ass�dio constante das mulheres. � um depoimento sincero, saudoso e emocionado. Leia a seguir o primeiro cap�tulo de "Elvis e Eu":
O v�o de quinze horas para a Alemanha Ocidental pareceu intermin�vel, mas finalmente chegamos � linda e antiga cidade de Wiesbaden, sede da for�a a�rea dos Estados Unidos na Europa. Fomos nos hospedar no hotel Helene, um pr�dio enorme e vener�vel na rua principal. Depois de tr�s meses, a vida no hotel ficou muito cara e come�amos a procurar uma casa para alugar. Tivemos sorte de encontrar um grande apartamento num pr�dio cl�ssico, constru�do muito antes da Primeira Guerra Mundial. Mudamos logo depois e notamos que todos os outros apartamentos estavam alugados para mo�as solteiras. As "Fr�uleins" andavam durante o dia inteiro em neglig�s e � noite se vestiam a capricho. Assim que aprendemos um pouco de alem�o, compreendemos que, embora a pens�o fosse bastante discreta, est�vamos vivendo em um bordel.
Era imposs�vel mudar, pois havia uma escassez de moradias. Mas o local em nada contribuiu para meu ajustamento. N�o apenas estava isolada de outras fam�lias americanas, mas havia tamb�m a barreira da l�ngua. J� estava acostumada a mudar de escola com freq��ncia, mas um pa�s estrangeiro apresentava problemas inteiramente novos - e o principal era o fato de n�o ter ningu�m com quem pudesse partilhar meus pensamentos. Comecei a sentir que minha vida parara por inteiro.
Setembro chegou a as aulas come�aram. Mais uma vez eu era a garota nova. N�o era mais popular e segura como me sentira na Del. Havia um lugar chamado Eagles Club, onde as fam�lias dos militares americanos costumavam fazer refei��es e se encontrar socialmente. Dava para ir a p� da pens�o e logo se tornou uma descoberta importante para mim. Todos os dias, depois das aulas, eu ia � lanchonete que havia ali, ficava escutando a vitrola autom�tica e escrevia cartas para minhas amigas em Austin, dizendo como sentia saudades de todo mundo. Desmanchando-me em l�grimas, gastava a minha mesada tocando as m�sicas mais populares nos Estados Unidos como "Venus" de Frankie Avalon e "All I Have to Do Is Dream" dos Everly Brothers.
Numa tarde quente de ver�o eu estava sentada ali com meu irm�o Don quando notei um homem bonito, na casa dos vinte anos, que n�o tirava os olhos de mim. J� o vira me observando antes, mas nunca lhe prestara nenhuma aten��o. Desta vez por�m, ele se levantou e se aproximou de mim. Apresentou-se como Currie Grant e perguntou meu nome.
- Priscilla Beaulieu - respondi, imediaatamente desconfiada, porque ele era muito mais velho.
Ele perguntou de que lugar dos EUA eu vinha, se estava gostando da Alemanha e se apreciava Elvis Presley.
- Claro - respondi, rindo - Quem n�o goosta dele?
- Sou grande amigo de Elvis. Minha mulhher e eu estamos sempre indo � casa dele. N�o gostaria de nos acompanhar uma noite?
Despreparada para um convite t�o extraordin�rio, eu me senti ainda mais c�tica e cautelosa. E declarei que teria de pedir permiss�o aos meus pais. Durante as duas semanas seguintes Currie conheceu meus pais. Ele tamb�m estava na For�a A�rea e papai verificou suas credenciais, descobrindo que conhecia seu comandante. Isso pareceu romper o gelo entre os dois. Currie garantiu a papai que eu seria devidamente vigiada quando visit�ssemos Elvis, que vivia numa casa perto da base, em Bad Nauheim.
Vasculhei meu arm�rio na noite marcada, tentando encontrar uma roupa apropriada. Nada parecia bastante elegante para o meu encontro com Elvis Presley. Acabei escolhendo um vestido branco e azul, sapatos e meias brancas. Contemplando-me no espelho, achei que estava atraente, mas convencida de que n�o causaria qualquer impress�o em Elvis, j� que tinha apenas quatorze anos.
Currie Grant apareceu �s oito horas, em companhia de sua atraente esposa, Carole. Ansiosa, mal falei com qualquer dos dois durante a viagem de 45 minutos. Entramos na cidadezinha de Bad Nauheim, com suas ruas estreitas, cal�amentos de pedras, casas feias e antigas. Eu me mantinha atenta, � espera de avistar o que presumia ser a enorme mans�o de Elvis. Em vez disso, Currie parou o carro diante de uma casa de apar�ncia comum, de tr�s andares, com uma cerca de madeira branca.
Havia uma placa em alem�o no port�o que dizia: "Aut�grafos somente entre sete e oito horas da noite". Embora j� passasse das oito horas, havia um grupo enorme de pessoas e mo�as alem�s por ali, expectantes. E havia tamb�m vendedores de cachorros quentes, ambulantes, um verdadeiro carnaval. Quando interroguei Currie a respeito, ele explicou que havia sempre muitas f�s na frente da casa, esperando por um vislumbre de Elvis.
Segui Currie pelo port�o e subimos pelo pequeno caminho at� a casa. Fomos recebidos por Vernon Presley, o pai de Elvis, um homem alto, atraente, de cabelos grisalhos que nos levou por um corredor comprido at� a sala de estar, de onde eu podia ouvir Brenda Lee na vitrola, cantando "Sweet Nothin's".
