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1.
Realidade e Verdade
Dois
pontos fundamentais: a complexidade da realidade e as
limitações
humanas
no ato de conhecer;
REALIDADE
tudo o que existe, desde as circunstâncias próximas
sócio-culturais
... até o universo em seu espaço infinito.
A
realidade como um todo está oculta à consciência - manifesta-se de
maneira fragmentada, permanecendo inatingível na sua totalidade;
Mesmo
quando uma parte da realidade se manifesta à consciência, não se
pode, muitas vezes, ter certeza absoluta das coisas, devido à
limitação humana (condicionamento bio-psíquico), Não funcionamos
simplesmente com espelho do mundo exterior, mas de certo distorcemos,
recriamos, interpretamos a realidade...
Daí
a existência de duas "realidades": a realidade de fora de
nós (objetiva) e a realidade de dentro (subjetiva), criada a partir
de nossa experiências.
Não
se pode falar de verdade e falsidade no plano da realidade real;
o
problema da verdade se coloca no plano da realidade interpretada, no
plano do juízo.
Verdade
e falsidade está no valor de nossa observação e não no objeto
observado.
2.
DIMENSÕES DA VERDADE
2.1-
VERDADE
EMPÍRICA (LÓGICA OU MATERIAL)
"adequação
da inteligência à coisa" (Aristóteles). Todo pensamento é
verdadeiro se estiver em conformidade com o real. Só existe no
juízo. É uma propriedade de nossas proposições a respeito da
realidade.
2.2.
VERDADE FORMAL
- Na
Matemática e na Lógica Formal, a verdade apresenta a conformidade do
pensamento consigo mesmo. Nos sistemas formais, a verdade se define como
a não contradição de um sistema de juízo. A verdade formal ignora
a realidade: ela é apenas a concordância do espírito com
suas próprias convenções.
2.3.
VERDADE
EMPÍRICO - FORMAL
- Nas
ciências experimentais, a verdade assume um duplo caráter. É
empírica, pois aceita como verdadeiro aquilo que for comprovado
experimentalmente (conformidade do juízo com o real). O aspecto formal
está em que toda verdade científica é apresentada num sistema
lógico de juízos.
Quando afirma que "tudo cai sob a ação da gravidade" devo
comprovar para atingir a verdade científica: a) experimentalmente
através de métodos e técnicas; ao elaborar uma demonstração lógica
explicitando matematicamente que "matéria atrai matéria na razão
direta das massas que a compõem e na razão inversa do quadrado da
distância que as separa" .
2.4.
VERDADE METAFÍSICA -
nos graus de
abstração a metafísica tem como objeto de estudo o ser enquanto
ser, ou seja, a inteligibilidade última das coisas. Aqui a
verdade se identifica com essência, com a realidade do
ser em geral.
A
verdade absoluta, metafísica é inatingível pela razão humana. Daí o
caráter essencial da filosofia como busca e não como posse da
verdade.
2.5.
VERDADE REVELADA
- é a
verdade transcendental, religiosa. O conceito de verdade é supra-racional,
pois o homem chega a ela pela aceitação de uma determinada
revelação. A adesão íntima às verdade transcendentais
reveladas dependem do "eu creio" e não do "eu
sei". Por isso a profissão de fé é essencial em qualquer
religião.
A atitude de fé ocorre freqüentemente diante de verdades racionais,
isto é, as verdades empírica ou científicas assumem, muitas vezes, o
caráter de reveladas. Grande parte das verdades científicas, mesmo
dentro de nosso campo profissional, não as sabemos, mas sim, cremos
nelas. Toda verdade científica que não comprovamos pessoalmente são
aceitas por uma "atitude de fé" na revelação dos
cientistas.
Não se
pode identificar esta atitude de fé com a fé nas verdades
transcendentais. Na religião o homem fideísta "entrega-se"
sem reservas, ao revelador; na outra, há sempre a possibilidade de
"prova" das verdades aceitas.
2.6. VERDADE
MORAL - "verdade
moral é a conformidade do que se diz com o que se pensa. Ela se opõe
à ‘mentira’." (Jolivet) -
É a coerência
entre o que apresentamos ser com o que somos realmente.
A
simples alteração do verdadeiro não é suficiente para caracterizar a
mentira. Para que haja mentira é preciso intenção de enganar
terceiros.
3 -
ESTADOS DA INTELIGÊNCIA
DIANTE
DA VERDADE
3.1 -
ERRO
- ilusão
do saber da consciência ingênua. O estado de erro é muito comum na
consciência ingênua.
Ex: a
certeza de que a Terra está estática e o Sol movimenta-se.
3.2 - ESTADO DE
IGNORÂNCIA - é
a simples ausência do saber.
Ex: o
homem de uma tribo pode ignorar o que seja um computador, assim como
nós podemos ignorar a lenda "Cobra norato".
