The Soft Parade (1969)
Local: Central Park, Nova Iorque / Data: junho de 1969 / Foto: Joel Brodsky / Texto: Pablo Alu�sio /
Nota: Na segunda metade dos anos 60 os Beatles lan�aram um disco que abalou o mundo da m�sica: "Sgt.Pepper's Lonely Hearts Club Band", j� ouviu falar? Se sua resposta for n�o, ent�o voc� � definitivamente um tapado em termos de Rock'n'Roll. O Rock, antes considerado uma arte menor, ganhou status de arte maior com esse trabalho, levando todos, inclusive os mais conceituados cr�ticos musicais a ouvirem esse marco da hist�ria mundial. Criou-se assim, pela primeira vez, o conceito de grande arte ao mais popular g�nero musical do planeta. De uma hora para outra todas as bandas de rock do mundo se sentiram desafiadas a aprimorar e tentar, se n�o a superar, ao menos se igualar ao revolucion�rio disco do grupo ingl�s. Os Doors, principalmente Krieger e Manzarek, chegaram a conclus�o que deveriam enriquecer seu pr�ximo disco com orquestra��es e arranjos mais bem elaborados. Ent�o o grupo se trancou em est�dio e durante mais de um ano tentou todas as combina��es e experimentos poss�veis. O est�dio gastou uma fortuna, todo mundo ficou esgotado, principalmente Jim que n�o gostava de super produ��es.
Gravado em oito canais entre novembro de 1968 e junho de 1969, no Elektra Sound Studios (Hollywood, CA) o disco s� foi lan�ado oficialmente nos EUA no dia 18 de julho de 1969. Novamente o grupo foi produzido por Paul A. Rothchild.
The Soft Parade foi o disco dos Doors que teve a mais longa e cara produ��o. Foi lan�ado em julho de 1969 (depois de quase um ano de preparo), mas n�o foi bem acolhido pela cr�tica, talvez motivado pelo escandaloso show de Miami, ocorrido poucos meses antes. O p�blico tamb�m estranhou o resultado, dizendo que a banda n�o era mais a mesma, que havia se vendido. Mas a verdade � que esse � realmente um disco bem diferente do que os Doors j� haviam lan�ado anteriormente, com arranjos orquestrados e repletos de instrumentos estranhos � banda, como trombone, conga e violino (que aparecem logo na espalhafatosa introdu��o de Tell All the People). Al�m disso, uma outra voz � ouvida, j� que o guitarrista Robby Krieger canta o refr�o da can��o Runnin' Blue. Um outro detalhe intrigou os f�s: a autoria das can��es, antes creditadas a todos os integrantes, dessa vez era dividida entre Morrison e Krieger. Estariam os Doors passando por uma crise interna? N�o era poss�vel dizer. Mas logo o epis�dio de Miami foi (parcialmente) esquecido e o single "Touch Me" invadiu as r�dios e elevou as vendas dos �lbum, que se tornou mais um sucesso.
Singles nas Lojas : Touch me / Wild child - Em dezembro de 1968 a banda lan�ou o primeiro single deste disco, ali�s o primeiro de quatro, o que foi um recorde para o grupo. O lado A trazia "Touch Me". Quem ouviu j� sacou: Jim estava levemente embriagado quando gravou essa faixa, mas tudo acabou dando um toque especial a m�sica. Outro dado: esta can��o � na verdade, uma mistura de muitos takes diferentes, por isso se nota tamb�m uma certa diferencia��o no vocal de Jim ao longo da can��o. "Wild child" � um boa can��o, principalmente pela introdu��o envenenada da guitarra de Krieger e mais uma vez Jim aparece com seu estilo vocal d�bio, de quem acabou de sair de um bar. Em suma: Blues et�lico.
Wishful, Sinful / Who scared you? - Em fevereiro de 69, os Doors lan�am um novo single, deixando todo mundo surpreendido. "Wishful, Sinful" � uma balada triste, puxada para blues (mais uma vez!). O grande problema dessa can��o e das outras do disco, � que h� tantos instrumentos ao mesmo tempo que a voz de Jim acabou ficando ofuscada, sendo afogada numa verdadeira overdose musical. No Lado B do compacto foi colocada uma can��o fraquinha que acabou n�o entrando no disco, "Who scared you?" � tudo o que um lado B �: totalmente descart�vel.
Tell all the people / Easy ride - T� legal, todo mundo fala mal de "Tell all the people", mas absolutamente n�o concordo com esse tipo de opini�o. Gosto muito da can��o, ali�s a considero a melhor de todo o disco. De todas � a que apresenta a melhor harmonia entre a orquestra. Al�m disso Jim est� em �tima fase vocal, tudo aliado a bonita melodia. Nota 10! "Easy ride" � uma m�sica r�pida que cola na sua mente com for�a. Facilmente assovi�vel e tudo o mais, ela tamb�m � um �timo momento do disco, por isso dos quatro singles extra�dos do disco, este � disparado o melhor de todos.