A sala simples, quase ins�pida, estava cheia de pessoas, mas avistei Elvis no mesmo instante. Era mais bonito do que aparecia nos filmes e nas fotos, mais jovem e com uma apar�ncia mais vulner�vel, os cabelos bem curtos de soldado. Estava � paisana, com uma su�ter vermelha e cal�a castanha amarelada, sentado em uma poltrona grande, com um charuto pendendo nos l�bios.
Quando Currie me levou em sua dire��o, Elvis levantou-se e sorriu.
- Ora, ora, o que temos aqui? - disse eele
N�o falei nada. N�o podia. S� tinha condi��o de fit�-lo fixamente.
- Elvis - disse Currie - esta � Priscillla Beaulieu. A garota de quem lhe falei.
Trocamos um aperto de m�o e ele disse:
- Oi. Sou Elvis Presley.
Depois, houve um sil�ncio entre n�s, at� que Elvis convidou-me a sentar em seu lado e Currie afastou-se.
- Est� na escola? - perguntou Elvis.
- Estou.
- E est� no come�o ou no final da escolla secund�ria? (High School)
Corei e n�o respondi, n�o querendo revelar que estava apenas no nono ano.
- E ent�o? - insistiu Elvis.
- Estou no nono ano.
Ele ficou confuso.
- Nono o qu�?
- Nono ano - balbuciei.
- Nono ano! - exclamou ele rindo - Ora,, voc� n�o passa de uma crian�a!
- Obrigada - respondi, bruscamente, poiis nem mesmo Elvis Presley tinha o direito de falar assim.
- Parece que a garotinha n�o � f�cil - comentou ele, rindo, de novo, divertido com a minha rea��o.
Elvis me presenteou com o seu sorriso encantador e todo o meu ressentimento se derreteu.
Conversamos mais um pouco. Depois, Elvis levantou-se, foi para o piano e sentou-se. A sala ficou em sil�ncio. Todos os olhos se fixaram nele.
Elvis cantou "Rags to Riches" e "Are You Lonesome Tonight?" e depois, com os amigos cantando em harmonia, "End of the Rainbow". Tamb�m ofereceu uma interpreta��o de Jerry Lee Lewis, martelando as teclas com tanta for�a que um copo com �gua que pusera em cima do piano come�ou a escorregar. Quando Elvis pegou-o, sem perder uma nota da can��o, todos riram e aplaudiram - menos eu. Estava nervosa. Olhei ao redor e vi um poster de Brigite Bardot seminua, preso na parede. Ela era a �ltima pessoa que eu queria ver, com seu corpo sedutor, l�bios espichados e cabelos desgrenhados, Imaginando o gosto de Elvis em mulheres, eu me senti muito jovem e deslocada.
Levantei os olhos e me deparei com Elvis tentando atrair minha aten��o. Percebi que quanto menos rea��o demonstrava, mas ele passava a cantar s� para mim. Mas n�o podia acreditar que Elvis Presley estava tentando me impressionar.
Mais tarde, ele pediu-me que o acompanhasse at� a cozinha, onde me apresentou � sua av�, Minnie Mae Presley, que estava no fog�o, fritando bacon numa enorme panela. Sentamos � mesa e eu disse a Elvis que n�o estava com fome. Na verdade sentia-me nervosa demais para comer.
- Voc� � a primeira garota dos Estados Unidos que eu encontro em muito tempo - disse ele, enquanto come�ava a devorar o primeiro de cinco sandu�ches de bacon, todos com mostarda.
- Quem � que a turma por l� est� ouvinddo?
- Est� brincando? Todo mundo ouve voc�!!
Elvis n�o ficou convencido. Fez-me uma por��o de perguntas sobre Fabian e Ricky Nelson. Comentou que estava preocupado com a aceita��o dos f�s quando voltasse aos Estados Unidos. Como estava ausente h� algum tempo, n�o aparecia em espet�culos p�blicos nem em filmes, embora tivesse cinco m�sicas nas paradas de sucesso, todas gravadas antes de sua partida.
Parecia que mal come��ramos a conversar quando Currie entrou na cozinha e apontou para o rel�gio. Eu receara aquele momento; a noite correra muito depressa. Parecia que acabara de chegar e agora j� tinha que ir embora. Elvis e eu mal come��vamos a nos conhecer. Sentia-me como Cinderela sabendo que toda a magia terminaria quando soasse o toque de recolher. Fiquei surpresa quando Elvis perguntou se eu poderia permanecer por mais algum tempo. Currie explicou o acordo com meu pai e Elvis sugeriu ent�o que eu poderia voltar outro dia. Embora fosse a coisa que eu mais queria no mundo, n�o acreditava que pudesse acontecer.
O nevoeiro era t�o denso na auto estrada, durante a volta a Wiesbaden, que s� cheguei em casa �s duas horas da madrugada. Meus pais estavam acordados e quiseram saber tudo o que acontecera. Contei que Elvis era um cavalheiro, muito divertido, cantara para os amigos, eu adorara a noite.
No dia seguinte na escola, eu n�o conseguira me concentrar. Os pensamentos fixavam-se exclusivamente em Elvis. Tentei recordar todas as palavras que ele me dissera, cada can��o que cantara, cada express�o em seus olhos ao me fitar. Reconstitu� interminavelmente nossa conversa. Seu charme era fascinante. N�o contei a ningu�m na escola. Quem iria acreditar que eu estivera com Elvis Presley na noite anterior?
Escrito por Priscilla Presley e Sandra Harmon (Elvis e Eu)