A
IGNORÂNCIA PODE SER:
VENCÍVEL
- quando
pode ser superada
INVENCÍVEL
- quando
não pode ser superada
CULPÁVEL
- quando se
ignora algo que se deve conhecer.
DESCULPÁVEL
- quando se
ignora algo que não se tem obrigação de conhecer.
3.3.
ESTADO DE DÚVIDA
- é equilíbrio
entre a afirmação e a negação.
A
DÚVIDA PODE SER
IRREFLETIDA
- resulta da
ausência de análise do problema
REFLETIDA
-
permanência das interrogações mesmo depois de um estudo
aprofundado.
METÓDICA
- consiste em questionar
(por questão de método) a validade de conceitos, tidos como
certos, para buscar real valor e fundamento dos mesmos.
UNIVERSAL
- é a
posição do céticos que consideram toda asserção como incerta.
Esta dúvida não se sustenta, pois é contraditória
internamente. Quando afirmo que ‘toda asserção é incerta' já
tenho a certeza da incerteza de todas as asserções.
3.4.
ESTADO DE OPINIÃO
- estado de
espírito que afirma com temor de se enganar. O valor da opinião
depende da maior ou menor probabilidade das razões que fundamentam a
afirmação.
3.5.
ESTADO DE
CERTEZA - é
a adesão a uma verdade que se impõe à inteligência,
de maneira evidente, sem margem de erro.
4 -
CRITÉRIOS DE VERDADE
Mesmo
no estado de certeza diante da verdade, o homem interroga sobre os
fundamentos desta certeza. Qual o critério que se utiliza para
determinar que isso e verdade e aquilo não? Os critérios de verdade
variam em consonância com as diversas dimensões da verdade
4.1 -
CRITÉRIO A EVIDÊNCIA SENSÍVEL -
algumas sensações
evidentes me dão a certeza da verdade da qual me dão a
certeza da verdade da qual não posso duvidar. É absolutamente certo,
p.ex., que tenho um corpo.
A
evidência sensível é limitada... Os sentidos se encontram
impotentes para desvendar a realidade de coisas a distância, do
micro-cosmos, etc. Esta limitação se supera progressivamente no plano
científico com o avanço tecnológico.
Este
critério não é absoluto, pois o real nunca é
totalmente "transparente". A verdade não é uma simples
cópia da realidade. Todo juízo verdadeiro é uma reconstrução
inteligível do real.
4.2 -
CRITÉRIO DE EVIDÊNCIA LÓGICA -
baseia-se num critério intrínseco, na coerência interna
do raciocínio.
Mesmo
nas ciências formais o critério da evidência lógica não é
absoluta. Ex. dois sistemas lógicos diferentes: lógica formal, baseado
no princípio da identidade e lógica dialética, baseada no princípio
de contradição.
4.3 -
CRITÉRIO DA AUTORIDADE
- o
critério das verdades transcendentais é extrínseco à própria
verdade - aceita-se uma verdade religiosa pela autoridade, infalível do
revelador e não pela inteligibilidade da mesma.
Este
critério está num plano supra-racional, não tendo valor
científico ou mesmo racional, porque a autoridade do revelador, em
última análise, faz parte da própria revelação, caindo num círculo
vicioso. A aceitação íntima da infalibilidade de um revelador
religioso é de ordem intuitiva.
4.4
- CRITÉRIO DE ÊXITO -
as
correntes de pensamento pragmátista identificam a verdade com
a utilidade. O critério determinante é puramente o êxito
prático da asserção.
"O
pragmatismo, com W. James, sustenta que o único critério da verdade é
o sucesso."
Muitas
vezes, um conceito político, filosófico ou religioso assume o caráter
de verdade, simplesmente porque proporciona uma "paz de
consciência", um "conforto intelectual ou moral."
O
critério de êxito encontra sérias dificuldades de sustentação: 1) não
é válido falar de verdade e de erro, pois pode-se ter utilizado informações
contraditórias; 2) uma idéia evidentemente falsa
pode ocasionalmente obter muito sucesso como ocorre na propaganda. Aqui o
falso é uma verdade pragmática; 3) a descoberta da verdade traz conseqüências
penosas, nos mostra uma realidade difícil de enfrentar.
- despersonaliza
o próprio conceito de verdade devido sua preocupação subjetiva
do "interesse" e da "utilidade."
Há
verdade em várias dimensões. Embora sejam poucas as nossas
certezas,
isto não significa que o homem não atinja a verdade.
Caso
contrário não teria sentido nenhum estudo
BIBLIGRAFIA
1) CARDOSO, M.C. &
DOMINGUES, M. O Trabalho Científico. São
Paulo : Jalovi.
2) HUISMAN, D, &
VERGEZ, A. O Conhecimento. Rio de Janeiro : Freitas Bastos.
3) JOLIVET, R. Tratado
de Filosofia. Rio de
Janeiro : Agir.
4) MARITAIN, J. Introdução
geral à Filosofia. São
Paulo : F.T.D.
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Atualizada
em 19/12/2000
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