Running blue / Do it - Mas quem diabos � este que canta com Jim durante "Running blue"? Ora � Robbie, que como vocalista � um �timo guitarrista! Essa foi a �nica vez que Jim dividiu o microfone com algu�m da banda (gra�as a Deus!). Talvez a exist�ncia desse quarto single (um exagero!) tenha sido uma forma de homenagear o guitarrista e compositor da banda. Mas sinceramente, Krieger acabou com sua pr�pria m�sica, sendo muito ruim sua participa��o. Ponto final. No lado B do single "Do it" com algumas inova��es durante a execu��o, mas que nada mais s�o do que fruto do complexo de Lennon/McCartney de Krieger. O single foi lan�ado em agosto de 1969.
Enquanto isso, fora dos est�dios...
Nesta fase de grava��o de "The Soft Parade" o single "Hello, I Love You" estourou na Europa, levando os Doors � sua primeira e �nica grande turn� internacional, que passou por pa�ses como Inglaterra, Alemanha, Holanda, Dinamarca (foto) e Su�cia.
Foi uma das excurs�es mais alucinadas da hist�ria do Rock, com muitos esc�ndalos promovidos por Jim Morrison, com muito excesso de drogas, mulheres e bebedeiras, levando o vocalista a bater seus pr�prios recordes de extravag�ncias. Em Londres eles se apresentaram no Roundhouse, uma tradicional casa de shows da Inglaterra. Os brit�nicos definitivamente n�o estavam preparados para Jim, ele entrou no palco totalmente narcotizado e b�bado, mas mandou ver em um dos melhores shows da banda. Depois o grupo foi para a Alemanha, em Frankfurt e Jim se sentiu em casa. Conhecida como uma das cidades mais sofisticadas da Europa, aqui a banda fez um show que entrou para a hist�ria da cidade. Jim terminou a noite em um bar de strip tease da cidade e a imprensa alem� n�o deixou este fato passar em branco. Em Amsterdam aconteceu o pior: Jim estava totalmente fora de controle, O Jefferson Airplane abriu o show dos Doors naquela noite, mas no meio de sua apresenta��o, Jim apareceu no palco, para surpresa de todos, com uma garrafa de whisky na m�o, totalmente embriagado, tentando acompanhar o Airplane que totalmente at�nico, ficou sem saber o que fazer! Jim continuou dan�ando ao som da m�sica da banda, num espet�culo tr�gico e engra�ado ao mesmo tempo! Na verdade ele deu um vexame daqueles, na frente de todo mundo! No final ele mal conseguiu deixar o local, de t�o chapado que estava, sendo carregado para o hospital mais pr�ximo. Mas nem por isso os Doors deixaram de realizar o show, a banda entrou sem Jim mesmo, pediu desculpas e interpretou todas as can��es sozinhos. Jim estava sempre b�bado e drogado e depois confidenciou a um amigo que "N�o se lembrava dos shows dos Doors na Europa"!
Essas apresenta��es viraram um especial para a TV inglesa chamado The Doors Are Open, que mais tarde tamb�m foi lan�ado em v�deo.
Antes do lan�amento do quarto disco da banda, o orquestrado e exagerado The Soft Parade, ocorreu o que � tido como o come�o da queda de Jim Morrison. Dia 1 de mar�o de 1969 � a data do famoso show de Miami, onde Jim, completamente b�bado, foi acusado de exibir seu p�nis para a plat�ia, incitar baderna e proferir discursos obscenos. Ningu�m sabe ao certo se tudo isso ocorreu ou n�o, mas o vocalista foi a julgamento e acabou condenado a seis meses de deten��o. Al�m disso, praticamente todos os shows agendados foram cancelados e a banda se tornou "persona non grata" em todo o territ�rio americano.
Enquanto os advogados apelavam da decis�o judicial, tentando abrandar a pena do vocalista, aos poucos os shows foram se tornando mais freq�entes outra vez, e a banda come�ou a gravar suas apresenta��es para o lan�amento de um �lbum ao vivo. Esse material foi lan�ado em 1970 como um LP duplo chamado Absolutely Live, que misturava can��es j� conhecidas com algumas in�ditas. Em seguida, mais um de est�dio, batizado com o nome Morrison Hotel. Os que achavam que os Doors haviam entrado em decad�ncia com The Soft Parade encontraram muito vigor no novo trabalho, que deixava as orquestras totalmente de lado para fazer um rock cru e mais blues do que nunca.
Mas essa � uma outra hist�ria que vamos contar no m�s que vem... at� l�.
